Nome: The One Palácio da Anunciada
Localização: R. das Portas de Santo Antão 112-134, 1150-268 Lisboa
Promotor / Dono de Obra: Plant a Story II – Investimentos turísticos e hoteleiros SA
Arquiteto: Fragmentos de Arquitectura
Construtor: Udra
Data do fim de construção:Jan. 2, 2019

APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O conjunto palaciano das Portas de Santo Antão encontra-se localizado mesmo no centro do coração da cidade de Lisboa e é composto por 2 edifícios principais, com pátios e saguões, separados por 2 jardins a diferentes cotas e respetivos muros de contenção. Situada junto à muralha Fernandina, em determinada altura da história, a Rua das Portas de santo Antão era pontuada de palácios da nobreza. O Palácio da Anunciada, assim como a Casa do Alentejo e Ateneu, foram habitações de condes, sendo o Palácio de Rio Maior (ou Anunciada), o que serviu de habitação familiar por mais tempo. A norte perfila-se o Palácio da Anunciada, do século XVIII e a Sul o Prédio Nobre do século XIX. A intervenção visou essencialmente a criação de uma unidade hoteleira de exceção, com capacidade para 83 quartos, tendo como premissa a manutenção e recuperação de todos os espaços emblemáticos e de valor arquitetónico como por exemplo, o vestíbulo e escadaria de aparato e as quatro salas nobres do edifício do Palácio, assim como as principais fachadas de ambos os edifícios. Este conjunto hoteleiro é privilegiado ainda por dois jardins, um superior de carácter mais privado e de usufruto dos clientes do hotel e outro central que funciona como jardim aberto ao público, com apoio de restaurante e esplanada, permitindo a criação de eventos e espetáculos, sendo por isso um espaço destinado à cidade. No edifício do Palácio da Anunciada, ao contrário do que se encontrava em relativo bom estado de conservação nomeadamente o vestíbulo, a escadaria, as 4 salas nobres e a fachada principal, foram reconstruídos na íntegra os 2 pisos amansardados por se encontrarem em elevado estado de degradação. A reconstrução destes pisos respeitam o desenho original da cobertura, com o 1º troço curvo em zinco no 3º piso, assim como o desenho das mansardas com a cobertura em telha do 4º piso. A norte do Palácio existiam anexos, construídos numa fase posterior, sem qualquer valor histórico e arquitetónico, que foram demolidos e substituídos por um novo corpo onde se procurou ir ao encontro de uma maior harmonia com o alçado principal a manter, procurando o seu prolongamento não só na volumetria e alinhamento como na linguagem dos vãos. A organização funcional do Palácio e da nova extensão teve como base responder a um programa hoteleiro com 3 zonas distintas: Zonas de Serviço que engloba o estacionamento, armazenamentos diversos, cozinhas e compartimentos de apoio e áreas técnicas; Zona de Quartos, com unidades de alojamento e instalação sanitária e a Zona Social com bares, restaurante e salas de estar. Este edifício contempla 2 pátios interiores em saguão. O edifício Nobre, que se tratava de uma habitação unifamiliar de carácter Pombalino, desenvolve-se em 6 pisos, sendo o último um aproveitamento de águas furtadas. Apesar do edifício se encontrar em estado razoável de conservação, houve a necessidade de adaptar o interior às exigências hoteleiras acuais. Foram mantidas e recuperadas as fachadas principal e lateral e alteradas as fachadas a tardoz e saguão, onde se incorporou 2 elevadores. Aqui privilegiou-se mais uma vez os vãos com uma dimensão mais generosa, com um desenho mais estilizado e depurado. A organização funcional dos quartos foi pensada de forma a aproveitar os vãos e elementos existentes nas fachadas, tentando respeitar a relação com o piso entretanto alterado. Na fachada lateral, que se manteve, apenas se uniformizou os vãos, privilegiando os vãos de sacada de forma a permitir uma maior relação com o jardim central. Foi mantido na íntegra o vestíbulo e a escadas principais. A linguagem arquitetónica utilizada respeita as preexistências do edifício e da envolvente próxima. Sob o jardim superior, com acesso pela antiga Casa de Fresco, em galeria abobadada, que se manteve com ligação pelos 2 edifícios, desenvolve-se o SPA de uso exclusivo do hotel. O hotel é dotado ainda de uma piscina exterior localizada no jardim superior, ao nível do piso 3, que funciona como espaço de lazer. No piso 0, com ligação direta pela Rua Portas de Santo Antão, surge um bar lounge sob o Jardim Central, que liga ambos os edifícios. Relativamente ao exterior, e tal como foi referido, para além dos pátios interiores em saguão nos 2 edifícios, esta unidade hoteleira é privilegiada com 2 amplos jardins que se desenvolvem em 2 níveis. O Jardim Central com ligação ao restaurante/ bar que se desenvolve nas salas nobres do 2º piso do Palácio e o Jardim Superior com ligação do piso 3 à piscina. No Jardim Central foi mantido o Dragoeiro por ser uma espécie centenária que ao longo dos anos pontuou este imóvel histórico. Esta intervenção pretendeu valorizar a relação entre os jardins, a vivência do hotel e a cidade.



Motivo da Candidatura:

A sua dimensão e localização privilegiada no tecido urbano da cidade de Lisboa, fazem do projecto The One – Palácio da Anunciada uma obra de referência na qualificação do espaço urbano em que se insere. A relevância histórica do edifício pré existente, e o cuidado com que foi feita esta intervenção, dando dignidade ao conjunto, são a base de sustentação da candidatura que apresentamos. Transversal a toda a intervenção foi o cuidado que houve em manter e recuperar os elementos pré existentes, enquadrando-os nos novos usos e dando-lhes protagonismo nos compartimentos em que se encontram. Cada espaço foi pensado e trabalhado como sendo único e como princípio de intervenção foi definido que se preservaria o mais possível a memória da pré existência. Para além das fachadas principais e laterais viradas para o Jardim Central dos 2 edifícios, Palácio da Anunciada e Edifício Nobre, foram preservados e recuperados na íntegra vários espaços emblemáticos e de valor histórico e arquitetónico como por exemplo o vestíbulo, escadaria de aparato e as quatro salas nobres do edifício do Palácio e o vestíbulo e a escada principal do Edifício Nobre. Manteve-se também a antiga Casa de Fresco, uma galeria abobadada que serve agora como uma galeria que liga os edifícios, os dois jardins e o SPA. No Jardim Central foi mantido o Dragoeiro por ser uma espécie centenária que compõe a imagem histórica do imóvel.