266 Liberdade

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: 266 Liberdade
Localização: Lisboa - Avenida da Liberdade, nº 266 e 266A Rua Rodrigues Sampaio, nº 111, 111A, 111B, 111C, 111D e 111E
Promotor/dono de obra: Avenue
Arquiteto: Contacto Atlântico Arquitectos
Construtor: HCI
Data do fim de construção: 23/09/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Avenue
Morada: Rua Serpa Pinto, 14A, 3º
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1200-445 Lisboa
Telefone: 215989523
Site: http://avenue.pt
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A intervenção urbana em causa caracteriza-se pela reabilitação do edifício nº266 da Avenida da Liberdade, localizado no lado Nascente da mesma. O edifício, classificado como imóvel de interesse público, foi o primeiro edifício de Arquitetura Industrial Moderna da Avenida da Liberdade e o primeiro a ser projetado de raiz para alojar um jornal. Pretendia ser um edifício misto para escritórios e indústria, com a redação voltada para a Avenida da Liberdade e a gráfica voltada para a Rua Rodrigues Sampaio. Em 1940, logo após a sua inauguração, este edifício da autoria do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, recebeu o Prémio Valmor. A reabilitação teve como orientação e foco respeitar a obra do prezado arquiteto, ao repor a arquitetura exterior ao projeto original, mantendo a linguagem e imagem do edifício, reorganizando-o apenas no seu interior, de forma a criar unidades independentes e dotá-lo das características técnicas, funcionais e estéticas adequadas aos usos propostos: habitação e comércio ao nível do piso térreo. A intervenção incluiu dois pisos para estacionamento abaixo do solo, com entrada pela Rua Rodrigues Sampaio. No piso térreo criou-se uma loja com frente para a Avenida da Liberdade e para a Rua Rodrigues Sampaio, com um total de aproximadamente 1300 m2. Os pisos superiores (do piso 1 ao piso 5) destinados a habitação, organizaram-se em tipologias de T0 a T5 perfazendo um total de 34 fogos com uma área total para habitação de 4076,84 m2. Mantiveram-se os vários acessos verticais do imóvel e as fachadas de forma integral e de acordo com o projeto original, assim como os elementos com relevância arquitetónica e artística do seu interior, como os frescos do artista Almada Negreiros presentes no antigo átrio central, agora convertido em loja, e hall de entrada virado para a Av. da Liberdade. Este átrio foi mantido integralmente com os seus elementos marcantes como as portas em madeira, a porta giratória, a caixa do elevador em ferro e o revestimento do chão e paredes em mármore, além dos painéis artísticos. Ao longo da reabilitação, a estratégia utilizada foi a de repor todos os elementos ao seu original, bem como manter e preservar a herança arquitetónica e cultural, de acordo com o projeto de Autor. Para as fachadas propôs-se devolver o edifício à sua origem. Na Av. da Liberdade, no piso térreo, foram substituídas as caixilharias com 5 folhas em cada um dos grandes vãos da loja, por caixilharias de 3 folhas conforme o projeto do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro. As grelhas de climatização existentes na fachada foram suprimidas e foi colocada pedra igual à existente. A caixilharia da Av. da Liberdade, já com avançado estado de corrosão, foi restituída com uma solução que respeita na integra as dimensões dos perfis e características estéticas bem como a mesma materialidade, mas com especificidades técnicas que permitem um melhor isolamento térmico e acústico. Foi também realizada uma limpeza, fechamento de juntas, tamponamento de furações existentes na pedra com especial destaque aos elementos cerâmicos, quer do torreão, frisos das fachadas e da empena norte, em que foram produzidas peças à dimensão e cor das existentes. A fachada da Rua Rodrigues Sampaio foi limpa de todos os aparelhos de ar-condicionado, colocando os novos na cobertura devidamente fechados em abrigos próprios, atenuando o impacto visual e acústico dos mesmos. Ao nível do piso térreo, foram repostos os 3 portões que são hoje o acesso aos estacionamentos e foram recuperadas e reinstaladas as portas em ferro ainda existentes. Todas as caixilharias dos pisos superiores na rua Rodrigues Sampaio foram também substituídas por novas no material e métricas originais, mas usando a tecnologia de vidro duplo. No interior, libertou-se o saguão na empena a Sudoeste que originalmente se desenvolvia até ao piso 0. O mesmo foi feito ao miolo no piso 2, restituindo-se o pátio da solução original. Foi ainda reposta a linha e frisos exteriores do projeto do Arquiteto Porfírio Pardal Monteiro. No último piso, os terraços cobertos e descobertos voltaram a brilhar, devolvendo a "loggia" modernista deste espaço que outrora foi um salão de festas.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O 266 Liberdade representa um tributo a um dos edifícios mais icónicos da cidade de Lisboa, o edifício Diário de Notícias. A conversão para habitação e comércio foi um desafio apaixonante, pelas especificidades inerentes a uma intervenção num edifício que é um marco histórico e prémio Valmor. Com o compromisso de honrar e valorizar a visão original do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, a execução da reabilitação foi rigorosa e meticulosa, seguindo as melhores práticas. A reabilitação devolveu ao edifício o seu esplendor original: restaurando as fachadas com a preservação dos antigos letreiros, assim como o painel cerâmico na fachada lateral Norte do imóvel onde está representado o fim do ciclo de impressão do jornal, e integrando nos novos interiores os elementos históricos e artísticos de época. A conversão do edifício permitiu, a par da reabilitação do património, a criação de habitação de qualidade superior, com o objetivo de fixar população nesta zona central da cidade e o desenvolvimento de uma loja no piso 0, ao mesmo nível das existentes na zona. Com 1300m2, é um espaço único, proporcionado pelas obras de Almada Negreiros, criadas especialmente para o espaço, e que foram preservadas. A reabilitação do edifício contribui desta forma para a requalificação da cidade, perfeitamente integrado na Avenida da Liberdade, uma das principais artérias de Lisboa, cada vez mais destinada ao comércio nos pisos térreos e onde se encontram as mais ilustres marcas internacionais. Para a criação do estacionamento privativo, distribuídos por 2 pisos, com acesso feito através da Rua Rodrigues Sampaio, 111, aproveitou-se o facto de os três vãos centrais do piso térreo desta fachada terem sido originalmente desenhados para garagens. Garante-se também desta forma que não serão sobrecarregadas as vias rodoviárias com os veículos dos moradores.