SINAGOGA de Tomar e Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto- Projecto de Conservação e Reabilitação

Restauro

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: SINAGOGA de Tomar e Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto- Projecto de Conservação e Reabilitação
Localização: Rua Dr.Joaquim Jacinto,nº73-77, (antiga Rua da Esnoga), Rua Nova), em Tomar
Promotor/dono de obra: Município de Tomar
Arquiteto: FSSMGN ARQUITECTOS LDA-Fernando Sanchez Salvador, Margarida Grácio Nunes, Arquitectos
Construtor: VESTIGIOS & LUGARES, CONSTRUÇÕES LDA
Data do fim de construção: 31/12/2018

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: MUNICIPIO DE TOMAR - TomarHabita
Morada: Praça da República
Localidade: Tomar
Código Postal: 2300-550
Telefone: 249329800
Site: http://www.cm-tomar.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A antiga Sinagoga, de meados do século XV, está classificada como MN-Monumento Nacional, desde 1921, e encontra-se situada no centro da antiga judiaria, em pleno centro histórico da cidade de Tomar. A construção foi adquirida em 1923 por Samuel Schwarz, engenheiro polaco, que fez a doação do edifício ao Estado Português em 1939, destinando-a ao Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto. O projecto e a obra de arquitectura abrangeu tanto o conjunto edificado da antiga Sinagoga de Tomar como a adaptação de um edifício adjacente a Museu Luso-Hebraico Abraão ZacutoHebraico. Nesse edificio efectuaram-se escavações arqueológicas em meados dos anos 80 e em 2018. A intervenção arquitectónica visou sobretudo o restauro, a conservação e reabilitação do edificado, adoptando a forma de intervenção cirúrgica e a instalação do núcleo museológico referido. O projecto e a obra integram-se-se na requalificação e revitalização do tecido urbano de que faz parte, e insere-se numa Rede de Judiarias de Portugal (Rotas de Sefarad), com o apoio internacional de EEA/GRANTS . Estas acções integram, o plano estratégico coordenado pela autarquia, equacionando as intervenções que venham a potenciar e desenvolver as acções de estudo e valorização da identidade e memória histórica da antiga Judiaria em Tomar, a partir do conhecimento que se tem hoje. A obra veio a revelar dados novos e conhecimentos inovadores, fundamentais para a compreensão da génese urbana de Tomar O Projecto de Conservação e Reabilitação da Sinagoga de Tomar e Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto refere-se ao conjunto edificado da Antiga Sinagoga de Tomar e Edifício adjacente, situados na actual Rua Dr. Joaquim Jacinto, 73-77, em Tomar, antiga Rua da Judiaria. Os dois edifícios apresentam entradas autónomas e não comunicam entre si, designando a CM Tomar, o primeiro por “Sinagoga” e o segundo por “Edifício adjacente”. O lote urbano do edifício adjacente é formado, ainda, por um pátio a tardoz. O carácter excepcional do conjunto, consagra-lhe, assim, um importante valor histórico-patrimonial, pelo que merece e deve ser preservado. O conjunto edificado, objecto de intervenção, apresenta claramente duas estruturas de origem e características distintas que são o resultado de várias ocupações no tempo, inclusive, com funções e usos diversos. O estado de degradação do monumento e agravado pelas anomalias construtivas e a deterioração da cobertura, quer no extradorso quer no intradorso abobadado, requeria intervenção com carácter de urgência. O edifício adjacente encontrava-se em ruína iminente de pavimentos e cobertura. O conjunto edificado apresentava genericamente um mau estado de conservação, sendo observáveis várias anomalias estruturais graves e elementos da construção muito deteriorados.Encontramo-nos, assim, perante um cenário patrimonial composto por diferentes elementos. Por um lado, subsiste, solidamente, a Sala de Oração da Sinagoga medieval, envolvida por nove abóbadas nervuradas, que se apoiam em quatro pilares de pedra, com forte expressão simbólica, e onde os quatro cantos têm incrustados quatro pares de cântaros de cerâmica que potenciam as condições acústicas do espaço. Estes elementos terão uma importância significativa na caracterização