Salão Nobre do Palácio da Pena

Restauro

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Salão Nobre do Palácio da Pena
Localização: Palácio Nacional da Pena, Sintra
Promotor/dono de obra: Parques de Sintra – Monte da Lua, S.A.
Arquiteto: Equipa Técnica da Parques de Sintra – Monte da Lua, S.A.
Construtor: vários
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Entre 2011 e 2014 decorreu o restauro integral do Salão Nobre do Palácio da Pena, envolvendo a arquitetura, as artes decorativas, o mobiliário, as peças artísticas, assim como a reabilitação e modernização de infraestruturas. O Salão Nobre, o compartimento de maiores dimensões do Palácio da Pena, edificado pelo rei-consorte de Portugal D. Fernando II, foi originalmente uma sala de bilhar. O acervo inclui sofás de espaldar alto e espelhos, cadeiras, poltronas, mesas de jogos, um lustre central com 72 velas e 4 candeeiros a petróleo, 4 candelabros suportados por “turcos”, um conjunto de porcelana asiática e vitrais em três das 10 janelas, que lembra o ambiente de um clube aristocrático.
A intervenção desenvolvida nos revestimentos de paredes e tetos por estuques lisos e relevados, e massas pigmentadas, envolveu a reposição de placas e elementos em estuque degradado por infiltrações e a reintegração cromática final, respeitando sempre as técnicas e materiais originais.
O soalho de suporte e o parquet decorativo foram levantados, estabilizados e reparados. Nas portas de passagem foram removidos os inúmeros repintes detetados, restaurando a pintura decorativa que sob eles permanecia.
Em paralelo ao restauro do mobiliário, decorreram trabalhos de conservação e restauro dos restantes objetos de decoração, como as porcelanas asiáticas. O mobiliário voltou a ser colocado como tinha sido pensado por D. Fernando II. A intervenção nas luminárias obrigou à completa desmontagem e apeamento das peças, à sua limpeza, estabilização, proteção e iluminação com lâmpadas LED, que simulam a cor e intensidade de velas e da iluminação a petróleo. Os vitrais foram desmontados para restauro e recuperação das janelas, sendo posteriormente remontados nos locais originais.
A reabilitação de infraestruturas, uma parte muito relevante mas menos visível das intervenções, consistiu na completa substituição das instalações existentes. Foram passadas novas alimentações em esteiras sob o pavimento e as tomadas saíram das paredes para caixas de chão. A iluminação foi projetada com base na tecnologia LED. Foram introduzidas tomadas de rede nas caixas de chão e removidos todos os fios à vista. A deteção de incêndios é feita por aspiração para evitar as tradicionais caixas no teto.
A ventilação natural foi melhorada através de grelhas na cobertura e ventiladores simples. Todos os trabalhos foram executados em coordenação com os de restauro para salvaguarda dos revestimentos históricos.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O restauro integral do Salão Nobre do Palácio da Pena foi metodologicamente inovador em relação a outros restauros congéneres, foi eficiente na combinação de intervenções em diversas frentes e poderá ser um exemplo para futuras intervenções em espaços históricos, musealizados e abertos ao público. Como restauro integral ajustou-se particularmente bem a um compartimento cuja criação foi também integral nas suas diversas vertentes arquitectónica, de mobiliário e decorativa, concebido como uma “Obra de Arte Total”.
A preparação dos trabalhos envolveu uma cuidadosa investigação, que combinou as ciências humanas (História e História da Arte) com as ciências exatas. Através dos inventários e fotografias da época, foi possível identificar os objetos que se encontravam no Salão Nobre no tempo de D. Fernando II e localizá-los no acervo do Palácio. Análises laboratoriais permitiram a correta identificação dos materiais de todos os objetos, mas também das técnicas de restauro adequadas. Este trabalho foi realizado em cooperação com o Laboratório José de Figueiredo, Lisboa, o Centro Hércules da Universidade de Évora, o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro de Alcanena e o Centro de Investigação Vicarte da Universidade Nova de Lisboa.
Foi assim possível identificar a madeira do mobiliário do Salão Nobre (nogueira), a liga metálica das luminárias (liga de composição média de 75% cobre e 25% e zinco, e camada superficial de ouro aplicado a eletrólise), e o couro original dos estofos do mobiliário (pele de cabra com pigmentos naturais).
A equipa multidisciplinar da Parques de Sintra desenvolveu, coordenou e acompanhou os vários projetos que integraram os resultados da investigação e os estudos encomendados para diversas especialidades. O restauro decorreu sem ter sido necessário fechar o Palácio. O acompanhamento dos trabalhos de restauro por parte dos visitantes aumentou o interesse da visita e o envolvimento do público com o património, o que se revelou uma mais-valia e não uma desvantagem.
O Restauro Integral do Salão Nobre do Palácio da Pena permitiu recuperar e conservar um património anteriormente degradado e em risco de perda, e também dotar o Salão Nobre de infraestruturas que alargam a sua possibilidade de utilização. Agora, para além da apreciação histórico-artística dos muitos visitantes que diariamente acorrem ao Palácio da Pena (cerca de 889.000 visitantes em 2014), alargou-se o espetro de utilização cultural deste compartimento para concertos e palestras, possibilitando-se um ainda maior envolvimento social e comunitário do público com o mais apetecível monumento com coleção museológica do país.