Edifício na Rua Rodrigo da Fonseca, nº 45 a 49

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Edifício na Rua Rodrigo da Fonseca, nº 45 a 49
Localização: Rua Rodrigo da Fonseca, 45 a 49, 1260-096, Lisboa
Promotor/dono de obra: Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Imoimperial
Arquiteto: Appleton e Domingos, Arquitectos
Construtor: Construtora UDRA
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Após um primeiro projeto de Arquitetura e quando as obras para a sua reabilitação estavam quase terminadas, o edifício sofreu um incêndio que o destruiu quase na totalidade. Tratava-se de um bom prédio de rendimento eclético, lisboeta, do princípio do século XX, com grandes apartamentos com mais de 330m² e 4m de pé direito.

Como era vulgar neste tipo de construção, percebia-se um grande investimento no desenho da fachada original – a única parte com desenho erudito, certamente de arquiteto – enriquecida com expressivas cantarias, guardas e portões metálicos arte-nova.

O interior era de estrutura de madeira com um programa decorativo típico deste período em Lisboa normalmente deixado ao critério de bons artesãos.

Após o incêndio sobraram as fachadas principal e tardoz, o piso térreo, (já reforçado com uma espessa laje de betão) o pavimento de pedra da entrada principal. A nova estrutura metálica das varandas (já produzida) e as antigas portas foram preservadas por se encontrarem armazenadas fora do edifício.

O novo projeto procurou construir um interior que fosse compatível com os elementos que permaneciam. A necessidade de aproveitar o reforço estrutural já executado gerou uma “pegada” que condicionou a nova planta que, assim, incorpora a antiga. Também os pés-direitos e a compartimentação foram condicionados pela escala e pelos vãos das fachadas.

O primeiro e segundo pisos possuem um pátio e um jardim no tardoz, enquanto os restantes usufruem de grandes varandas criadas pela desmontagem das antigas marquises.

O acidente obrigou a que o novo projeto tivesse de ser muito pragmático, utilizando os materiais mais correntes e económicos disponíveis no mercado, valorizados através do desenho e de uma escolha que garantisse lógicas de continuidade com a pré-existência. Decidiu-se ainda que todos os elementos sobreviventes deveriam ser mantidos não só devido ao seu valor cultural, mas também ao seu valor intrínseco.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O mérito deste projeto está na demonstração de que, em reabilitação, para diferentes circunstâncias, existem diferentes resoluções arquitectónicas.

A singularidade deste processo está no facto de, o mesmo edifício, num curto espaço de tempo e devido a um acidente, ter proporcionado essas diferentes circunstâncias. Isto obrigou a adoptar estratégias distintas, mas com o mesmo objectivo: aumentar os níveis de desempenho, preservar os valores, o carácter e reinventar o objecto garantindo a continuidade entre o que existia e o que se construiu. Esta abordagem vai ao encontro da resolução do Conselho da Europa de 1977 que pela primeira vez estabelece o conceito de reabilitação e que afirma que os valores presentes nos edifícios correntes devem ser preservados.

O incêndio veio destruir uma obra quase concluída que assumia e reabilitava um prédio de rendimento eclético do início do século XX, aumentando o seu desempenho e adaptando-o às exigências de uso, conforto e segurança atuais, preservando o seu caráter e os diversos valores tecnológicos, artesanais e decorativos.

A mudança radical provocada pelo incêndio obrigou a repensar toda a estratégia para um objeto, que apesar de muito destruído, mantinha ainda parte da sua estrutura material e conceptual. O objeto existente serviu como ‘pegada’ para se reinventar.

Nesta segunda versão, o projeto foi desenvolvido numa óptica de conceção-construção, obrigando a uma cooperação enriquecedora entre os diversos intervenientes – promotor, empreiteiro, projetista e fiscalização - na procura de novas soluções que garantissem o carácter e a qualidade pretendidas sem prescindir da necessária economia de construção.

Esta intervenção é uma afirmação de que o ponto de partida de um projeto de reabilitação é sempre o próprio objecto e as suas circunstâncias. O projeto deve adaptar-se a ele e não o contrário.