Faria Palace

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Faria Palace
Localização: Praça do Príncipe Real 2, 3 e 4; Travessa do Abarracamento de Peniche 6, 7 e 8
Promotor/dono de obra: EastBanc Portugal / Príncipe Real Fundo de Reabilitação Urbana (FEII)
Arquiteto: Eduardo Souto Moura
Construtor: Alves Ribeiro
Data do fim de construção: 19/06/2019

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: EastBanc Portugal
Morada: Praça do ríncipe Real, 28 2º
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1250-186
Telefone: 213404150
Site: https://www.fariapalace.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A reabilitação do Palácio Faria focou-se em devolver ao palácio a sua dignidade original, “um palacete de boas dimensões, constituído por quatro pavimentos, sendo que a cave, do lado do Príncipe Real, corresponde ao piso térreo na fachada posterior. A ladear o edifício dois portões de ferro abrem sobre” (ref: Jorge Ferreira Paulo, Palacete D. Maria Rosa de Faria, Estudo histórico de uma casa no Príncipe Real, nº2 a 4) dois pátios. Classificado de gosto “duvidoso e já tardio de data, é bem classificável como brasileiro e nisso típico e mesmo exemplar” (ref: José Augusto França, Monte Olivete – minha aldeia, Livros Horizonte, Lisboa, 2001). Desta forma, pretendeu-se restituir ao edifício o seu valor através da reabilitação dos materiais e técnicas construtivas originais, com o incremento das exigências técnicas e regulamentares atuais, nomeadamente estruturais, acústicas, de segurança e acessibilidades, com vista a permitir o seu uso com modelos de desempenho mais elevados. Um dos focos primordiais foi a reabilitação estrutural, com a preservação dos elementos existentes, complementada com um reforço estrutural, elevando o nível de resistência ao sismo de forma a cumprir os atuais padrões de exigência. Foi executada a reabilitação de todos os elementos arquitetónicos do edifício, carpintarias de janelas, portadas, portas, rodapés e pavimentos, e o restauro das cantarias e das pinturas murais, tendo havido uma grande preocupação por parte do arquitecto para que fosse feita a recuperação ou a réplica de todos os elementos das fachadas e cobertura de modo a garantir a execução da imagem original do edifício. Foram mantidas as janelas e vidros originais, em que o isolamento térmico e sonoro foram garantidos pela introdução de uma segunda janela interior e a cobertura manteve o desenho original, incorporando estrutura metálica como parte da resistência ao sismo. Um exemplo desse aproveitamento foi o pavimento do piso mais nobre que foi removido, tratado e reaplicado, tendo sido criada caixa de ar entre pisos, para garantir uma insonorização entre apartamentos que é 63 decibéis, muito superior ao exigido. As cozinhas e casas de banho são revestidas em lioz, a pedra de Lisboa. Foram realizados moldes dos estuques originais e refeitos por uma empresa familiar que aplicou metodologia e materiais tradicionais Em termos de tipologia, optou-se por manter um único apartamento por piso para não desvirtuar a configuração original do palácio e maximizar os critérios de reabilitação.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O propósito desta candidatura é o de realçar a qualidade de reabilitação que pode ser atingida, quando se orientam os esforços de todos os intervenientes nesse propósito, neste caso num edifício icónico no coração de Lisboa, o Príncipe Real. A reabilitação do Palácio Faria foi sem dúvida uma obra única. O valor arquitetónico do edifício já era per si muito elevado e, por isso, a intervenção foi feita respeitando a morfologia e todas as características arquitetónicas do Palácio, o que aportou um investimento significativo para conseguir respeitar ao máximo os elevados critérios de reabilitação. Pelas palavras do Arquiteto Souto Moura o Palácio Faria “representa um elemento afetivo de um coletivo que é a cidade”.