Casa na Mãe de Deus

Melhor intervenção inferior a 1000 m2

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Casa na Mãe de Deus
Localização: Rua da Mãe de Deus nº 48, Ponta Delgada
Promotor/dono de obra: Privado
Arquiteto: Pedro Maurício Borges
Construtor: ARCO mais - Arquitectura e Construção (empreiteiro geral), Habilidade Pitoresca Carpintarias (carpintaria), Pestkil - Controlo de Pragas Açores (tratamento anti-térmitas)
Data do fim de construção: 30/06/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Pedro Maurício Borges
Morada: R. Nova do Almada, 11-2.º Esq
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1200-288
Telefone: 918880605
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A casa situa-se na antiga Rua da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, numa zona repleta de história, com o Cemitério dos Ingleses e o Relvão, onde desfilou o exército liberal em 1832, do outro lado do arruamento. Pela casa gémea que mantém o desenho original a poente – com frontão sobre a entrada, esquinas arredondadas e lambrequim na trapeira, dir-se-ia que foram construídas na dobra do século XIX para o XX. A casa do lado esquerdo foi depois ampliada e decorativamente renovada. Artista plástica de profissão, a proprietária apaixonou-se pelo longo corredor que divide a casa ao meio. O corredor começa num átrio, a norte, com as madeiras pintadas de castanho-escuro contrastando, no extremo oposto, com o verde luminoso do jardim. Tentámos levar a luz a toda a casa, sem destruir o conforto da sua interioridade. Nas salas abriram-se novos vãos para a cozinha e para a saleta, aumentando-lhes a luminosidade e a profundidade espacial. Uma clarabóia a meio do sótão distribui a luz por dois pisos, iluminando as casas de banho novas e as escadas antigas. Só na cave se manteve o escuro. O sótão ficou para atelier e a cave para arrumos, no piso do meio manteve-se a habitação. Nela se concentram o desenho e fabrico requintado das portas e rodapés, das ferragens antigas e mosaicos hidráulicos, do estuque nos tectos. Conseguimos manter as caixilharias de madeira e colocar-lhes vidro duplo para se dormir a norte, junto à ruidosa rua de calçada de basalto, e deixar as salas a sul para a luz do jardim. Para não contrariar a personalidade burguesa da casa, mas sem disfarçar o novo, procurou-se um desenho de ascendência antiga para as novas casas de banho, roupeiros e cozinha. Recuperaram-se os cabides, maçanetas, fechos e dobradiças, recolocou-se o óculo oval. Tratou-se o velho pinho resinoso contra as térmitas e enxertou-se com tábuas novas de pinho o soalho e de criptoméria o forro. O mármore é Verde de Viana. A salamandra esmaltada veio de Itália. E de uma casa nas Furnas veio o rosa para as paredes e o verde das portadas com que a casa de uma pintora se apresenta à cidade.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Há pouco mais de uma década, a cidade de Ponta Delgada foi invadida pelas térmitas de madeira seca. Ao invés de substituir a estrutura de madeira por outra em ferro, como passou a ser a prática instituída mesmo em edifícios de reconhecido valor histórico, a dona de obra investiu num tratamento especializado para proteger as madeiras estruturais, bem como os soalhos e todas as carpintarias. O projecto pode assim preservar o verdadeiro carácter da casa. Ponta Delgada conserva ainda um extenso centro histórico Oitocentista que devia seguir-lhe o exemplo. Este é o primeiro motivo da candidatura. O segundo prende-se com a qualidade da reabilitação e a persistência na reutilização de materiais e elementos que são comumente condenados ao lixo. O empenho conjunto dos projectistas e da proprietária, que acompanhou diariamente a obra, assegurou o rigor na construção e o cuidado esmerado com que todas as pedras, estuques e carpintarias foram recuperados, os mosaicos em falta encomendados, as ferragens desmontadas e limpas, oleadas e de novo montadas, contribuindo exemplarmente para a qualificação de uma rua histórica da cidade.