Palácio do Contador-Mor

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Palácio do Contador-Mor
Localização: Alfama, Lisboa
Promotor/dono de obra: GNB - Sociedade Gestora de Fundos de Investimento SA
Arquiteto: Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus
Construtor: Ramos Catarino, S.A.
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O projeto, promoção realizada pela GNB – Sociedade Gestora de Fundos Imobiliários, S.A., refere-se a um edifício de habitação sito no Largo do Contador-Mor, em Lisboa, no Bairro de Alfama, freguesia de Santa Maria Maior.

O edifício insere-se na Zona de Proteção do Castelo de São Jorge e Restos das Cercas de Lisboa, e nas ZP da Igreja Paroquial de Santiago de Alfama e do Palácio Belmonte/Pátio de D. Fradique (IIP). Encontra-se igualmente localizado na Carta Síntese numa Zona Homogénea Habitacional II. Os arquitetos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, autores do projeto, propuseram uma intervenção cuja linguagem arquitectónica respeita em absoluto o património legado em anteriores intervenções.

A linguagem arquitetónica assenta na recuperação do conjunto edificado, numa tentativa de devolução da sua magnitude que fora adulterada face aos danos provocados por consecutivas alterações e por anos de abandono. No entanto, a falta de condições de habitabilidade e a inexistência de tipologias habitacionais, levou a uma alteração da morfologia e distribuição do espaço interior. Foi proposta a divisão do edifício em seis moradias unifamiliares, dando-lhe uma nova realidade funcional e retomando o tema bem “palaciano” do habitar. Esta relação com a nova realidade faz-se respeitando e mantendo fachadas, cércea e a volumetria. A dinâmica espacial adapta-se assim a um programa de uso mais plural, sempre com a consciência de refletir no objeto arquitetónico a influência importante do preexistente. 

Dado o valor histórico do edifício, foram mantidos todos os elementos patrimoniais catalogados pela Unidade de Projeto de Alfama. 

O edifício está inserido num lote com 750,35 m2 com uma área de implantação de 636,10 m2 e é constituído por seis frações autónomas tipo moradias unifamiliares ocupando cada fração os 4 pisos deste edifício, sendo o último amansardado. 

Os diferentes tipos de apropriação responsabilizam-se pela diversidade morfológica e funcional de vivência diária, procurando uma versatilidade na utilização dos espaços e possibilitando aos futuros utentes uma melhor resposta às suas necessidades programáticas. Pretendeu-se, assim uma maior versatilidade no uso dos espaços.

 A divisão do edifício ficou estabelecida do seguinte modo:

. Fração “A”, tipologia T3 com estacionamento para três viaturas.

. Fração “B”, tipologia T2 com estacionamento para duas viaturas*.

. Fração “C”, tipologia T3 com estacionamento para duas viaturas*.

. Fração “D”, tipologia T4 com estacionamento para duas viaturas.

. Fração “E”, tipologia T5 com estacionamento para duas viaturas.

. Fração “F” , tipologia T3 com estacionamento para duas viaturas.

* O estacionamento comum é para as Frações “B” e “C”.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O Palácio do Contador-Mor, como atualmente é conhecido, é um palacete de meados do século XIX, com alguns elementos característicos de uma habitação palaciana desta época (apenas identificados nas salas viradas à fachada principal no andar nobre, vestíbulo principal e ao longo de alguns compartimentos a tardoz). O edifício encontrava-se bastante alterado na sua morfologia original, uma vez que esteve ocupado por duas escolas municipais, e o seu estado geral de conservação era mau.

Tratando este projeto de um edifício com valor patrimonial reconhecido, foi objetivo do promotor a sua adaptação/reabilitação visando garantir a salvaguarda do património arquitetónico existente para usufruto de gerações vindouras. Esteve portanto implícita a uma ação de reabilitação desta natureza, a conservação da maior quantidade de tecido histórico preexistente e a manutenção dos valores patrimoniais identificados.

Desta forma, elaborou-se um projeto de reabilitação com projeto de restauro integrado, o qual baseou-se num estudo/diagnóstico detalhado à semelhança de um projeto de especialidades. 

A intervenção viabilizou o retorno ao desenho original da fachada, tendo sido recuperada a composição do alçado e devolvendo-lhe o devido protagonismo. A recuperação do edifício pautou-se ainda por um espírito de reaproximação ao original, cujo carácter palaciano, foi sendo desvalorizado pelas sucessivas ocupações e adaptações. Foram mantidos e sublinhados todos os elementos originais, de relevância estrutural, funcional e, em alguns casos, ornamentais, como os tetos decorativos e vãos com desenho de caixilharia que remete à época de origem. Assim, a mudança de tipologia residencial foi feita de forma criteriosa, salvaguardando a estrutura espacial e construtiva do edifício e dos pátios existentes. 

Existiam elementos caracterizantes que interessavam conservar, visto traduzirem uma mais-valia para as novas habitações unifamiliares projetadas, permitindo a conservação de uma noção de riqueza associada à época de edificação deste palacete, no interesse de manter a coerência na tipologia existente. A manutenção de alguns destes elementos decorativos incluíu estuques e pinturas decorativas nos tetos das salas principais do andar nobre e reprodução das molduras de vãos interiores e portadas nas salas principais do mesmo andar.

Na reabilitação da fachada principal foram restaurados e colmatadas as lacunas dos painéis de azulejaria existentes. Alguns painéis de azulejos existentes noutras zonas do edifício foram relocalizados.