Rua do Teatro 134

Cidade do Porto

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Rua do Teatro 134
Localização: Rua de Diu, 131
Promotor/dono de obra: Cliente Privado
Arquiteto: Nuno Valentim, com Otília Ayres Pereira e Pedro Lima da Costa
Construtor: AOF – Augusto Oliveira Ferreira & C.ª Lda.
Data do fim de construção: 15/08/2018

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Nuno Valentim, Arquitectura e Reabilitação, Lda.
Morada: Rua Eugénio de Castro 248, sala 246
Localidade: Porto
Código Postal: 4100-225
Telefone: 226095467
Site: http://www.nunovalentim.com/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O edifício objecto de reabilitação, destaca-se das construções mais correntes do início do século XX pelo seu desenho cuidado, materiais e solução tipológica, estando classificado como um edifício de Valor Patrimonial. A data original de construção é de 1910 (data do Licenciamento inicial) sendo que do ponto de vista construtivo o edifício segue as soluções correntes da época: uma estrutura primária em alvenaria de granito, uma estrutura secundária em vigamento de madeira nos pisos e na estrutura da cobertura e paredes interiores em tabique. O edifício mantinha grande parte dos elementos da sua forma e organização interior originais, embora o abandono em que se deteve nas últimas décadas, tenha levado a um estado de degradação avançado e ao desaparecimento de grande parte dos seus elementos interiores e exteriores mais representativos. O levantamento arquitectónico rigoroso, bem como o estudo de diagnóstico, foram fundamentais na sustentação de um plano de intervenção cirúrgico e ambicioso que procurou, para além da manutenção (e em grande parte da reprodução), dos elementos arquitectónicos que a caracterizavam, a sua adaptação aos tempos actuais. Manteve-se a função de habitação unifamiliar, mas incorporou-se na mesma as condições de habitabilidade e de conforto exigidas pelos tempos modernos. Foi sobretudo um trabalho de recuperação do desenho original do edifício na sua expressão interior e exterior. No exterior este traduziu-se na recuperação (e reprodução no caso dos elementos entretanto desaparecidos) de argamassas, caixilharias, cantarias, beirados em madeira, gradeamentos e azulejos. No interior tentou-se preservar grande parte da compartimentação original e, consequentemente recuperar ou reproduzir os elementos construtivos a ela associados como os tectos estucados/decorados, os lambrins e rodapés de madeira, as portas/guarnições e portadas, os painéis de azulejos, a escadaria principal, os soalhos e os pavimentos em mosaico hidráulico. No que diz respeito 'à conquista de condições de habitabilidade adaptadas ás exigências modernas', podemos afirmar que esta se apenas se revela a quem efectivamente utiliza a casa, sendo como que invisível aos olhos de quem “apenas” a vê. Isto foi possível graças a uma total integração e adaptação dos elementos novos à estrutura que se herdou. De salientar a actualização de redes e infraestruturas (avac, hidráulica, instalações eléctricas e de telecomunicações, etc), a melhoria do desempenho dos elementos construtivos existentes através de reforços na estrutura, a introdução de isolamento térmico na cobertura, a optimização do desempenho da caixilharia de madeira (que foi reproduzida de acordo com o desenho original mas com a introdução de vidro duplo), etc. Deveremos chamar à atenção para a melhoria de condições de acessibilidade através da adição de um elevador, a adaptação de parte das instalações sanitárias a utilizadores com mobilidade condicionada, e à criação de um espaço de estacionamento (interior e exterior) no interior do lote através do reposicionamento das pilastras de granito existentes e do redesenho de vãos existentes. Deveremos por fim referir a adaptação do corpo de ligação entre os dois volumes existentes, actualizando-o ao programa e à utilização contemporânea através da diminuição da hierarquização e segregação dos espaços de serviço. Esta nova “rótula” marca uma atitude algo contrária à anteriormente referida: volumetricamente assume de forma clara uma alteração ao edifício existente. No entanto, e do ponto de vista arquitectónico, esta acção é realizada através da reinterpretação de elementos existentes, tanto na casa como na época. Interiormente os espaços são tratados como o resto da casa e exteriormente propõe-se uma reinterpretação das marquises em ferro e vidro dos tardozes das casas burguesas portuenses através de uma composição de planos envidraçados alterados com panos forrados a madeira.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Numa década em que a reabilitação está generalizada na nossa cidade, levar a cabo uma intervenção deste género no edificado existente é tanto exigente como recompensadora. Nesta obra procurou-se sobretudo recuperar o existente incorporando nele os novos valores de habitabilidade que outrora não existiam. Cada elemento novo foi pensado em conjunto com o que o precedeu, procurando sempre a coerência e unidade globais da obra. Se por um lado intervir no edificado com este cuidado, recuperando-se os elementos e o carácter da pré-existência, e articulando de forma cirúrgica cada elemento com os novos requisitos de conforto e bem-estar, não é a resposta mais comum - é sim um grande desafio a todos os intervenientes: aos projectistas pela complexidade das soluções exigidas, aos executantes pela sensibilidade do “objecto” que manuseiam e pela dificuldade das técnicas construtivas e ao Dono de Obra, por este tipo de obra não ser a mais rápida nem a mais económica. Por outro, ao estabelecermos este compromisso de co-existência com a nossa herança construída, valorizando-a e acrescentando valores “actualizados”, dá-nos o privilégio de aprendermos com o passado, melhorarmos o presente de quem a utiliza e mantermos a nossa Cidade para o futuro.