Rua Ivens 18-28

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Rua Ivens 18-28
Localização: Lisboa
Promotor/dono de obra: Investidor Institucional
Arquiteto: Arqº Samuel Torres de Carvalho
Construtor: HCI
Data do fim de construção: 10/06/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Samuel Torres de Carvalho - Arquitetura Lda
Morada: Rua do Instituto Industrial, 18 - 1º drt
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1200-225
Telefone: 914367097
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Este projecto resulta de um concurso de arquitectura, convocado por uma entidade privada. Trata-se de um edifício, construído no final do século XVIII e ampliado com mais um piso e águas furtadas no início do século XIX que se encontrava muito degradado, fruto não só de uma má conservação, como de sucessivas alterações de má qualidade, a que se juntaram os danos causados pela construção de um túnel e estação de metropolitano. O edifício apresentava, no entanto, um património decorativo particularmente rico ao nível da pintura mural e da azulejaria, e que foi uma das principais motivações do dono de Obra para abandonar um projecto já aprovado, que considerava a demolição integral do interior, e optar por uma estratégia de recuperação do mesmo. O projecto foi realizado com a consciência de que o mesmo se devia enquadrar no processo histórico de construção do edificio, com recurso à utilização de materiais compatíveis ou da mesma natureza dos existentes, procurando equilibrar a vontade de preservação com a consciência de que a intervenção actual seria mais uma que, teria de estabelecer sistemas de valores e realizar escolhas. Foi feito, inicialmente, um estudo muito aprofundado do património existente, com um extenso relatório histórico, um bom diagnóstico estrutural e um intenso trabalho de prospecção de pinturas murais uma vez que grande maioria se encontravam ocultas por sucessivas camadas de pintura. A primeira operação do projecto foi a eliminação de todos os elementos espúrios, tabiques que subdividiam os espaços e outro tipo de construções acrescentados ao longo do tempo, na procura da planta original. Depois, os novos elementos necessários às novas necessidades tais como como as instalações sanitárias, armários, ar condicionado etc, foram então, introduzidos em cada apartamento, como se de objectos objectos/dispositivos ou peças de mobiliário se tratasse. As cozinhas mantiveram-se na sua posição original recuperando-se igualmente as chaminés. Outros “dispositivos” colonizam também o exterior (no saguão virado para a Rua) anunciando a estratégia do projecto. Minimizou-se assim a interferência do novo com o existente, e favoreceu-se o diálogo entre ambos, garantindo a reversibilidade das intervenções, a melhor adaptabilidade às novas necessidades assim como as futuras com o maior respeito pelo património entretanto revelado. Na mesma lógica de sobreposição de uma capa sobre a outra, surgiu desde o inicio, a vontade de introduzir novas intervenções artísticas, dando sequência às sucessivas campanhas decorativas de que o edifício foi sendo alvo, o que se concretizou nas intervenções artísticas notáveis do José Pedro Croft e da Iva Viana. Foi ainda criado um estacionamento para 21 automóveis recorrendo-se para este efeito a uma solução de estacionamento robotizado, muito compacto, que permitiu concentrar a escavação numa área muito reduzida, e permitiu de viabilizar a manutenção da estrutura do edifício e a sua recuperação integral.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A presente candidatura surge com o intuito de apresentação e divulgação de um projecto de reabilitação onde o novo e o antigo interagem num novo espaço de forma única a singular. Estamos perante um edifício que nos últimos três séculos, resistiu a terremotos, guerras, revoluções e ainda assim sobreviveu com notável autenticidade. Após sucessivas alterações e um longo período de degradação, este edifício do final do século XVIII passou por um levantamento exaustivo da estrutura existente e uma remoção seletiva de adições posteriores revelando de volta o seu espaço original e uma notável decoração histórica. Um intrincado interior deu agora lugar a compartimentos mais amplos, e mais de acordo com a sua origem, e uma nova organização interna, acomodando novos serviços e respeitando pinturas murais, tetos decorativos e extensos painéis de azulejos. Trata-se de uma reabilitação realizada com a consciência do processo histórico de construção do edificio, com recurso à utilização de materiais compatíveis ou da mesma natureza dos existentes, e na procura de introduzir novos elementos, novos lahyers com a participação não só da Arquitectura, como de artistas contemporâneos notáveis como o José Pedro Croft e a Iva Viana.