Hotel M.Ou.Co.

Turístico

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Hotel M.Ou.Co.
Localização: R. de Frei Heitor Pinto 65, 4300-252 Porto
Promotor/dono de obra: Mouco, Lda
Arquiteto: Arquitetos Aliados + Susana Leite
Construtor: Casais Engenharia e Construção, S.A.
Data do fim de construção: 06/09/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Casais Engenharia e Construção, S.A.
Morada: Rua do Anjo, nº 27
Localidade: Mire de Tibães
Código Postal: 4700-565
Telefone: 253305400
Site: https://www.casais.pt
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O presente projeto desenvolveu-se numa antiga fábrica de componentes elétricos dos anos 80, e integra o perímetro da operação de reabilitação urbana (ORU) de Campanhã. Verificando-se que as estruturas das edificações poderiam eventualmente ser reaproveitadas, optou-se por se desenvolver três volumes seguindo o cadastro das edificações existentes, salvaguardando as distâncias regulamentares aos prédios vizinhos. Manteve-se a fachada principal do prédio, que faz frente urbana da rua, pelo seu caracter de fachada industrial, permitindo assim que se mantenham algumas das características que sempre estiveram presentes nesta zona do Porto. O plano definido pelo Dono de Obra, preconizou a reconversão de parte do edifício para Hotel Apartamento, que integra Unidades de Alojamento diferenciadas como Quartos e Apartamentos ( Estúdios / Quarto Individual / Quarto Duplo) com diferentes valências de apoio. O conceito do Hotel foca num “Turismo Criativo” podendo captar outro tipo de utentes, além do turista como investigadores, profissionais liberais que procurem estadias breves ligadas aos programas/atividades desenvolvidas no Hotel. Este projeto surge da preocupação em pensar de forma integrada a cidade, o turismo, a cultura e a comunidade, sendo uma proposta que tendo a música como elemento convergente, que esteve na génese do nome M.Ou.Co. – Música e Outras Coisas, considera o espírito comunitário crucial para a promoção de um turismo responsável. Este hotel diferenciador tem um leque de equipamentos de apoio, tais como sala de reunião e de conferências, sala de trabalho e co-working, sala de espetáculos, sala de cinema, biblioteca/fonoteca, salas de ensaio de música, camarins, horta, piscina e jardins. Na presente intervenção urbana procedeu-se à alteração da construção existente para incorporar uma unidade hoteleira, Hotel Apartamento. Pretendeu-se que a reconversão funcional não apagasse a memória dos edifícios existentes, mas antes reforçando e valorizando a sua presença na paisagem urbana. O desagravamento de construção permite a criação de pátios, com diferentes caracterizações e usos. O pátio conformado pelo edifício a Norte e o edifício Central (afetos apenas a alojamentos), destina-se exclusivamente a uso interno dos utentes, os restantes pátios permitem a utilização geral. A volumetria prevista possibilita a instalação de um Hotel de 4 estrelas com capacidade para 62 (sessenta e dois) quartos e apartamentos, servidos por sala de estar, sala para refeições e pequenos-almoços. A sala de refeições, além de servir os pequenos-almoços (uso interno do hotel), terá condições de funcionamento para a restauração. A sala de refeições / pequenos-almoços está preparada para 80 (oitenta) lugares sentados, prevendo-se que possa ter dois turnos, quando com ocupação do hotel a 100%. A sala de eventos /sala de cinema permitem, no seu conjunto, a ocupação total de 300 pessoas de pé e 168 pessoas sentadas, tendo uma área total de 220 m2 que podem ser divididas pela sala 1 com 100 m2 e a sala 2 com 120 m2. A par dos espaços de uso público, considera-se também todos os espaços técnicos e de serviços, nomeadamente cozinha, copas de apoio, despensas, vestiários e instalações sanitárias (pessoal), copas de piso, arrumos, parqueamento automóvel, etc. A distribuição dos edifícios foi realizada de modo a permitir a separação de