Remodelação do Edifício Sede do Banco de Portugal

Restauro

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Remodelação do Edifício Sede do Banco de Portugal
Localização: Lisboa
Promotor/dono de obra: Banco de Portugal
Arquiteto: Gonçalo Sousa Byrne e João Pedro Falcão de Campos
Construtor: HCI Construções, S.A.
Data do fim de construção: 01/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa:
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Telefone: 911111111
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APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O projeto inspira-se na presença arquitetónica e urbanística da admirável 'fábrica' Pombalina, que constitui provavelmente o mais notável exemplo europeu da cidade do iluminismo e indiscutivelmente um dos momentos mais altos da nossa cultura, destacando: o conceito do edifício-quarteirão que integrando a igreja de S. Julião, não compromete a sua presença unitária; a importância da cenografia facial das fachadas e respetiva hierarquia; e a relevância da presença do saguão longitudinal no funcionamento e articulação de todo conjunto. A abertura à cidade do edifício, salvaguardando as questões de privacidade e de segurança inerentes ao funcionamento da instituição, esteve na base do projeto de arquitetura. O prolongamento do espaço público, Praças do Município e de S. Julião, e das suas características vivênciais de luz, permeabilidade e materialidade, para o interior do quarteirão Pombalino, através da sequência espacial da entrada da igreja, nártex, nave, altar-mor e ligação axial ao saguão, permite estruturar e ordenar a utilização de todo o edifício. As circulações verticais, elevadores e escadas, adoçam-se a este eixo longitudinal principal. Como se esperava, e na sequência das sondagens prévias, a arqueologia assumiu um papel primordial ao longo de toda a intervenção. Dos diversos achados destacam-se a muralha de D. Dinis, património nacional, que se integrará no futuro percurso museológico; a primitiva cabeceira do altar-mor que valorizou o conjunto em que se insere; a existência de uma necrópole na zona da antiga igreja; a estacaria e respetiva grelha pombalinas; e fragmentos cerâmicos que abrangem um espectro que tem como limite inferior o séc.I d.C.. Para delimitar e corrigir acusticamente os espaços da igreja e do museu concebeu-se um conjunto de cortinas e panos em seda pura, dourada e prateada. A artista plástica Fernanda Fragateiro foi convidada a participar na sua conceção e executou uma cuidadosa pintura manual que reproduz os manuscritos originais do Livro do Desassossego, escrito por Bernardo Soares, um heterónimo de Fernando Pessoa. O seu contributo traz ao espaço arquitetónico algo precioso, subtil e delicado que ativa a interação com o espectador. A utilização da seda e os respetivos escritos introduzem no espaço uma materialidade que irradia luz, calor e leveza, em contraste com a opacidade, o peso e o frio da pedra. O projeto procurou uma visão unitária de toda a intervenção, um desejo de continuidade e de complementaridade, em que o antigo e o contemporâneo, o original e a reparação, o restauro e a intervenção proposta se incorporam numa nova singularidade que responde às necessidades de utilidade e de beleza.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A remodelação do Edifício Sede do Banco de Portugal procura contribuir para o reforço da centralidade política, institucional, representativa e cultural da cidade de Lisboa, na Baixa Pombalina, no respeito pelo património, memória e identidade, como estímulos à transformação, criatividade e inovação. O projeto parte da intenção clara de revelar e disponibilizar os magníficos espaços da antiga igreja e a sua ligação ao saguão do quarteirão. As notáveis proporções desta sequência de espaços vazios, como uma praça e um arruamento urbanos, constituem a espinha dorsal de todo o edifício. A espacialidade da igreja, em todo o seu esplendor, proporciona excelentes condições para atividades representativas e culturais. A igreja funcionará como espaço de acolhimento e como espaço cultural polivalente, a grande sala de visitas do Edifício Sede do Banco de Portugal. É intenção do Banco de Portugal instalar o Museu do Dinheiro no espaço envolvente à nave central da igreja. Reforçando a ideia de abertura à cidade, o museu procurará comunicar com a comunidade promovendo a literacia financeira e económica. Para além destes propósitos o projeto foi encarado como um processo de conhecimento e de clarificação sucessiva das funções programáticas, dos acessos e das soluções técnicas adequadas, que resulta de um constante diálogo com o dono de obra, as entidades licenciadoras e as especialidades envolvidas: estruturas, instalações especiais, arqueologia, restauro, museografia, artes plásticas, respeitando a própria história do edifício.