Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota
Localização: Porto
Promotor/dono de obra: Círculo de Cristal, S.A.
Arquiteto: Rosário Rodrigues de Almeida; Nelson Almeida; Luís Almeida
Construtor: Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, S.A.
Data do fim de construção: 11/10/2019

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Ferreira de Almeida, Aquitectos Lda
Morada: Rua do Campo Alegre 298, 3º Esq.
Localidade: Porto
Código Postal: 4150-169
Telefone: 225519051
Site: https://www.fa-arquitectos.pt
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A presente intervenção teve como objetivo a reabilitação de um dos edifícios mais emblemáticos de arquitectura, de história e memória da cidade do Porto: o Palácio de Cristal / Pavilhão Rosa Mota. O envelhecimento do Pavilhão Rosa Mota e o seu progressivo abandono, por falta de condições para a realização de qualquer evento, foi transformando um dos locais mais bonitos da cidade numa imagem decrépita e triste. Ainda assim, era evidente a qualidade dos materiais, da construção e do desenho nas soluções adoptadas no passado. Daqui resultou a decisão de recuperar e preservar a versão original na medida do tecnicamente possível, do economicamente razoável e do legalmente adequado. Não existindo dúvidas de maior quanto à abordagem do “objeto” arquitetónico na Cidade, ou seja, o seu exterior, coube ao interior operar o “milagre” de transformar este edifício em algo que resolvesse os problemas das últimas décadas e desse resposta aos desafios futuros. Foram solucionados os problemas existentes de infiltrações na cobertura, reparados os óculos / clarabóias e reparada a escada da cobertura que percorre a cúpula pelo exterior, resultando a possibilidade de se tornar numa atração turística a subida ao topo do edifício para desfrutar de uma vista de 360º sobre a cidade. Toda a caixilharia foi substituída, devolvendo-lhe uma imagem contemporânea através dos grandes vãos de vidro, fazendo justiça ao seu nome popularmente herdado de “Palácio de Cristal”. No seu interior, a maior intervenção estrutural aconteceu ao nível da cave de menor dimensão, que anteriormente estava ocupada com grandes áreas de arrumos, sanitários e balneários e um restaurante desativado. O objetivo de dotar este espaço da maior versatilidade implicou criar novos espaços vocacionados para outro tipo de eventos. Assim foi criado um Centro de Congressos, composto por um Auditório e 4 salas polivalentes que se podem unir ou subdividir, organizando-se em torno de um grande foyer em semi-circulo, o qual pode ser utilizado como espaço de apoio, como espaço de exposição ou ainda para um evento isolado. A construção deste Auditório implicou um grande reforço estrutural, para além de uma escavação muito difícil, em rocha, para se conseguir o pé-direito necessário no auditório. Manteve-se o restaurante voltado para o lago, com outra configuração, e com funcionamento autónomo. As 4 entradas principais no edifício são mantidas, estando distribuídas de forma equilibrada na geometria do edifício. No seguimento destas desenvolvem-se as escadarias de acesso aos pisos superiores. Neste anel de circulação, junto à entrada principal, situam-se espaços comerciais que têm um funcionamento diário e dão apoio ao staff permanente e ao público que visita os jardins do Palácio de Cristal. No piso Zero, localiza-se a Arena ou campo de jogos, foram instaladas bancadas retracteis que garantem múltiplos cenários de utilização. Por cima da arena foi colocada uma “grid” para suporte de todo o equipamento de luz e som necessário para os espetáculos e no topo da cúpula uma concha acústica que garante um sistema acústico de qualidade. Foram criadas duas bilheteiras que possibilitam o atendimento pelo exterior, mas também pelo interior do edifício, tendo assim uma dupla função de bilheteira e balcão de informações. No piso 1 pode aceder-se ao primeiro nível da bancada fixa e à parte superior das bancadas retracteis, através de 6 entradas, às quais se acrescenta o elevador. Atrás da zona de palco localiza-se ainda a área destinada aos serviços administrativos. Neste piso juntou-se no mesmo local todo o programa de sanitários públicos com equilíbrio de distâncias a percorrer pelos espectadores. Foram ainda criados sanitários para pessoas com mobilidade reduzida dado que podem aceder a este piso pelo elevador. Quase todo o anel do piso 2 é ocupado com camarotes e em todos eles é possível criar lugares para pessoas com mobilidade condicionada. O acesso a este piso faz-se através das 6 escadas existentes e o acesso para pessoas com mobilidade reduzida é garantida através do elevador. Existem ainda dois conjuntos de sanitários públicos, para homens, senhoras e pessoas com mobilidade reduzida, e alguns espaços técnicos e de arrumos. No piso 3 existe um anel de bancadas cujo acesso é feito através das escadas existentes que partem do nível dos camarotes, mantendo-se o acesso de serviço e de pessoas com mobilidade reduzida através do elevador. Neste piso foi criada uma área de lounge. Os óculos existentes na cobertura foram mantidos e reparados tendo sido aplicado pelo interior uma chapa que garante o controle total da luz para os espectáculos que o exigem. A cobertura, revestida por telas forradas a película de cobre apresentava falhas e muitas reparações pontuais feitas ao longo do tempo; em virtude de já não existir o mesmo material que garantisse uma imagem uniforme, esta foi reabilitada com um sistema de tratamento de impermeabilização garantindo a homogeneidade da cor.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A intervenção que se levou a cabo neste emblemático Palácio de Cristal / Pavilhão Rosa Mota foi norteada pela necessidade de criar condições para a realização de eventos representativos e mobilizadores para todos os públicos; pela necessidade de o tornar apto a receber uma variada gama de eventos, que por falta de lotação ou meios técnicos sempre foram encaminhados para outros espaços e para outras cidades; e pela importância de recuperar a sua referência na cidade e impor-se como escolha inequívoca e privilegiada dos atores económicos que procuram soluções para os seus eventos. Nesta reabilitação urbana foram adoptados novos padrões de conforto, de acessibilidades e de segurança, bem como uma acústica pensada para a variedade de eventos que o Palácio de Cristal, hoje Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota, assumirá naturalmente no circuito dos principais eventos do Porto. A abordagem na sua reabilitação teve em consideração precisamente que este espaço será tanto mais atrativo para os atores económicos e sociais quantas mais funcionalidades for capaz de oferecer, potenciando o conforto, a qualidade e o sucesso dos eventos aí realizados. O Projeto de Arquitetura agora construído, representa conjuntamente com as soluções tecnológicas desenvolvidas e apresentadas pelos diferentes consultores, uma resposta eficaz face aos desafios propostos de intervenção, dotando o edifício das condições técnicas e estruturais que permitam transformar este no Pavilhão num moderno e versátil equipamento, devolvendo-o à Cidade do Porto como mais um dos seus argumentos de modernidade, notoriedade e cosmopolitismo que esta atravessa e que se deseja ver reforçado. Em suma, a combinação das características da cidade do Porto, do espaço reabilitado, do planeamento feito para a sua reestruturação bem como da equipa de gestão envolvida no desenvolvimento deste projeto fizeram antever o renascimento de um espaço moderno e funcional que se manteve fiel às suas características arquitectónicas originais. Pode agora afirmar-se que o Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota reune todas as características basilares necessárias para assumir um papel determinante na história contemporânea dos eventos da Cidade e do Norte do país, e foi a sua requalificação que reforçou esse cariz.