Projecto de Valorização, Reabilitação e Conservação das Termas Romanas de São Pedro do Sul

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Projecto de Valorização, Reabilitação e Conservação das Termas Romanas de São Pedro do Sul
Localização: São Pedro do Sul, Portugal
Promotor/dono de obra: Câmara Municipal de São Pedro do Sul
Arquiteto: João Mendes Ribeiro
Construtor: Tps - Teixeira, Pinto & Soares, S. A.
Data do fim de construção: 08/08/2019

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: João Mendes Ribeiro Arquitecto Lda
Morada: Rua de Tomar 1 esquerdo
Localidade: Coimbra
Código Postal: 3000-401
Telefone: 239833763
Site: http://www.joaomendesribeiro.com
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O espaço termal romano de S. Pedro do Sul situa-se na margem do rio Vouga, a cerca de 500 metros da nascente de água termal. O edifício, de fundação romana (séc. I d.C) , manteve até hoje grande parte da sua estrutura primitiva e encontra-se classificado, desde 1938, como Monumento Nacional. A sua longa e diversificada ocupação ao longo dos séculos ficou marcada por pequenos sinais, que não impediram no entanto que a estrutura romana inicial tenha prevalecido, mantendo-se ainda grande parte da altura das paredes e o arranque das coberturas da época romana. O projecto de valorização, reabilitação e conservação teve como base a recuperação do edifício, propondo a intervenção mínima necessária para a sua utilização e correcta percepção. A recuperação das características mais marcantes do ambiente do período romano foi trabalhada a partir da escala, da luz e da presença da água. No primeiro volume, a nascente, recuperaram-se as dimensões originais, os sistemas construtivos e os materiais tradicionais. Recuperou-se ainda a geometria da fachada, nomeadamente a métrica de cheios e vazios, reconstruindo as paredes que ruíram. No volume a poente, que constitui o edifício de origem romana, optou-se por manter a ideia de ruína, trabalhada quer como vestígio arqueológico, quer como matéria expositiva. A sugestão da forma e escala do espaço romano é dada pela reposição da altura original do edifício, bem como pela construção de uma abóbada em tijolo que segue a configuração da abóbada romana original, marcada nas paredes de topo. A nova abóbada destaca-se das estruturas existentes, suspensa a partir da cobertura e sem tocar nas paredes romanas. O ambiente luminoso original das termas romanas é recuperado com a introdução de luz zenital, através de um lanternim inclinado a sul, captando a maior quantidade possível de luz para o interior. No exterior, o tanque de água fria e a piscina natatio foram recuperados e a natatio revestida com opus signinum, à semelhança do período romano. A reconstrução do corpo nascente do edifício foi feita de forma a não tocar no limite original da natatio, trabalhando em balanço e criando um desnível no interior da recepção. De acordo com as sondagens arqueológicas, desenvolvidas pela arqueóloga Helena Frade, existiam evidências da existência de um peristilo que circundava a natatio, que originou o desenvolvimento de um projecto de montagem das colunas, fragmentadas e dispersas pelo terreno. A montagem foi baseada num inventário de todos os elementos existentes, utilizando o processo de anastylosis e a proporção e êntase do cânone proposto por Vignola, completada por novos elementos que, de acordo com a Carta de Atenas, se destacam dos existentes. Complementarmente ao peristilo, foi acrescentado um muro que acentua a entrada no peristilo. A importância da água no edifício termal é resgatada, voltando a ser o elemento central do espaço. Esta recuperação é feita na tentativa de recriar a atmosfera termal romana, imprescindível para a compreensão e leitura do espaço. O sistema de captação e condução da água é recuperado, permitindo que exista um circuito hidráulico por todo o edifício, associado a uma ideia de percurso, complementado pelo reúso do tanque exterior de água fria e da piscina natatio. A água adquire assim uma conotação lúdica, cruzando-se com a história e a gravidade do edifício pré-existente, numa nova leitura baseada em relações visuais e auditivas, indiciando percursos ou antevendo espaços.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

As Termas Romanas de São Pedro do Sul são uma das termas romanas mais bem preservadas da Península Ibérica. Foram construídas no séc. I d.C., tiveram diversas alterações, no entanto o edifício foi utilizado durante muitos anos como local de banho (ainda no século passado), passando por outras funções como escola, café e depósito de barcos. Esta longevidade mostra que o edifício foi utilizado pela comunidade de São Pedro do Sul durante quase 2.000 anos! O projecto permitiu, acima de tudo a preservação e restauro do edifício, que é Monumento Nacional desde 1938, e a fruição por parte de turistas (que usufruem das Termas ou que visitam a região), estudantes, arqueólogos, arquitectos e outros, melhorando e contribuindo assim para o crescimento da região. Para além de ser um sítio arqueológico, com uma forte componente pedagógica, as Termas Romanas têm uma forte componente cultural, sendo o primeiro edifício público da cidade onde serão apresentadas exposições. A recuperação deste edifício promove a proteção do seu património histórico e valores culturais, beneficiando e regenerando o centro da cidade e descentralizando a cultura, arqueologia e arquitectura para o centro do país. O objetivo do projeto era restaurar, reabilitar e valorizar as ruínas das Termas Romanas e adaptar o edifício para acolher um pequeno museu com visitas guiadas. O projeto foi implementado sem interferir com as estruturas romanas primitivas e os resultados foram alcançados por um trabalho de equipa entre todos os projectistas, arqueólogos e historiadores, complementado por pesquisas de campo arqueológicas e protótipos de materiais. A metodologia e critérios de intervenção utilizados no projecto baseou-se na releitura do lugar da intervenção, mantendo a integridade do conjunto, na sua coerência formal, compositiva e construtiva. A intervenção envolveu dois pontos principais: os trabalhos de conservação e restauro (procurando preservar ao máximo as estruturas existentes) e nova intervenção. Os trabalhos de conservação e reabilitação incluíram o restauro de todas as fachadas e pavimentos do edifício, piscinas romanas interiores e exteriores e circuitos de água (canalizações, ranhuras, esgotos). A nova intervenção incluiu novas fachadas (parciais), cobertura, caixilhos, soluções térmicas e melhoria de acessos ao interior do edifício. Os materiais e componentes técnicos escolhidos e instalados procuraram respeitar os existentes - madeira, pedra, tijolo e latão.