Reabilitação do Palácio do Raio

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Reabilitação do Palácio do Raio
Localização: Rua do Raio, n.º 400, 4700-920 Braga
Promotor/dono de obra: Santa Casa da Misericórdia de Braga
Arquiteto: Miguel Guedes arquitetos
Construtor: Anorte - Construção e Engenharia, Lda.
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O Palácio do Raio terá sido construído entre 1752-55, por encomenda de João Duarte de Faria, poderoso comerciante de Braga, ao arquiteto bracarense André Soares, constituindo um dos mais notáveis edifícios de arquitetura civil desta cidade, em estilo barroco joanino.

Dado o elevado estado de degradação que apresentava quando o edifício foi devolvido à Santa Casa pelo Estado, em 2012, a Instituição promoveu profundas obras de reabilitação, conservação e restauro entre 2014 e 2015, co-financiadas pelo QREN, ON.2 – Programa Operacional Regional do Norte - no âmbito do Concurso PC/2/2013.

A reabilitação do Palácio do Raio teve como principais objetivos a sua recuperação, com vista a assegurar a sua conservação patrimonial, garantir a segurança de pessoas e bens e a criação de um novo espaço cultural de referência na cidade - o Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga (CIMMB) - que além de expor parte do acervo desta instituição plurissecular, pretende dar a conhecer a sua história, missão e atividade ao longo de mais de 500 anos, visando a sua integração no roteiro do património arquitetónico da cidade de Braga e do país. A exposição permanente inclui peças de arte sacra, têxtil, pintura, escultura, ourivesaria, cerâmica, bem como objetos ligados à atividade desenvolvida pela Misericórdia na área da saúde, nomeadamente do Hospital de S. Marcos e da sua Farmácia. 

Os trabalhos de intervenção mais significativos contemplaram: recuperação das fachadas, da escadaria central, do lanternim da escadaria central, dos azulejos, tetos, pavimentos e paredes, cantarias e estatuária em pedra, pintura decorativa e estuques. Todas as intervenções foram acompanhadas por um Projeto de Intervenção de Conservação e Restauro e supervisionadas pela Direção Regional de Cultura do Norte. As intervenções foram realizadas de forma a restaurar, reabilitar e repor o programa formal e decorativo dos bens artísticos do espaço.

A estratégia concetual de arquitetura propôs-se devolver as características morfológicas, espaciais e artísticas ao edifício. Para isso foram recuperados e conservados os elementos construtivos que resistiram ainda às sucessivas intervenções no edificado, sendo que nos restantes elementos foram utilizadas soluções construtivas atuais, sempre respeitando o espírito do projeto original.

Com vista à melhoria das condições de circulação e qualificação dos espaços urbanos que envolvem o edifício e tendo em conta a valorização de todo o complexo para os seus visitantes, executaram-se obras de beneficiação dos espaços exteriores. Esta intervenção teve como objeto trabalhos de demolições de anexos envolventes, criação de espaços urbanos e arranjo paisagístico, de forma a realçar toda a arquitetura exterior deste emblemático edifico do barroco em Braga e nacional.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Com uma arquitetura típica do barroco joanino, o Palácio do Raio apresenta uma decoração de estilo rococó, tendo sofrido algumas alterações artísticas na segunda metade do século XIX, sob a iniciativa de Miguel José Raio, que imortalizou o seu nome no palacete. Datam desta altura os característicos azulejos azuis da fachada principal, bem como a sua balaustrada. Salientam-se ainda os painéis azulejares da escadaria principal, azuis e brancos, rematados por irrequietas cercaduras e concheados rocaille, que encerram cenas da vida de lazer de nobres, e a pintura mural dos tetos, muito característica do decorativismo da segunda metade do séc. XIX.

A partir de 1884, depois do palacete ter sido adquirido pela Misericórdia de Braga, foi anexado ao Hospital de S. Marcos, gerido pela mesma Instituição desde 1559 e mantendo-se sob a sua tutela até 1974, quando foi nacionalizado. Com a construção de um novo hospital na região das Sete Fontes, e após mais de um século reservado a funções de assistência hospitalar, o edifício foi oficialmente devolvido à Misericórdia de Braga em 2012, em estado de degradação avançado. Necessitando de uma intervenção urgente, a Instituição apresentou uma candidatura para a sua requalificação e conservação dentro do QREN, ON.2, que foi aprovada. Uma intervenção em que a Misericórdia de Braga aliou a recuperação do património arquitetónico à preservação do património cultural, não só da instituição, mas também da cidade.

A fachada principal e a escadaria interior do edifício foram classificados como Imóveis de Interesse Público em 1956 e em 2011, pela portaria 589/2011, foi confirmada a Zona Especial de Proteção do Palácio do Raio.

Encontra-se ainda inserido no Museu Virtual "À Descoberta da Arte Barroca" desde 2011.

Com a reabilitação do Palácio do Raio e a instalação no edifício do Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga, a Instituição propôs-se devolver um edifício emblemático da cidade aos bracarenses e demais visitantes. A requalificação do edifício trata-se pois de uma intervenção de referência a nível regional e nacional nas áreas museológica e cultural, tendo impacto na atividade turística e do comércio da região. Assume-se como uma mais-valia no desenvolvimento da cidade e da sociedade nas suas múltiplas vertentes e no enriquecimento pessoal da comunidade. 

A reabilitação do edifício e a sua abertura ao público permitirá dar vida a uma zona do centro da cidade que sofre com a deslocalização do hospital e onde circulavam cerca de 5000 pessoas diariamente, permitindo que este espaço icónico possa ser usufruído pelos bracarenses e ser visitado pelos turistas que passam pela cidade.

Imóvel de incontornável interesse artístico do barroco, este espaço assume-se como um novo pólo para dinamizar a cidade, ajudando também a criar a consciência de uma memória institucional e coletiva e a olhar para o irrenunciável valor do património.