Albergues Nocturnos do Porto

Cidade do Porto

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Albergues Nocturnos do Porto
Localização: Rua Mártires da Liberdade 237, Porto
Promotor/dono de obra: Associação dos Albergues Nocturnos do Porto
Arquiteto: Nuno Valentim, Frederico Eça, Margarida Carvalho
Construtor: Norasil
Data do fim de construção: 25/01/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Nuno Valentim, Arquitectura e Reabilitação
Morada: Rua Eugénio de Castro 248, sala 246
Localidade: Porto
Código Postal: 4100-225
Telefone: 226095467
Site: http://www.nunovalentim.com/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O edifício da centenária Associação dos Albergues Nocturnos do Porto situa-se na Rua Mártires da Liberdade, no centro da cidade do Porto e implanta-se num terreno com cerca de 430m2. Trata-se de um edifício de construção tradicional, de 5 pisos, com 1200m2 de área bruta. A Associação dos Albergues Nocturnos do Porto detém um conjunto de três edifícios contíguos, mas a intervenção refere-se ao edifício principal que apresenta uma implantação com cerca de 13m de frente por 24 de profundidade e logradouro com a largura da casa e jardim de bucho ao gosto romântico. A Associação foi fundada em 1881 pelo Rei D. Luiz I e desde a sua origem procurou “… dar asilo temporário, durante a noite, a toda a pessoa necessitada que casualmente não tenha domicílio, seja qual for o sexo a que pertença, o país donde venha e a religião que professe…” e “…prover de remédio pronto, na medida das suas possibilidades, às necessidades mais urgentes daqueles que lhe pedirem abrigo…”. Os arquivos apontam para o arrendamento deste edifício pela Associação dos Albergues Nocturnos do Porto em 1903, tendo sido posteriormente adquirida em 1912. Datam de 1914 os primeiros registos desenhados relativos a uma intervenção da Associação que procura libertar espaços de circulação para as camaratas de acolhimento. O edifício, apesar de não estar classificado, reúne inúmeros valores arquitectónicos, ligados à sua integração urbana, sistema construtivo, espacialidade interior, qualidade dos elementos decorativos e, naturalmente, o valor do uso que lhe é dado. O programa preliminar pressupunha a manutenção do funcionamento deste equipamento social de 1ªlinha de apoio aos sem-abrigo da cidade, procurando sobretudo melhorar as condições de acolhimento e aumentar ligeiramente a sua capacidade (de 60 para 75 utentes). Tratou-se assim de uma operação de melhoria das áreas, iluminação, conforto, e condições de utilização. Refira-se mais concretamente: - Garantia da iluminação/ventilação natural directa em todos os quartos, possibilitando o contacto com os vãos das fachadas da rua e tardoz; - Racionalização do número de camas por quarto, redimensionando-os para o número mínimo de 6 e um número máximo de 10 utentes (anteriormente existiam dormitórios com 17 utentes); - Introdução de novas instalações sanitárias, mais adaptadas ao programa, à intensidade de utilização e ao edifício; - Instalação de redes infraestruturais adequadas ao número de utentes e devidamente actualizadas por forma a optimizar desempenhos e consumos – instalações hidráulicas, eléctricas, de gás, de aquecimento, de segurança e de ventilação; - Melhoria do desempenho térmico e acústico através do isolamento das coberturas e da reabilitação construtiva de janelas e portadas existentes; - Correcção de intervenções anteriores desajustadas e descaracterizadoras do edifício pré-existente.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Com base no diagnóstico e no programa preliminar, o projecto procurou corrigir os problemas funcionais causados por intervenções desajustadas ao longo do tempo, melhorar os níveis de conforto dos utilizadores (procurando adequar ao aproveitamento possível dos espaços disponíveis) e solucionar as patologias diagnosticadas e suas causas. Atendendo aos valores identificados, propôs-se uma intervenção pouco intrusiva, de forma a garantir a preservação das estruturas existentes em bom estado de conservação, possibilitando uma maior rapidez da operação de reabilitação e contenção dos custos envolvidos. Um aspecto central do projecto foi a relocalização das instalações sanitárias e infraestruturas na zona central do edifício (próxima da caixa de escadas), libertando integralmente as fachadas para espaços com usos que dependem da iluminação natural, permitindo a ventilação natural de uma forma mais simples. Realizou-se uma pequena ampliação no último piso deste edifício, reproduzindo (com geometria e sistema construtivo idêntico) o corpo saliente da claraboia sobre a caixa de escadas, aproveitando a área de vão do telhado para uma nova instalação sanitária e área técnica. Todas as paredes de corpos salientes na cobertura (existentes e novos) foram revestidas com chapa de zinco, como é corrente na construção do Porto do séc. XIX.