circuitos entre utentes/funcionários e utentes unidades de alojamento/publico em geral. Dessa forma, apenas os dois volumes (a norte) permitem o acesso ao público exterior. Em resumo, distribui-se os edifícios: a) No piso térreo encontra-se a receção, foyer entrada / zona estar-fonoteca-biblioteca, restaurante / sala de pequenos, quartos / apartamentos e acessos para os pisos superiores (quartos / apartamentos) e acesso ao piso -1 (restaurante / salas multiusos); b) No piso -1 localizam-se as instalações sanitárias para público/utentes (cabines acessíveis) e zonas de público/utentes, tais como salas multiusos, restaurante/sala de pequenos-almoços, sala de cinema, salas de apoio de música. Neste piso localizam-se também, as áreas de serviços constituídas por elevador, corredor de serviço, cozinha (incluindo zona de confeção e preparação), despensa do dia, despensa/frigorifico, armazéns geral, assim como vestiários e instalações sanitárias com duche para o pessoal, zonas técnicas e arrecadações gerais. c) Nos pisos superiores, imediatamente acima do piso de entrada, ou seja, no piso 1 e 2, localizam-se os restantes quartos / apartamentos do Hotel, com elevador para os utentes, caixa de escadas, coluna de serviço (elevador de serviço e copa de piso). d) Depois temos toda uma zona envolvente, formada por um deck, uma pequena sala funcional e jardins com variados apontamentos e plantas exteriores que comunicam com as interiores, em áreas de 16 m2 para a pequena sala funcional, 80m2 para o deck e 300m2 de jardins.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O motivo da candidatura deve-se ao facto de ser um projeto diferenciador, que requalifica uma zona bastante degradada da cidade do Porto e que mantém as memórias e a traça industrial dessa zona. Essa diferenciação faz-se por ser um projeto que, tendo a música como elemento convergente, considera o espírito comunitário crucial para a promoção de um turismo consciente. É um projeto integrador onde um grupo de amigos de várias nacionalidades que vivem no Porto estão na origem do M.Ou.Co. – Música e Outras Coisas - envolvendo artistas, turistas criativos e a população local. O M.Ou.Co. desenvolve e implementa ações como: residências artísticas, laboratórios, workshops, concertos, espetáculos, performances, exposições, feiras, sessões de cinema entre outros. Procura, assim, criar um epicentro que incentive a multiculturalidade e promova a aproximação de culturas, adotando a música como linguagem principal. Em última análise, o projeto M.Ou.Co. nasce desta visão equilibrada de turismo responsável e crescimento cultural, que tento merece ser valorizado e expandido. Desde a ideia inicial até ao conceito final, o desafio do M.Ou.Co. foi perceber como é que um projeto cultural poderia resultar numa combinação harmoniosa, estimulante e sustentável entre música, comunidade e turismo. No contexto atual do Porto encontram-se todos os ingredientes necessários para que este projeto com estas caraterísticas seja valorizado e apoiado na sua expansão. Em evidente crescimento, a zona oriental da cidade poderá ser um modelo que se destaque pelo seu potencial em atrair formas sustentáveis de promover o turismo criativo. Nesse sentido, a freguesia do Bonfim foi a escolha natural para encontrar um espaço que refletisse o espírito do M.Ou.Co. Uma antiga unidade fabril transformada num espaço multifacetado, que reúne diversos projetos ligados ao universo da música, disponibilizando aos visitantes (turistas, hóspedes e locais) um serviço especializado e diferenciado, criando um local onde os artistas se sentem valorizados, e, acima de tudo, incentiva a comunidade local a envolver-se nas atividades previstas. Através da articulação das várias valências existentes, resulta uma oferta facilmente distintiva e marcante pela sua solidez e autenticidade. É da necessidade de encontrar novas formas de repensar a cidade, a cultura e o turismo que surge o M.Ou.Co.