Dom Frei

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Dom Frei
Localização: Rua Dom Frei Caetano Brandão n.º 110
Promotor/dono de obra: Carlos Alberto Pinto de Azevedo Campos
Arquiteto: Marta Campos - arquitectura
Construtor: Factor Prestígio
Data do fim de construção: 30/03/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Norte Magnético
Morada: Rua do Caires n.º 210, Pavilhão F
Localidade: Braga
Código Postal: 4700-206 Braga
Telefone: 966162448
Site: https://www.nortemagnetico.pt/index.html
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

“Dom Frei” insere-se no centro histórico de Braga, dentro do limite das antigas muralhas da cidade (mesmo à beira do “Arco da Porta Nova”), num quarteirão com uma morfologia consolidada, constituído por edifícios que fazem frente de rua e que se encostam no tardoz, não apresentado o quarteirão logradouros no seu interior, sendo a construção “compacta”. O edifício é constituído por 4 pavimentos e apresenta uma cobertura de 5 águas resultado da interceção entre dois volumes, um volume com cobertura de três águas e outro volume de duas águas. O Piso 0 estava originalmente afeto a comércio/serviços e os restantes pavimentos a habitação. Este foi sofrendo ao longo dos anos sucessivas alterações ao nível do seu interior e encontrava-se há já algum tempo devoluto, sem condições de habitabilidade com deformações estruturais acentuadas ao nível dos madeiramentos de suporte dos pavimentos e escadas, tendo inclusivamente sido entaipado. O processo de reabilitação visou manter o edifício afeto ao uso a que se destina (comércio/serviços no Piso 0 e habitação nos Pisos 1, 2 e 3), proceder ao seu fracionamento em propriedade horizontal, e ao mesmo tempo levar a cabo uma obra de reabilitação que conferisse ao conjunto adequadas características de desempenho e de segurança funcional, estrutural e construtiva, com vista a permitir padrões de desempenho mais elevados, sem contudo descurar a importante relação/integração do mesmo no contexto a que pertence. Assim sendo, a volumetria, morfologia e traça exterior do edifício foi mantida pois considerou-se que a mesma é determinante para a caracterização do conjunto urbano onde este se insere. A intervenção procedeu à conservação da forma dos telhados e da fachada pré-existente, substituindo elementos estruturais degradados por elementos com a mesma função e natureza, e repondo os materiais de revestimento por materiais idênticos aos originais. No que respeita ainda à cobertura propôs-se a reinscrição de uma claraboia sobre a caixa de escadas (que originalmente terá existido como foi possível comprovar através dos seus vestígios no edifício original). Em termos formais, ao nível do seu exterior procurou-se respeitar a estética original do edifício e da época que lhe deu origem, não deixando, ainda que discretamente, de lhe imputar um certo carisma diferenciador pela conjugação cromática (com bases tradicionais) escolhida. Ao nível do seu interior, optou-se por uma reinterpretação da traça original deste tipo de edificado, tanto na escolha de materiais como na linha arquitetónica dos seus elementos, no entanto não deixando de impregnar essas soluções com uma certa contemporaneidade, e esperamos, intemporalidade.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A reabilitação do tecido urbano de uma cidade, para além de iniciativas de impacto estratégico municipais, faz-se também da iniciativa privada que paulatinamente intervindo no edificado acaba por imprimir a leitura de conjunto que se faz de uma determinada urbe. A cidade de Braga nos últimos anos tem vivido um forte investimento da iniciativa privada cujas intervenções vão influenciar a leitura que no futuro se fará da mesma. Entendemos que a intervenção aqui proposta a concurso se apresenta com o um exemplo capaz de contribuir para uma leitura desejada de futuro da cidade de Braga, pois foi sensível à necessidade de contribuir para um contexto de conjunto forte, ao ser coesa com a história da cidade de Braga, ao respeitar a traça, e ao mesmo tempo demonstrando ainda que é possível articular várias frações e ainda comércio/serviços num edifício de génese do sec. XIX de raiz unifamiliar e viver com contemporaneidade, sem com isso o descaracterizar.