Projecto de Reabilitação da Real Vinícola

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Projecto de Reabilitação da Real Vinícola
Localização: Matosinhos
Promotor/dono de obra: Câmara Municipal de Matosinhos
Arquiteto: Guilherme Machado Vaz
Construtor: QT Civil
Data do fim de construção: 16/12/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Câmara Municipal de Matosinhos
Morada: Av. D. Afonso Henriques
Localidade: Matosinhos
Código Postal: 4454-510 Matosinhos
Telefone: 229390900
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Através de uma investigação do contexto histórico dos edifícios industriais da Real Vinícola, construídos entre 1897 e 1901, o projecto de arquitectura - 100 anos depois - tem como suporte as ruínas existentes no local e a sua reabilitação. “No momento em que o edifício rui” segundo Simmel, “isso não significa outra coisa senão que as meras forças da natureza começam a predominar sobre a obra humana: a equação entre natureza e espírito humano desloca-se em favor da natureza”. O objectivo principal deste projecto foi restabelecer o equilíbrio das forças entre a natureza e o espírito humano. Um equilíbrio que passou por uma negociação com ambos. Com a natureza, que reivindica, numa luta infindável, um espaço que outrora foi seu; o espírito humano manifestado há cem anos atrás e que construiu esse espaço; e aquele que obrigatoriamente terá de se manifestar hoje e dialogar com os anteriormente referidos. Exemplo desse diálogo, são as árvores que se mantêm no interior de um dos edifícios e que foram mantidas, criando-se - para que tal fosse viável - pátios exteriores. O edifício voltou a ser ocupado, mas respeitou-se o direito adquirido pela natureza ao longo dos anos em que o local esteve ao abandono. Procurou-se desenhar – sempre que possível - de acordo com o projecto original. Toda a volumetria exterior foi recuperada, o desenho das asnas de madeira manteve-se, reconstruiram-se carpintarias. Tentámos manter o espírito industrial do lugar. Houve alteração de funções o que implicou novos espaços, infraestruturas e legislação a ser cumprida. As caixas de escadas em betão colocadas no exterior do edifício foram necessárias por razões de segurança contra incêndio. Optou-se por não as introduzir no interior devido ao impacto negativo que as mesmas teriam na estrutura de aço da laje que exprime toda a sua beleza na repetição quase infinita do módulo estrutural criado pelos pilares e as vigas. Foi necessário abrir-se janelas no alçado nascente do quarteirão. Uma vez que estávamos a introduzir um novo elemento no projecto, optámos por assumir o carácter contemporâneo da intervenção em vez de a dissimular, funcionando a janela como uma moldura que é encostada à parede, contrariamente às janelas existentes que são massa retirada à mesma. Para além de procurar este equilíbrio entre as diferentes forças intervenientes, quisemos que o mesmo fosse visível e se manifestasse em toda a sua verdade porque acreditamos que a matéria deveria, neste caso particular, ser lida no espaço e no tempo.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A razão que nos motiva a apresentar esta obra ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2018, prende-se com o facto de acreditarmos que o conjunto de edifícios que candidatamos a este prémio representam um caso bem sucedido de reabilitação urbana, que vale a pena divulgar. É uma obra que nos enche de orgulho por aquilo que representa para a cidade e também para o país, uma vez que alberga, entre outras valências, duas instituições culturais de âmbito nacional e internacional: a Casa da Arquitectura e a Orquestra Jazz de Matosinhos. O impacto que um equipamento desta dimensão tem na cidade traduz-se na dinâmica social, cultural e económica que é capaz de imprimir no espaço urbano, revitalizando uma área de 11.000m2 que esteve ao abandono cerca de 80 anos. Acreditamos que o projecto de arquitectura veio resgatar do esquecimento e da ruína a memória deste edifícios históricos e emblemáticos - que foram há mais de 100 anos o primeiro complexo industrial de Matosinhos Sul - e também, a identidade das pessoas e da própria cidade que se reconhecem através das arquitecturas que são produzidas num espaço ao longo do tempo. A nosso ver, este projecto expressa positivamente as potencialidades que um projecto de reabilitação urbana deve imprimir numa cidade, e que se manifestam neste caso nas suas vertentes histórica, patrimonial, social e económica.