Arruda 105

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Arruda 105
Localização: Arruda dos Vinhos
Promotor/dono de obra: João Rodrigo Simões Cunha
Arquiteto: João Pedro Cavaco
Construtor: Siltipom - Construções, Lda
Data do fim de construção: 23/12/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Filipa Menino e João Pedro Cavaco, Associados Lda
Morada: Rua Nossa Senhora da Conceição, Centro Empresarial de A-do-Mourão, Fração D
Localidade: Arruda dos Vinhos
Código Postal: 2630-506
Telefone: 914300819
Site: https://www.fmjpc.com
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Arruda 105 é uma obra de reabilitação e ampliação de um edifício na Rua Cândido dos Reis, em Arruda dos Vinhos, que tem como objetivo a criação de uma habitação unifamiliar. Com base no programa proposto pelo dono de obra, a intervenção teve em consideração o estudo da pré-existência e a relação com a envolvente edificada de um dos eixos com maior importância no centro histórico de Arruda dos Vinhos e que se encontra cada vez mais abandonado. O edifício pré-existente era composto por dois pisos e um terreno adjacente com uma configuração genericamente retangular, com orientação nascente-poente. A construção existente, constituída por dois pisos, tinha já a cota de acesso principal ao nível da rua Cândido dos Reis, estando o terreno existente a tardoz, a cerca de quatro metros acima da cota do piso térreo. O edifício era composto no piso zero por uma arrecadação, uma loja e o acesso à habitação – que se localiza no primeiro piso - na porta 105. O edifício encontrava-se em elevado estado de degradação, à exceção da fachada principal, e não cumpria os requisitos legais e regulamentares em vigor atualmente. Nesse sentido, e de forma a albergar o novo programa proposto e as leis e regulamentos que garantem as condições de habitabilidade necessárias ao mesmo, a proposta focou-se em quatro objetivos principais, que deram origem ao desenho e obra edificada: preservação da fachada, distribuição do programa solicitado de forma funcional, criação de uma lógica de acessos e circulações exteriores e interiores e melhoria das condições de salubridade do edifício. A preservação da fachada foi o ponto de partida para a realização do projeto, porque apesar de não ser um edifício com valor patrimonial, foi durante vários anos albergue de uma mercearia muito conhecida na vila e por isso representa em si um valor significativo na memória coletiva da população local. A preservação da mesma não era imposta legalmente mas, sendo o único elemento estruturalmente estável e possível de manter, esta foi uma decisão fulcral para o projeto. Após esta decisão a resposta aos três pontos principais restantes, tinha de ser garantida, trabalhando com a diferença de cotas e a relação altimétrica existente entre a fachada e o terreno tardoz. Nesse sentido, o desenho do projeto surge naturalmente ao propor criar dois vazios a meio do lote com o objetivo de localizar as circulações verticais, e ao mesmo tempo oferecer luz e ventilação, principalmente ao nível do piso 0, onde estas eram débeis. A circulação do interior da casa é feita de forma circular, para que fosse possível aceder aos diferentes pisos, que foram criados para combater o desnível que se assumia, originalmente, entre a cota da rua principal de acesso à moradia e o jardim existente. Desta forma, as circulações interiores foram o motor para a distribuição dos espaços, não só em horizontal, como verticalmente. O outro vazio é proposto já no exterior da habitação, entre o jardim e a moradia, de forma a oferecer mais luz e ventilação ao nível do piso 0, que antes se encontrava maioritariamente enterrado. Este espaço permite ainda criar uma zona exterior em continuidade entre sala de jantar, cozinha e lavandaria. O espaço exterior é proposto, conforme existente, ao nível do primeiro piso, e acolhe um espaço de jardim, uma piscina e ainda uma I.S. exterior e um espaço de arrumação. Sobre estes dois espaços é criado um acesso direto à cota exterior da moradia, permitindo desta forma que a casa tenha um acesso complementar pelo caminho existente nas traseiras. Arruda 105 é um projeto que, a partir de um gesto simples de desenho, dialoga de uma forma natural com o local onde se insere, ao mesmo tempo que potencia as qualidades do mesmo e preserva a memória e a história local.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A candidatura ao Prémio de Nacional de Reabilitação Urbana, com o projeto Arruda 105, faz todo o sentido para nós, sendo que este projeto é o exemplo de como se pode promover e educar para a reabilitação urbana em contextos urbanos menos densificados e com menores áreas de reabilitação urbana. Arruda dos Vinhos, é um dos menores concelhos do distrito de Lisboa e apesar de ter um centro histórico não muito grande, encontra-se cada vez mais abandonado derivado da inadaptabilidade das construções face aos hábitos de vida atuais e ao estado de degradação das mesmas. Esses foram os problemas que encontramos no edifício em questão, que para além de ter muitos espaços inadaptáveis as leis e regulamentos em vigor, encontrava-se já em elevado estado de degradação. Acreditamos que a intervenção realizada permite para além da adaptabilidade daquela área a um modo de vida moderno, qualificar o centro urbano local a partir da preservação da fachada e criando aquele que pode ser um exemplo para a reabilitação do tecido urbano existente, não apenas na Rua Cândido dos Reis, como no resto do centro histórico. O mesmo permite um impacto na atividade económica local, considerando que o eixo viário onde se encontra, foi durante anos um dos eixos com mais movimento pedonal e atualmente se encontra obsoleto. No que diz respeito à intervenção do ponto de vista arquitetónico a mesma, apesar de ter aumentado a área bruta de construção, foi realizada de forma a que esta fosse integrada na paisagem construída e de forma a que não tivesse impacto. Para além de o facto de ter de ser feita a reconstrução quase integral do edificado existente, permitiu melhorar consideravelmente as condições de habitabilidade e consequentemente a sustentabilidade do edifício. Por estas razões, acreditamos que a obra Arruda 105 é um exemplo a considerar neste tipo de edifícios, em que na maioria das vezes se dá por garantido a demolição integral do mesmo, por preservar ao máximo aquilo que pode ter impacto na memória e na cultura local, e no impulsionamento da adoção de boas práticas de reabilitação urbana, mesmo em edifícios de menor escala.