CASTILHO 203

Reabilitação Estrutural

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: CASTILHO 203
Localização: RUA CASTILHO 203 - LISBOA
Promotor/dono de obra: VANGUARD PROPERTIES
Arquiteto: ARX ARQUITECTOS - ARQ. JOSÉ MATEUS
Construtor: MOTA ENGIL
Data do fim de construção: 15/12/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: VANGUARD PROPERTIES
Morada: EDIFICIO TIVOLI FORUM - AV DA LIBERDADE 180A - 7º
Localidade: LISBOA
Código Postal: 1250-146
Telefone: 918622777
Site: https://www.vangproperties.com
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

1. Introdução Constitui-se como objeto de intervenção o edifício situado na confluência da Rua Castilho com a Rua Padre António Vieira, na freguesia de Avenidas Novas. Concebido originalmente para escritórios, o edifício vai agora passar a uso habitacional, o que obrigou ao desenho de uma arquitectura completamente nova, permanecendo do que existe apenas a sua estrutura resistente que, mesmo essa, terá que sofrer uma profunda alteração. 2. Princípios gerais Em virtude de se verificar uma mudança de uso radical, mas também pela idade do edifício, tanto o tipo de fachadas e respectivos materiais como os interiores são completamente inadequados para o uso agora pretendido. Além destes aspectos, os regulamentos actuais obrigam também a uma reformulação profunda das comunicações verticais, nomeadamente em termos de número, dimensões e posição relativa, bem como na configuração de ante-câmaras e barreiras corta-fogo. Além destes aspectos, verifica-se ainda que as caves, pela presença de estrutura e de rampas de grandes dimensões, possuem uma capacidade muito limitada para albergar lugares de estacionamento. Relacionado com este facto, observa-se ainda que as entradas no edifício estão mal posicionadas: as áreas técnicas e entrada de viaturas localizam-se na rua nobre – Rua Castilho – e a entrada principal localiza-se na rua Padre António Vieira, que hierarquicamente é secundária. Face ao exposto, adopta-se uma nova lógica, removendo as rampas das caves e passando o acesso de viaturas a acontecer através de ascensores, o que permite um aumento considerável do número de lugares de estacionamento. Por outro lado, esse acesso passa a acontecer através da Rua Padre António Vieira, situando-se a entrada principal de pessoas na Rua Castilho, n.º 203. 3. Expressão arquitectónica Dado o programa que está em causa ser de habitação, temas como a luz natural, vistas panorâmicas ou a possibilidade de estar ao ar livre em varandas e terraços são naturalmente temas centrais do desenho desta arquitectura. É nesta perspectiva que surge a introdução de varandas orientadas sobre o Parque Eduardo VII, o aproveitamento do terraço superior, bem como o desenho de janelas de dimensões generosas, neste caso com protecção exterior através de telas micro-perfuradas. Aqui, destaca-se particularmente o recuo da empena orientada para sul, de forma a poder ali abrir-se janelas com vistas panorâmicas sobre a cidade a Sul e o Tejo. Feita a devida ponderação destas questões, bem como do cumprimento dos afastamentos aos vizinhos, das dimensões máximas de varandas ou balanços sobre o espaço público, e após uma cuidada análise das volumetrias actuais, optou-se por clarificar o desenho do edifício fixando a tipologia de planta cruciforme. Na sua construção, tanto por obediência a um princípio de perenidade ou de resistência ao tempo, mas também para lhe conferir um carácter nobre, os paramentos exteriores são predominantemente revestidos a mármore branco “pele de Tigre“ de Vila Viçosa passado a jacto de areia, sendo a base e o coroamento predominantemente acabados a vidro. Nesta forma cruciforme, os topos dos braços da cruz, onde se abrem varandas e vãos, obedecem a uma métrica que procura afirmar a pertença à cidade enquanto contexto de edifícios ritmados, mas que têm igualmente a particularidade de produzir enquadramentos de vista variáveis tanto ao longo de um fogo, mas também de piso para piso. De forma a aligeirar a rigidez que esse esquema poderia encerrar, a estrutura de vãos é variável, tanto na horizontal como na vertical, o que confere ao desenho um carácter mais espontâneo, compatível com a envolvente heterogénea. Num segundo plano por detrás da “grelha“ de pedra assim gerada, as guardas em vidro, por vezes cobrindo os topos das varandas, janelões e tectos semi-polidos com pintura de cor bronze, bem como os próprios caixilhos de alumínio bronze, reflectem a envolvente constituindo uma clara clivagem entre dentro-fora e reforçam a nobreza do edifício. No entanto, o edifício não se reduz ao bloco de planta cruciforme, completando-se no volume mais baixo que produz a transição para o edifício adjacente na rua Padre António Vieira, que segue os mesmos princípios, embora de desenho diferente, da torre que emerge no conjunto. 4. Distribuição Funcional A distribuição funcional organizada no edifício segundo a uma estratificação que consiste em dois diferentes níveis de luxo, diferenciados através dos materiais escolhidos para os apartamentos. • Basic Luxo, pisos 1 a 7. Nos halls de entrada dos apartamentos, o pavimento será riga, sendo as paredes e tetos revestidos a madeira de bétula. As salas, quartos e cozinhas terão pavimentos em madeira de sucupira e as paredes e tetos estucados a branco. • Super Luxo, pisos 8 a 13. Nos halls de entrada dos apartamentos, o pavimento será madeira de pau santo, assim como as paredes e tetos. As salas, quartos e cozinhas terão pavimentos em madeira de riga e as paredes e tetos estucados a branco.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Acreditamos que esta intervenção constitui um dos melhores exemplos de reabilitação urbana realizada em Lisboa nos últimos anos.