Braamcamp 119

Comercial & Serviços

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Braamcamp 119
Localização: Rua de Anselmo Braamcamp 119, Porto
Promotor/dono de obra: Braamcamp 119 - Projetos e Investimentos SA
Arquiteto: A. da Costa Almeida
Construtor: Vilacelos
Data do fim de construção: 30/07/2018

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Braamcamp 119 - Projetos e Investimentos SA
Morada: Rua da Corticeira 34
Localidade: Mozelos, Santa Maria da Feira
Código Postal: 4535-173
Telefone: 966651220
Site: https://www.braamcamp119.pt
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

1926 – Fábrica de sapatos / 2018 – Fábrica de cloud software (Talkdesk como inquilina). A fábrica no número 119 da rua de Anselmo Braamcamp é um desses já raros exemplares do património industrial do Porto, do tempo em que as indústrias se misturavam na estrutura habitacional da cidade, fazendo parte de uma malha urbana de outrora, onde grandes fábricas requisitavam mão de obra nas populações envolventes, assim justificando o desenvolvimento urbano de toda a área oriental da cidade. Esta fábrica, projeto original do arquiteto Inácio Pereira de Sá, espelha parte da história industrial portuense. Foi construída para produzir sapatos em 1926, tendo mudado de função em meados da década de 60 aquando da aquisição pela Sociedade Nacional do Sabão, tendo assim se mantido até ao declínio desse colosso da indústria química portuguesa (detergentes) na década de 90 do século passado. No início deste milénio, foi adquirida por uma sociedade imobiliária, que no espírito da época, chegou a projetar transformar este lote em habitação coletiva. Pretensão essa absolutamente legitima, mas no nosso entender infeliz, pois seria mais um caso de apagamento da nossa história recente da cidade do Porto. É em 2018 que a Braamcamp 119 – Projetos e Investimentos S.A. adquire o lote com a ideia de conferir nova vida à fábrica, mantendo e recuperando a dignidade do edificado. Para tal, e porque já não se compreende a implementação de indústrias no ceio da cidade, reconverteremos a fábrica num edifício de rendimento de escritórios, tendo como objetivo os seguintes valores: - Reabilitar e restaurar o edificado; - Adequá-lo aos atuais padrões de conforto e eficiência para a função de escritório; - Reconvertê-la ao novo programa e às atuais exigências de utilização; - Criação de duas frações de escritórios independentes; - Libertar o logradouro como zona de lazer, permeável, ajardinada e de estacionamento de apoio; - Definir uma estratégia de intervenção formal, metodológica e programática de modo a respeitar e promover o conjunto. Respeitar as normas, regulamentos e planos que enquadram a operação urbanística. Quanto ao meu trabalho enquanto arquiteto, começou pela compreensão e potenciação de todas as qualidades espaciais, formais e estéticas que esta quase ruína escondia. Essas fantásticas características que aguardavam pela nossa atenção basicamente eram: LUZ INTERIOR. Com uma orientação perfeita, nascente – poente, bastantes aberturas a norte, os dois pisos são banhados por imensa luz. A qualidade já lá estava, a mim exigiu-se qualificá-la e controlá-la; LOGRADOURO. O enorme pátio com construções de anexos e totalmente pavimentada a betuminoso, logo me pareceu uma oportunidade para ali criar um jardim, ambiente de lazer e apoio aos escritórios, permitindo ainda incorporar estacionamento; ESTRUTURA EM BETÃO ARMADO. Edificado nos primórdios da construção em betão, esta estrutura (agora) sobredimensionada, que juntamente com a preocupação estética da época, oferece-nos uma qualidade formal e espacial não de uma fábrica, mas de um enorme salão de festas… mais uma vez, era preciso saber ver e potenciar; ESTRUTURA DA COBERTURA. Claramente muito intervencionada ao longo dos tempos, encontramo-la com uma mistura de 0betão armado, madeira, fibrocimento e policarbonato. Aqui o meu trabalho foi refazer a história e mentir bem, conferindo-lhe uma qualidade que aparenta original, mas de original somente tem a estrutura primária; FACHADA À RUA. Com desenho tipo Belas Artes, este alçado de fábrica ostenta a dignidade de outro tempo, de outras candências temporais. A mim competiu-me gostar e respeitar, qualificando os vãos, que estavam bastante adulterados, em dialética com o preexistente. Absorvidas as qualidades e vantagens existentes, havia que resolver os problemas da atualização do edificado às exigências dos escritórios modernos, assim: ENTRADA PRINCIPAL. Não havendo nenhuma entrada de carater formal, adaptei a antiga entrada de cargas da rua, aí criando um átrio, novas acessibilidades e controlo de acessos; QUALIFICAÇÃO GERAL DO EDIFÍCIO. Neste caso, por evidente inexistência, houve que criar instalações sanitárias, equipamentos de AVAC, requalificação térmica, novas redes de infraestruturas, garantir a segurança contra incêndio, criando uma saída de emergência com uma escada exterior para o jardim. Toda a intervenção arquitetónica foi guiada pelo espírito de respeito pelo edifício, pela sua linguagem, sendo que os materiais, as técnicas usadas, a estética proposta é de carater absolutamente moderno e contemporâneo, mas em evidente diálogo e continuidade com a preexistência. Para consultar o registo histórico dos usos e edificado do lote, assim como a evolução dos trabalhos na obra ver https://www.braamcamp119.pt/historia

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O que nos motiva a presentar esta obra a concurso é, para além do natural reconhecimento, a vontade de estimular a sua replica. Tendo plena consciência da oportunidade única que em boa hora conseguimos descortinar, pensamos que o seu exemplo deverá ser conhecido, estimulando outros olhos a também procurar no património industrial abandonado novas oportunidades e novas funções para além da já gasta conversão em edifícios de habitação com preservação de fachadas. Pensamos que a memória das cidades não se reduz ao património público e habitacional e que as fábricas da indústria à base de mão de obra intensiva também poderão albergar as novas e modernas atividades “fabris” à base do conhecimento e inovação. A renovação do património deverá sempre partir da renovação das vontades e funções que justificam o edificado.