Palácio dos Condes de Murça

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Palácio dos Condes de Murça
Localização: Rua de Santos-o-Velho, 94-118, 1200-813 Lisboa; Rua S. João da Mata 1, 1A a 1E, 3, 3A a 3C, 1200-846 Lisboa
Promotor/dono de obra: NB Reconversão Urbana II - Fundo de Investimento Imobiliário Fechado e Lisbon Urban - Fundo Especial de Inv. Imob. Fechado
Arquiteto: Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina
Construtor: Alves Ribeiro, S.A.
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
Morada:
Localidade:
Código Postal:
Telefone: 911111111
Site:
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O projeto, promoção levada a cabo pela GNB - Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A. e pela Coporgest - Companhia de Gestão e Desenvolvimento Imobiliário, S.A., refere-se a um conjunto de edifícios de habitação coletiva, situado em Santos-o-Velho, em Lisboa, integrado num gaveto com a Rua de Santos-o-Velho e Rua S. João da Mata, num lote com 3.612m² de área.
A intervenção, da autoria dos Arquitetos Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina, compreendeu a recuperação do Palácio dos Condes de Murça e a requalificação do respetivo logradouro, que foi sendo ocupado por diversas construções precárias e casuísticas, que desvirtuaram o Palácio.
Considerado um edifício de interesse público, o palácio integra o Inventário Municipal do Património e está incluído numa Zona Especial de Proteção com tutela do IGESPAR. Está integrado no Núcleo Histórico da Madragoa (RPUNHM): o palácio na zona quinhentista e a capela, pátio e quintal na zona de tecido urbano pós-terramoto.
De acordo com PDM de Lisboa, insere-se na área histórica habitacional, num núcleo de interesse histórico, cujas frentes de rua que se caracterizam predominantemente por construções de quatro e cinco pisos.
A abordagem de projeto reflete a enorme diferença da natureza das construções existentes, bem como os seus distintos valores históricos e patrimoniais. Estabeleceram-se assim, dois tipos de intervenção: a recuperação, que abrange os edifícios originais do palácio e da capela, e a construção nova, que substituiu o demais edificado e se adoçou ao limite do terreno para libertar área para o jardim.
O palácio, com 3 pisos, foi recuperado com vista a ser-lhe devolvido o seu desenho original, no que se refere às fachadas e coberturas. No interior foi preservada a sua estrutura e paredes mestras, com as devidas adaptações ao uso habitacional, de modo a obter apartamentos de qualidade e elevado nível de conforto.
O piso térreo, cuja fachada recuperou o seu desenho original, no que diz respeito à modulação e a métrica de vãos verticais, foi destinado a frações comerciais, com acesso direto pela rua.
Os 5 apartamentos, situados nos pisos superiores, são tipologias do T3 a T6. Um dos fogos organizado em diferentes pisos, além de aproveitar parte da traseira do piso térreo e contactar diretamente com o jardim, e faz uso da antiga capela, onde foram localizadas as zonas sociais da casa. A distribuição e acesso aos fogos são realizados pelo pátio/claustro exterior e respetivas galerias, que se acede através de um portão situado na fachada principal. Foi previsto um acesso subterrâneo, de acesso direto ao estacionamento localizado, nas caves do edifício novo.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O Palácio dos Condes de Murça, como é hoje conhecido, é um edifício cuja origem remonta ao séc. XVII, sendo contemporâneo da construção da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios dos Carmelitas Descalços. Os dois edifícios ligavam-se entre si através de uma das capelas laterais da nave. Com a extinção das ordens religiosas o acesso à capela foi emparedado, passando a fazer parte do palácio.
Nos finais do século XIX, o palácio já não era utilizado como habitação familiar, estando o piso 0 totalmente ocupado por estabelecimentos, que desvirtuaram a fachada pelo acrescento de portas e montras.
No início do século XX, o edifício estava totalmente transformado no seu interior e apenas preservava o pátio exterior, de influência seriliana e uma escada de acesso ao piso 1 em pedra.
Em 1914 o edifício foi ocupado por uma escola, que adaptou o espaço a um estabelecimento escolar. É nesta fase que surgem os primeiros edifícios que ocupavam o logradouro.
Na fase de arranque do projeto, o espaço exterior encontrava-se muito desvirtuado, não só pelo caráter das construções posteriores ao palácio, como também pelo seu estado de precariedade e pela presença generalizada de vegetação infestante.
Tratando-se de um imóvel com interesse público, foi intenção do promotor, devolver a dignidade deste edifício à cidade (entaipado desde os anos 80/90), tirando partido não só da sua localização privilegiada, mas também do logradouro que possibilitou a criação de um grande jardim para usufruto dos habitantes.
A intervenção viabilizou o retorno ao desenho original da fachada, tendo sido recuperada a composição seiscentista do alçado e devolvendo ao portal principal o devido protagonismo.
A recuperação do edifício pautou-se por um espírito de reaproximação ao original, cujo caráter palaciano, de grande escala e pureza arquitetónica, foram sendo desvalorizados pelas sucessivas ocupações e adaptações. Foram mantidos e sublinhados todos os elementos originais, de relevância estrutural, funcional e em alguns casos ornamentais, como os tetos de masseira e vãos com desenho de caixilharia que remete à época de origem. Assim, a mudança de tipologia residencial foi feita de forma criteriosa, salvaguardando a estrutura espacial e construtiva do edifício e do pátio.
A recuperação da capela, que estava em estado de ruína, baseou-se na libertação deste volume das adições menos nobres que o envolviam, devolvendo-lhe a escala e proporção que lhe conferem interesse como peça em si mesma. A sua presença no confinamento geométrico do pátio exterior, atribuem-lhe o valor de imagem de memória do lugar.