Hotel Tipografia do Conto

Cidade do Porto

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Hotel Tipografia do Conto
Localização: Rua Álvares Cabral, 26-32
Promotor/dono de obra: Casa do Conto, LDA
Arquiteto: Nuno Grande e Guiomar Rosa
Construtor: Pedra Líquida, LDA
Data do fim de construção: 15/04/2019

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Pedra Líquida, LDA
Morada: Rua Álvares Cabral, 22
Localidade: Porto
Código Postal: 4050-040
Telefone: 222011177
Site: https://pedraliquida.com/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

HOTEL TIPOGRAFIA DO CONTO: PARA A MEMÓRIA DA RUA ÁLVARES CABRAL NO PORTO O Hotel Tipografia do Conto - projetado e edificado pelo Atelier Pedra Líquida, e promovido pela Casa do Conto, LDA - integra um conjunto arquitetónico preexistente, formado por dois edifícios semelhantes, em estilo Deco, construídos em 1919. Esses edifícios, de matriz oficinal, implantam-se em dois lotes característicos da Rua Álvares Cabral, artéria portuense aberta na transição para o século XX, caracterizada por frentes estreitas, longos espaços interiores, e atraentes jardins traseiros, ocultos da rua. Durante anos, os dois edifícios albergaram a Oficina Tipográfica “Gráficos Reunidos”, atividade que entrou em falência em 2014, provocando a rápida degradação do conjunto. Em 2016, deu-se início à reabilitação desses edifícios para novas atividades, na área dos serviços, com destaque para o Hotel Tipografia do Conto, inaugurado em 2019. Um século depois, um novo programa confere agora alento a uma rua e a uma cidade que viu desaparecer muitas das suas atividades tradicionais. Como o seu nome indica, o Hotel Tipografia do Conto guarda algumas memórias dessa ocupação anterior: as fachadas principais, o open-space térreo, outrora repleto por máquinas rotativas em permanente labor, algumas chapas de impressão, e os belos contadores em madeira onde se guardavam letras metálicas do alfabeto para composição tipográfica. No entanto, e devido à degradação dos sistemas construtivos preexistentes, o novo projeto assume a sua contemporaneidade, optando por novas materialidades e texturas, em articulação com as alvenarias preexistentes, como as do betão aparente, na composição das lajes, caixas de escada, piso recuado da fachada frontal e fachada traseira. Nos diferentes quartos, essa materialidade convive com a delicadeza de pequenos “gabinetes” em madeira e vidro espelhado que contêm as casas de banho. Da tipologia oficinal anterior, retoma-se um pátio de iluminação/ventilação central, no edifício esquerdo - onde se implantam a receção e os quartos do Hotel -; mas também a amplitude do piso térreo no edifício direito - onde se localiza o Café Cultural de apoio ao conjunto. Essa evocação prolonga-se ainda no desenho das novas fachadas voltadas ao pátio do Hotel - uma composição em estrutura de madeira de Riga, reaproveitada das traves da antiga tipografia, complementada por panos laterais em azulejo manufaturado; e, por fim, nos recobrimentos decorativos dos tetos, formados por dez textos em baixo relevo - com letras recortadas no betão aparente, conjugadas com cortantes metálicos latonados -, os quais aludem à ideia de impressão e de edição. Esses dez textos são da autoria, respetivamente, de Álvaro Domingues, André Tavares, Diogo Seixas Lopes, Jan Middendorp, Jorge Figueira, Nuno Grande, Pedro Bandeira, R2 Designers, Silvia Sfligiotti e Vanina Pinter. O Hotel Tipografia do Conto contém espaços que articulam o turismo residencial com a realização de eventos culturais, nas áreas das artes visuais e performativas, e da edição de livros, envolvendo, sempre que possível, os autores e os residentes. Possui dez alojamentos, repartidos por duas alas, e um extenso piso térreo, com áreas polivalentes, complementadas pelo pátio central e pelo jardim traseiro, no qual se implanta um tanque de natação aproveitando elementos em alvenaria preexistentes. O Café Cultural, de apoio aos residentes do Hotel, serve ainda de lugar para exposições, colóquios, workshops e concertos musicais. O seu pavimento em betonilha de cimento relembra a anterior utilização industrial. A parede da entrada e o balcão de atendimento são revestidos a painéis de azulejo manufaturado, enq uanto que a zona de mesas e o espaço de concertos aproveitam diversas portadas em madeira recicladas e transformadas em estantes para livros – de novo retomando a memória da impressão e da edição tipográfica. O Hotel Tipografia do Conto possui uma oferta original e distinta daquela que caracteriza o alojamento turístico corrente na cidade, induzindo à descoberta da sua memória industrial num quarteirão único do seu tecido urbano. Aqui, a renovação arquitetónica contribui positivamente para a reabilitação da vida urbana de uma notável rua do Porto.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

HOTEL TIPOGRAFIA DO CONTO: UMA REABILITAÇÃO QUE APORTA DINAMISMO URBANO Com esta candidatura, deseja-se sublinhar a importância da renovação estrutural e funcional dos edifícios de matriz industrial/oficinal, na reabilitação de um quarteirão urbano. Ainda que a intervenção se confine a dois lotes da Rua Álvares Cabral, no Porto, ela representa um exemplo conceptual e metodológico para intervenções congéneres. O projeto respeita a matriz do loteamento, mantendo as paredes meeiras entre parcelas, e diferenciando as intervenções em cada edifício. No edifício do Hotel Tipografia do Conto, parte-se de uma estrutura degradada, a qual é reestruturada à custa da introdução de novos sistemas construtivos em betão, ainda que articulados com materiais presentes na memória da cidade e do lugar: vigamentos em madeira de Riga reaproveitados, azulejos manufaturados, elementos em ferro latonado; no edifício do Café Cultural, de apoio ao Hotel, mantêm-se os sistemas construtivos preexistentes, introduzindo outros elementos também eles relacionados com essa memória: azulejos manufaturados, portadas recicladas, mobília histórica. A renovação funcional é também decisiva neste processo: ao criar um programa hoteleiro, que se abre a outros usos coletivos – atividades lúdicas e culturais –, este projeto dá a conhecer os vestígios da antiga Oficina Tipográfica “Gráficos Reunidos”, que ali se localizava, mas também uma sucessão de pátios interiores e jardins ocultos da rua. Desde a sua recente abertura, o Hotel Tipografia do Conto já dinamizou diversos eventos, atraindo não apenas os seus hóspedes residentes, mas também cidadãos e visitantes do Porto. Essa dinâmica cria sinergias culturais, sociais e económicas no bairro formado pelas ruas de Álvares Cabral e de Cedofeita. O projeto induz um processo de gentrificação sustentável, aportando dinamismo a esse bairro, cruzando culturas e geografias locais e globais. Acreditamos, por isso, que constitui um exemplo interessante de aproveitamento de uma matriz preexistente, para nela fazer nascer novas aptidões. A isso também se chama “reabilitação urbana”.