Verride Palácio de Santa Catarina

Turístico

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Verride Palácio de Santa Catarina
Localização: Rua de Santa Catarina 1, 1200-401 Lisboa
Promotor/dono de obra: Eijrond Beheer B.V
Arquiteto: Teresa Nunes da Ponte
Construtor: HCI Construções SA
Data do fim de construção: 01/09/2017

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: teresa nunes da ponte, arquitectura lda (Sanitana)
Morada: Rua das Chagas 3, 2º andar
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1200-106
Telefone: 213476586
Site: http://www.tnp.pt/website/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A intervenção tratou do restauro e reabilitação do Palacete Verride ou de Santa Catarina e construções anexas para a instalação de um hotel de grande qualidade. O conjunto, com a fachada principal sobre o Lg. de Sta. Catarina, destaca-se da malha urbana envolvente pela volumetria, tendo frente para sul e para a vista do rio, sobre o Adamastor, e para o casario do Bairro da Bica a nascente e a norte. A sua localização confere-lhe uma situação excepcional, constituindo-se como um marco urbano apreensível da envolvente que domina, e de vários pontos distantes. Após anos encerrado, o edifício ganhou nova vida e o hotel, de grande exclusividade, tem capacidade para se transformar num pólo dinamizador da zona, indutor de uma dinâmica de regeneração do local, podendo contribuir para a renovação da frequência do miradouro. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E PROGRAMA Tendo ruído em 1755, a reconstrução iniciou-se de imediato. Em 1910 o Conde de Verride faz desta morada a sua casa, procedendo a uma beneficiação significativa, essencialmente de interior com decoração ecléctica e revivalista. Em 1969 a CGD adquire o edifício e anexa três edifícios sobre a Bica, que reedifica. O sítio excepcional e o seu valor intrínseco foram um bom ponto de partida para o projecto de adaptação ao novo hotel, que compreende 19 quartos e suites; 2 restaurantes, para 40 pessoas no último piso e para 120 nos pisos inferiores, bar com terraço e mirante panorâmicos, salas de estar e pequenos-almoços com jardim de inverno e piscina sobre a cidade e o Tejo. Duas esplanadas completam o conjunto, uma no Largo e a outra no Beco junto ao miradouro. PRINCÍPIOS E SOLUÇÕES DESENVOLVIDAS Embora no respeito pelo existente, restaurando os valores essenciais do património construído, o projecto acusa a contemporaneidade tanto nos corpos de construção nova como no pormenor, utilizando um desenho depurado e rigoroso. O Palacete foi restaurado e reabilitado para a instalação do programa, construído-se de novo o piso, amansardado, e o edifício adjacente dos anos 70. O desenho da nova fachada nascente do Palacete faz a transição entre as duas linguagens arquitectónicas. Recuperaram-se os espaços, reutilizando a compartimentação, e os elementos construtivos, enfatizando a planta e a construção racionalista pombalina. Restauraram-se e reconstruiram-se as paredes em cruzes de Sto. André, que em muitas situações se encontravam danificadas ou adulteradas, e os pavimentos em madeira, demoliram-se a maior parte dos elementos de betão armado e consolidaram-se aquelas cuja substituição poderia afectar a estabilidade. Restauraram-se os pormenores da decoração, tanto os pombalinos, como os do piso nobre onde, no início do século XX, o estilo academicista tomou conta das salas com elementos de estuque e azulejos de autor. O último piso construiu-se em estrutura de aço leve e madeira, revestida no zinco tradicional. As janelas, tais como as do corpo novo que se adossa a nascente à construção antiga, mantêm o ritmo dos vãos das fachadas mas são mais rasgadas, ganhando em dimensão a largura das cantarias da construção antiga, com as quais alinham. Tanto o corpo novo como a nova fachada nascente, a tardoz, que substituiu uma fachada sem história e é constituída por uma malha de frestas verticais, se revestem na mesma pedra de lioz das cantarias do palacete, com uma estereotomia vertical de desenho actual. Os interiores criaram o ambiente, a unidade e a harmonia entre espaços de diferentes características, tratando o conjunto e as partes de uma forma sofisticada mas aparentemente leve, e compatível com o valor do local e do edifício. Espreitando a cidade e o rio, a serenidade da paisagem invadiu o interior. Utilizou-se uma paleta de cores neutra mas acolhedora, tendo-se desenhado a maior parte do mobiliário, adaptado aos diferentes espaços e às suas características. O lugar, entre os Palácios e a Bica, o casario e a água, transportou para o interior a sua riqueza e variedade. Projectou-se o reforço estrutural tendo em conta parâmetros de resistência ao sismo, verificando-se no início da obra a necessidade de uma intervenção mais profunda, incluindo a reconstrução de elementos como as cruzes de Sto. André. As especialidades acompanharam o projecto desde o início, integrando as soluções da arquitectura para permitirem a introdução de sistemas passivos e activos de condicionamento térmico e acústico. Mantiveram-se as portadas existentes e colocou-se protecção exterior nos vãos novos. Introduziu-se uma grande courete vertical, pisos técnicos em cave e na cobertura, não se instalando maquinaria exterior, apenas painéis solares com tubos de vácuo, horizontais, nos terraços que envolvem o mirante. A instalação de piso radiante para quente e frio poupou a maior parte da construção a instalações intrusivas de condutas. A gestão técnica centralizada permite controlar todos os sistemas, equipamentos e a utilização de energia, reduzindo perdas desnecessárias.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Consideramos que a reabilitação deste edifício e o seu novo programa constituem uma mais-valia significativa para a cidade, em especial para a zona em que se insere, qualificando-a. A actividade, hotel e restaurantes, adequa-se ao local, que apresenta uma procura crescente na área do turismo. Tendo contribuído para a divulgação de Portugal como destino, com artigos em publicações de referência como a Architecural Digest,(AD) Conde Nast Traveller ou Vogue – divulgado como um palacete pombalino restaurado. A actividade do Hotel, recentemente inaugurado, potencia uma dinâmica de renovação para habitantes e visitantes, iniciada com a requalificação do Bairro da Bica em 2010, procurando contribuir para uma maior salubridade e redução de alguma insegurança que se tem vindo a estender do miradouro para as ruas e escadinhas envolventes. Por outro lado, a vertente artística e o empreendedorismo dos promotores, holandeses radicados em Portugal com experiência na gestão de restaurantes em Utrecht e Bruxelas, contribuirá certamente para o sucesso da intervenção. O funcionamento do hotel contribui para a criação de postos de trabalho de características e formações diversificadas. O edifício ganhou uma nova imagem, de contemporaneidade, embora no respeito pelos valores do património existente, o que alterou muito positivamente a leitura do espaço urbano. Os novos corpos de construção, de expressão actual, integram-se discretamente na envolvente através do desenho depurado, do ritmo dos elementos das fachadas e dos materiais utilizados A construção foi reabilitada e restaurados os elementos de valor patrimonial, utilizando as técnicas e os materiais tradicionais, dotando o conjunto da capacidade de resistir ao tempo e tornando mais fácil e económica a sua manutenção. O sistema de captação solar passivo contribuirá para a eficiência energética do edifício, bem como a integração na arquitectura do conjunto de sistemas que permitem controlar a temperatura no interior. Por estas razões pensamos que esta intervenção pode servir como exemplo para a renovação crescente a que se assiste nas áreas históricas da cidade de Lisboa, e como tal merece ser divulgada.