The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel

Cidade de Lisboa

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel
Localização: Estação de Santa Apolónia, Lisboa
Promotor/dono de obra: Sonae Capital
Arquiteto: Miguel Alexandre Pereira Alves Saraiva
Construtor: Transfor - Engenharia e Construção, SA
Data do fim de construção: 31/12/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: 2ndroom - Exploração Hoteleira, SA
Morada: Lugar do Espido, Via Norte
Localidade: Maia
Código Postal: 4470-177
Telefone: 220129500
Site: https://www.editoryhotels.com/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Desenvolvido num dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Lisboa, a Estação Ferroviária de Santa Apolónia, o conceito do hotel foi desenvolvido de forma a ultrapassar a própria fonte de inspiração para que o mesmo adquira autonomia e vida própria. Num traço comum a toda a obra, procurámos enfatizar formas, cores, espaços e áreas em sintonia com a fonte de inspiração, conferindo a todo o projeto uma uniformidade constante, no qual o bem-estar, o equilíbrio e um elevado padrão de funcionalidade são elementos privilegiados. Como conceito para o desenvolvimento do projeto interessou-nos a Estação como ponto de partida e chegada, como cenário de acontecimentos que marcaram e refletem a vida dos portugueses e da cidade, nos vários períodos da sua história. O edifício como palco da partida, para a viagem, emigração, a aventura, a despedida, e o regresso, a chegada, o início e a passagem entre diferentes realidades. A presente proposta de intervenção na Estação Ferroviária de Santa Apolónia, decorre da necessidade de realizar obras de conservação da oportunidade criada com a instalação de novos usos nos pisos superiores do edifício, nomeadamente a instalação do Estabelecimento Hoteleiro com classificação de Hotel e categoria de 5 (cinco) estrelas, na ala nascente e pisos superiores do corpo central da Estação de Santa Apolónia. Na preparação desta proposta foi efetuada uma extensa análise histórica e patrimonial do local permitindo assim que o estudo desenvolvido respeite o edificado existente e permita valorizar o património construído e imaterial presente na Estação Ferroviária de Santa Apolónia. Tratando-se de um edifício marcante da cidade de Lisboa com uma funcionalidade única, a sua adaptação para outros usos requer uma intervenção cuidada tanto ao nível da preservação dos elementos patrimoniais existentes no edifício, como ao nível das fachadas. A operação urbanística propõe a recuperação dos elementos de revestimento, cantarias e vãos em ferro e madeira, da cobertura em telha cerâmica e das claraboias existentes, bem como a demolição das intervenções dissonantes, como estores exteriores, caixas de estore, aparelhos de climatização e grelhas de ventilação obsoletos existentes no edifício, bem como a alteração da cor do edifício. Nesse sentido considerou-se que sendo o edifício da Estação Ferroviária de Santa Apolónia um edifício publico cuja dimensão de excepção e escala se configura numa forte presença no espaço público envolvente, integrando-se numa categoria de edifícios de características únicas e irrepetíveis, face às características formais de composição da fachada e à materialidade clássica que se reflete nos cunhais, frontões e elementos e cantaria, a escolha desta cor forte que contrasta com os elementos de cantaria proporciona uma leitura mais clara e harmoniosa do desenho da mesma, valorizando-a e salientando os vários elementos que constituem o volume edificado. O Hotel integra-se nas áreas concessionadas para o efeito, desenvolvendo-se o programa de serviço principalmente nos pisos 0 e 0+, as áreas de hóspedes nos pisos 1 e 2 da ala nascente e corpo central do edifício, e reservando-se o piso em sótão para áreas técnicas. A totalidade da área concessionada apresenta 7254,5 m² de superfície de pavimento, incluindo as áreas técnicas em sótão, e integra 126 unidades de alojamento, áreas sociais, restaurante, áreas de serviço e técnicas, distribuídas pela ala nascente a corpo central do edifício. O acesso ao Hotel é feito através do átrio da estação ou directamente a partir da Av. Infante D. Henrique através do espaço da escadaria principal do edifício que é recuperado. No piso 0, contíguos a este espaço encontram-se o depósito de bagagem e a sala de segurança/Back office. Nas Áreas de serviço prevê-se a localização do PT, do núcleo vertical de serviço, da cozinha, sendo efetuados os abastecimentos ao Hotel e Cozinha, e também a saída de lixos. No piso 0+, com acesso a partir do patim intermédio da escada principal, encontra-se o ginásio. Toda a restante área deste piso é destinada a serviços e área de apoio à operação, dispondo de acessos próprios. No piso 1, no corpo central do edifício, mantêm-se a sala nobre como espaço de reuniões, sendo a restante área convertida em open space restaurante/lounge. Neste piso localizam-se 53 quartos, estando os restantes 73 localizados no piso 2. Trata-se de um projecto com certificação BREEAM no nível Very Good, pelo que foram utilizados essencialmente materiais com elevado potencial de reciclagem, porquanto a energia (e a água) despendida para a sua produção, transporte e instalação é muito menor que a dos outros não-recicláveis ou pouco recicláveis. Este é um dos pontos essenciais da sustentabilidade: a Análise do Ciclo de Vida dos materiais empregues contabiliza com rigor os recursos envolvidos na sua produção, transporte e instalação/aplicação e impele à utilização de materiais com baixa energia total incorporada.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Desenvolvido num dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Lisboa, Estação Ferroviária de Santa Apolónia, o conceito foi desenvolvido de forma a ultrapassar a própria fonte de inspiração para que o mesmo adquira autonomia e vida própria. Num traço comum a toda a obra, procurámos enfatizar formas, cores, espaços e áreas em sintonia com a fonte de inspiração, conferindo a todo o projeto uma uniformidade constante, no qual o bem-estar, o equilíbrio e um elevado padrão de funcionalidade são elementos privilegiados. Pretende-se neste empreendimento desenvolver um Projeto de turismo de qualidade no qual os visitantes procurem descobrir não só a cidade, mas também o local que os alberga e o Universo da Estação Ferroviária de Santa Apolónia a que sempre este edifício estará interligado, criando para tal um hotel onde o cuidado na decoração, no conceito dos espaços sociais e na escolha das soluções construtivas permita valorizar o edifício onde o hotel se insere. Propõe-se esta candidatura por se tratar de uma reabilitação realizada num edifício emblemático da cidade que ilustra os vários desafios da integração de um novo programa de ocupação do espaço, com uma elevada exigência técnica que impacta directamente nas soluções construtivas, nomeadamente quanto aos níveis conforto dos espaços e de condicionamento acústico exigido versus a integração, recuperação e conservação dos elementos patrimoniais existentes no edifício. A título de exemplo, a preservação das portas duplas existentes nos longos corredores do edifício, que foram mantidas e recuperadas, permitem manter a leitura destes espaços de dimensões e escala única. No entanto, para preservar estes espaços e elementos arquitetónicos, foi necessário integrar antecâmaras de acesso aos quartos para garantir tanto os requisitos de segurança contra incêndios e como o condicionamento acústico e conforto necessário a um quarto de hotel de cinco estrelas. Nesta sua nova existência, a instalação do Hotel na ala nascente do edifício teve como objectivo, não só dar um novo uso a estes espaços, como também a reabilitação do edifício, a preservação do património existente e devolvê-lo ao contacto com a vivencia de quem chega e parte, contribuindo para a revitalização desta área da cidade.