Sítio do fado na Casa da Severa

Cidade de Lisboa

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Sítio do fado na Casa da Severa
Localização: Largo da Severa, 2-2B, Mouraria, Lisboa
Promotor/dono de obra: Câmara Municipal de Lisboa
Arquiteto: José Adrião arquiteto, lda
Construtor: ARADA-Engenharia e Gestão de Empreitadas, Lda e Manindústria
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Transformação de um edifício de habitação municipal, situado no Largo da Severa, antiga Rua do Capelão, no bairro histórico da Mouraria, em Lisboa, num equipamento cultural e de lazer designado Sítio do Fado na Casa da Severa, com projecto do Arq. José Adrião. Este equipamento apresenta-se como um novo polo do Museu do Fado, sediado não muito longe, em Alfama. Pretende, desde o início, incluir um café/auditório, para atividades de valorização e divulgação do fado, sobretudo numa altura em que este era ainda candidato à lista de património imaterial da Humanidade, da UNESCO, lista que veio a integrar em novembro de 2011.
O edifício original, com três pisos mais sótão e o total de seis fracções e que, ao longo dos tempos, fora objecto de intervenções que o descaracterizaram, apresentava diferentes problemas estruturais e escassas condições de habitabilidade, nomeadamente exíguas áreas e deficientes cozinhas e instalações sanitárias. O interior não revelava interesse tipológico, morfológico ou patrimonial. Não apresentava uma medida de pé-direito regulamentar, nem mesmo para o programa habitacional.
De modo a adaptar o espaço existente ao novo programa público, os autores do projecto de arquitectura optaram por demolir completamente o interior do edifício (hipótese admitida pelo dono de obra) e preservar o seu exterior mantendo a sua forte identidade urbana.
O acesso ao café/auditório - espaço principal do equipamento - faz-se diretamente a partir do espaço público através de uma escadaria, que funciona, simultaneamente, como zona de estar exterior do equipamento. O largo pode tornar-se num grande anfiteatro ao ar livre sendo as escadarias da Casa da Severa o palco. Foram recuperados os vãos existentes nas paredes exteriores do edifício e foram abertos novos de modo a dotar os espaços interiores de luz natural. Um elevador permite o acesso a pessoas com a mobilidade reduzida a todas as zonas públicas do equipamento.
A sala principal tira partido da máxima altura interior disponível, atingindo um pé-direito de 7,50 metros. Uma das paredes da sala funciona como superfície para projeção de vídeos.
No piso térreo estão situadas todas as zonas técnicas do programa, tais como cozinha, instalações sanitárias e arrumos.
Para realizar a operação, a Câmara Municipal de Lisboa procedeu ao realojamento de todos os agregados familiares que à data da obra ainda residiam no edifício.
 

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A intervenção realizada neste edifício, designada Sítio do Fado na Casa da Severa, foi conjugada com as restantes que integraram o programa de acção Mouraria: as cidades dentro da cidade, que mereceu financiamento FEDER através do QREN.
Dentre um vasto conjunto de operações é de destacar a oportunidade de realizar, em simultâneo, a transformação da casa onde viveu a fadista Severa em equipamento cultural e de lazer com actividades ligadas ao fado com a requalificação do espaço público envolvente. Esta intervenção simultânea permitiu a recriação de espaço público de bairro, local de atravessamento e onde as pessoas se encontram.
Por um lado, a intervenção no edifício habitacional, que reformulou completamente o espaço interior para adaptação às novas funções, e criou um novo diálogo com o espaço exterior, ao desenhar uma escadaria de acesso que se ajustou ao plano de fachada até então cego, correspondente provavelmente a uma demolição.
Por outro lado, criou um espaço público requalificado, com a regularização do estacionamento, a melhoria de acessibilidade e a instalação de mobiliário urbano. Sobretudo trouxe para o usufruto da cidade um largo até então abandonado.
O sucesso desta intervenção é incontornável. O Sítio do Fado na Casa da Severa tem uma grande afluência de público desde o dia da sua inauguração, em julho de 2013. Veio ocupar um espaço vazio, ao constituir-se como o braço no terreno que faltava ao Museu do Fado.
Envolvido por um espaço público de qualidade, o Sítio do Fado e o espaço público passaram a integrar as rotas dos cidadãos e de turistas que visitam a cidade. Um dos sinais da sua adequação é a apropriação que a população rapidamente fez dele, ao apoderar-se do mobiliário instalado para os momentos de ócio e de tertúlia.