deste espaço, pelo seu valor simbólico e também pela excepcionalidade da sua presença nesta Sinagoga.O projecto definiu, como critério fundamental, a eliminação de todos os elementos espúrios e clarificação da leitura do espaço primitivo. A intervenção de projecto e depois da obra, foi no sentido de respeitar o valor histórico do monumento, os vestígios e as memórias, atendendo à evolução do mesmo e às transformações sofridas, deixando as marcas dessas transformações, como um palimpsesto. Foi feita uma análise cuidada aos materiais e técnicas construtivas existentes, detectadas no obra e que são objecto de análise científica específica, ao nível das argamassas. A conservação e reabilitação foi feita a par da introdução de estruturas novas e funcionais, assumidamente contemporâneas, permitindo qualificar os espaços, causando um impacto mínimo. O precário e deteriorado estado da estrutura da cobertura do edifício adjacente não permitiu o seu aproveitamento, pelo que esta foi substituída na sua maior parte por novos elementos de madeira, mantendo-se, depois da reabilitação e restauro, a linha da cumeeira primitiva, visível no interior. As fachadas foram tratadas e reabilitadas com revestimento e acabamento a argamassa de reboco fino tradicional, de cal e areia, com coloração branca pela incorporação de pigmentos naturais de características hidrófugas. O espaço exterior do logradouro foi reformulado e requalificado com um novo pavimento e mobiliário de exterior, bem como elementos de vegetação mural e uma oliveira, simbólicamente colocada, no pátio exterior.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Encontramo-nos, assim, perante um cenário patrimonial composto por diferentes elementos. Por um lado, subsiste, solidamente, a Sala de oração da Sinagoga medieval, podendo-se identificar as poucas alterações introduzidas ao longo da sua história, nomeadamente a abertura dos vãos na fachada Norte que vão mudar a orientação da entrada no edifício. Por outro lado, sobre o restante edificado do complexo da Sinagoga, apenas restava o testemunho da ruína arqueológica na casa adjacente que, por si mesma, reflectia a absorção e transformação da malha urbana sobre o complexo da Sinagoga. O valor singular do edifício principal da Sinagoga de Tomar, que chegou aos nossos dias perfeitamente reconhecível na sua configuração original, tem a ver com o facto de não existir outro exemplar semelhante em Portugal que testemunhe o judaísmo medieval, nem que represente este modelo arquitectónico específico. Mesmo a nível da comunidade judaica internacional, é reconhecida a singularidade e importância deste monumento, símbolo de uma identidade cultural e religiosa. O carácter excepcional do conjunto, consagra-lhe, assim, um importante valor histórico-patrimonial, pelo que merece e deve ser preservado e divulgado. Por estas razões, o conjunto edificado em causa enquadra-se no âmbito dos conceitos estipulados nas cartas e convenções sobre o património, nomeadamente a “Carta de Cracóvia” (2000), sendo imprescindível observar questões relativas à gestão de património, salvaguarda da diversidade cultural, da pluralidade de valores e da memória colectiva. É através da preservação dos bens culturais construídos que se preservam também os valores comuns associados a uma identidade colectiva. A Sinagoga e Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto Hebraico, foram inaugurados a 15 de Outubro de 2019. É o 2º monumento mais visitado da cidade, e após abertura ao público aumentou exponencialmente o número de visitantes que aí ocorrem, vindos de todo o mundo. O projecto e a obra que foram levados a cabo, na Sinagoga e no Museu, traduzem o grande impacto para a cidade e região em que se inserem. Tem todas as condições de, ao ser reconhecido na sua valorização, poder ser vir a constituir-se como exemplo das boas práticas, não só da conservação e restauro de uma arquitectura única, na criação de um novo museu de temática cultural específica e como valor de inserção numa rede e roteiro alargados de judiarias Estas são algumas das azões justificadas para poder ser considerada a candidatura a PNRU.