Sede e Centro de Logística da Cooperativa de Farmácias Plural

Comercial & Serviços

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Sede e Centro de Logística da Cooperativa de Farmácias Plural
Localização: Rua Manuel Madeira, n.º35 3025-047 Coimbra
Promotor/dono de obra: Cooperativa Farmacêutica Plural, C.R.L.
Arquiteto: Alexandre Saraiva Dias, Maria Amália Freitas
Construtor: Scoprolumba - Sociedade de Construções e Projectos, SA
Data do fim de construção: 26/05/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Orange Arquitectura e Gestão de Projecto, Lda
Morada: Rua de Moçambique, n.º173
Localidade: Coimbra
Código Postal: 3030-062 Coimbra
Telefone: 239701423
Site: http://www.orangearquitectura.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A presente intervenção propõe a adaptação da antiga Fábrica Topázio às Novas Instalações da Cooperativa Farmacêutica Plural. A localização da antiga Fábrica Topázio resulta da transferência, no final da década de 50 do século passado, da unidade fabril existente na Avenida Emídio Navarro, em plena baixa da cidade de Coimbra, para a Zona Industrial da Pedrulha. A forte relação do imóvel com a antiga Estrada Nacional 1, actual Rua Manuel Madeira, estabelece-se, maioritariamente, através de um alçado principal estendido ao longo da via, com uma linguagem marcadamente modernista em que se destacam a horizontalidade e a métrica repetitiva, oferecidas pelos vãos e frisos que os emolduram. Em claro contraste, no lado nascente do alçado, desenha-se o gesto vertical da torre que albergava os silos, adossado à transparente Sala de Fabrico. No extremo oposto, no lado poente, o remate opaco do corpo principal em cantaria de pedra calcária, ancora os mastros institucionais. A estrutura planimétrica original desta composição é composta por 3 corpos. O corpo principal do conjunto, onde se concentrava a actividade de produção de cerveja, forma um “L” – na generalidade com 2 pisos de altura – ao qual se encostavam, do lado poente, a torre e um pequeno corpo de um piso. A poente localiza-se o edifício da administração com 3 pisos de altura e a nascente implanta-se um terceiro corpo, rectangular, de reduzidas dimensões e apenas 1 piso. A partir da década de 60 os imóveis foram sofrendo sucessivas ampliações que desvirtuaram a primeira composição arquitectónica. Essas ampliações, bem como as sucessivas demolições arbitrárias, tornaram praticamente irreconhecíveis alguns dos limites do projecto e o terreno originário. A distribuição programática implicada pela instalação da nova Sede e Central Logística da Cooperativa de Farmácias Plural levou a intervenções diversas no complexo remanescente: a fachada pública existente é preservada, respeitando-se a partir desta, a cércea, materiais e cores dos acabamentos das novas intervenções, sendo ainda nesta lógica que a Torre dos Silos e a Sala de Fabrico são também reabilitadas. A nova construção que se amarra à fachada principal reabilitada, materializa-se numa linguagem marcadamente contemporânea, que intenta, mais do que criar distâncias de segurança, assumir como possível um compromisso entre dois léxicos, de contágio propositadamente dúbio, entre o antes e o agora.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Do ponto de vista volumétrico, esta intervenção procura tomar como referência o projecto arquitectónico original salvaguardando fachadas e volumetrias dos principais corpos remanescentes, recuperando espaços icónicos do imaginário coimbrão, nomeadamente a antiga Sala das Caldeiras, e sedimentando, a partir da desolada imagem de abandono, a ideia do complexo fabril. Assim, partindo de um edifício devoluto, esta intervenção aposta na manutenção de um conjunto de elementos simbólicos de uma Coimbra industrial ainda viva na memória colectiva da cidade. Devolvendo a esta Área Industrial alguma da dinâmica empresarial de outrora, oferece-lhe o impulso necessário à reabilitação de unidades fabris da envolvente próxima, não só ao nível do património edificado mas também caminhando para a auto-suficiência energética proposta neste projecto – painéis fotovoltaicos, aproveitamento de águas pluviais e envelope térmico no edificado. Ao invés de se traduzir numa mera resolução técnica acrescentada à arquitectura do edifício proposto, a sustentabilidade foi abordada como um aspecto integrante da formulação arquitectónica. A proposta apresentada demonstra a capacidade da forma para contribuir para a sustentabilidade ambiental da arquitectura, através da sua capacidade para garantir níveis elevados de conforto resultantes da sua modelação e orientação.