Recuperação das Instalações da Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra

Melhor intervenção inferior a 1000 m2

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Recuperação das Instalações da Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra
Localização: Coimbra
Promotor/dono de obra: Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra
Arquiteto: Luísa Bebiano / Atelier do Corvo (Carlos Antunes, Desirée Pedro)
Construtor: Civifran, Construções Lda
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O edifício da Sociedade Cerâmica Antiga de Coimbra, situa-se na Baixa da cidade de Coimbra, em território urbano e consolidado.

Durante o estudo arqueológico, a equipa projectista compreendeu que este edifício secular sofrera muitas alterações e sobreposições ao longo do tempo, passando de lagar de azeite a fábrica de cerâmica (ainda no século XVIII).

Nesse sentido, a nossa preocupação foi dar resposta ao novo programa que ali iria existir mas em simultâneo, criar condições de habitabilidade para a continuidade do fabrico de faiança (cerâmica artesanal).

Mantendo os mesmos processos construtivos artesanais, o projecto nunca ficou totalmente fechado, tendo tido a obra um acompanhamento diário, onde se tomavam decisões cruciais ao desenvolvimento do processo, devido às constantes descobertas construtivas e arqueológicas.

A ideia de não alterar a volumetria do edifício (tão perto da Rua da Sofia - Património classificado pela Unesco) foi mantida. Tal como A ideia de manter o máximo de elementos estruturais, muitas vezes realocados.

É notória a inserção de novos elementos, no entanto, essa nova adição, foi feita de forma consciente de depuração do espaço existente e do estudo e leitura metodológica daquilo que já ali estava.

Assim, julgamos que todas as soluções arquitectónicas encontradas sublinham a continuidade entre tempos, mas sem rupturas, havendo nesta atitude uma consciente apagamento do gesto diferenciador, querendo marcar sim uma certeza na efemeridade do nosso tempo, tal como foi marcada e assim valorizada a efemeridade de quem construiu aquele lugar, tão agarrado de memórias e de vivências que agora nos parecem intemporais.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O fabrico de faiança em Coimbra remonta ao século XVII.

Com a remodelação da Universidade de Coimbra iniciada em 1773 pelo Marquês de Pombal, surge um vasto conjunto de unidades de produção que darão origem a um verdadeiro bairro de oleiros no centro da cidade.

Esta unidade fabril é o último testemunho em funcionamento desse conjunto mais extenso de unidades já extintas, pelo que a história de Fábrica de Cerâmica de Coimbra se confunde com a história da cidade e da Universidade de Coimbra.

O interesse patrimonial e turístico que a fábrica possui foi potenciado, dotando-a de condições museológicas com o objectivo de expor o seu vasto legado, em simultâneo com a laboração oficinal e criação de um programa cultural.

A proposta cria um percurso museológico em que o trabalho dos artesãos, as tecnologias e as actuações sobre os materiais, assim como os locais específicos a cada momento do processo de laboração/produção são expostos in-situ, constituindo os elementos centrais na ordenação do trajecto de visita.

A oficina e olaria têm por objectivo mostrar os processos e tecnologias de criação das peças de faiança e permitirá uma inter-relação com os artesãos.

O posto de exposição, venda permite o acesso à mais diversa informação sobre a origem, várias fases e evoluções da faiança de Coimbra.

A cafetaria permite a fruição do movimento e dinâmica de funcionamento que nos dá a ideia de estarmos por dentro de uma grande oficina de cerâmica.

Esta candidatura foi motivada pelo interesse de mostrar uma das seculares artes da cidade de Coimbra inseridas num espaço que julgamos estar recuperado com as melhores técnicas de restauro e em simultâneo dando condições de manter com linguagens contemporâneas um processo de fabrico artesanal.