Museu do Vitral

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Museu do Vitral
Localização: Rua D. Hugo nº2, 4 e 6 e Beco dos Redemoinhos nº3 União de freguesias de Cedofeita, Ildefonso, Sé, Miragaia, Nicolau e Vitória. Concelho do Porto
Promotor/dono de obra: ETEDO, Lda
Arquiteto: Arquitectos Matos
Construtor: Topdomus – Construção e Gestão Imobiliária, Lda
Data do fim de construção: 30/04/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: ETEDO, Lda
Morada: Rua do Vilar nº19
Localidade: União de freguesias de Lordelo de Ouro e de Massarelos
Código Postal: 4050-626 Porto
Telefone: 964430189
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Com uma localização privilegiada, no morro da Sé, o novo Museu do Vitral é o resultado de uma obra de reabilitação realizada num imóvel classificado de interesse público a “Casa da Vandoma” como era conhecida. Inserido na área nuclear do Centro Histórico do Porto, que integra a Lista do Património Mundial da UNESCO e a ainda a Zona Especial de Proteção, os critérios de intervenção estavam definidos e foram respeitados de acordo com os princípios orientadores da Unidade de Intervenção, ou seja, não se alteraram a implantação, fachadas ou as coberturas. Tratou-se, portanto, de obras de reabilitação adequadas em função das patologias construtivas existentes, procurando-se por um lado preservar e recuperar os sistemas construtivos e por outro remodelar o seu interior para adaptar o novo programa funcional do Museu do Vitral. O edifico objecto de reabilitação, tem uma área bruta de construção de 450m2, distribuída por 3 pisos, com acessos diferenciados, um pelo Beco dos Redemoinhos e outro pela Rua D. Hugo com frente orientada para o Terreiro da Sé e para a estátua do Conde Vímara Peres. Para garantir a acessibilidade de todos os pisos, foi integrado um ascensor elétrico sem casa das máquinas, modelo ISI2040 da marca Schmitt+Sohn Elevadores, com as dimensões interiores de 1,10mx1,40m, com uma barra de apoio e os dispositivos de comando instalados nas zonas de alcance e de segurança de acordo com o regime de Acessibilidades – Decreto-lei 163/2006 de 8 de Agosto. Procurou-se quer na fase dos projectos, quer durante a execução da obra a aplicação das metodologias e das técnicas adequadas, de forma a encontrar as soluções de compromisso entre as obras de reconstrução e conservação, preservando a essência da “Casa da Vandoma” adaptada às novas exigências programáticas do Museu do Vitral. Destacamos, alguns exemplos de preservação dos detalhes “maneiristas” no átrio de entrada principal e os sistemas construtivos da sua origem tradicional como as paredes em alvenaria de pedra e de madeira tipo “gaiola”, pavimentos em soalho e vigas de madeira, para além do afloramento rochoso no interior, descoberto com as escavações arqueológicas que remonta para traços do castro proto-histórico e que foram deixadas visíveis no circuito museológico. O Museu do Vitral é o resultado de um dialogo, não só com as características nobres da casa senhorial, como com a nova utilização do espaço destinado à exposição e divulgação, das memórias e das preciosidades da Vidraria Antunes, que percorreu três gerações de pintores dedicados à Arte do Vitral, como destacava o seu mentor, o Prof. Dr. Pintor João Aquino da Costa Antunes, quando referia “É um século de história, um legado patrimonial a defender” e que agora ficam disponíveis para serem apreciados e estudados. Apresentam-se a seguir sumariamente os princípios de intervenção adotados que procuraram valorizar e preservar a identidade da pré-existência: • As fachadas exteriores foram, picadas, regularizadas e revestidas com reboco tradicional com acabamento areado fino e pintadas à cor branca, à exepção da superfície da mansarda orientada para o largo da Sé, que foram reconstruídas com uma superfície imbricada de ardósia tipo “escama de sereia”; • A fachada orientada para o Beco dos Redemoinhos, em pedra à vista, foi preservada, através de uma limpeza, consolidação das juntas e impermeabilização de toda a superfície; • As paredes interiores existentes foram conservadas e algumas reconstruídas com sistemas pré-fabricados e revestidas com gessos e painéis de mdf, à exceção das instalações sanitárias que foram revestidas com azulejo; • O pavimento novo do r/ch foi executado em betão com endurecedor e afagado e todos os restantes pavimentos foram mantidos os seus princípios, quer a pedra no átrio de entrada, quer o soalho de tábua corrida de madeira nos outros compartimentos; • Os tectos interiores das instalações sanitárias e da superfície que reveste o último andar foram revestidos com placas de gesso cartonado e os restantes tectos foram reconstruídos e conservados, em gesso e os forros de madeira, ambos para pintar; • Todas as caixilharias de madeira exteriores foram recuperadas e pintadas nas cores originais; • As coberturas foram reconstruídas mantendo a sua configuração planimétrica e altimétrica. O sistema construtivo aprovado e adotado foi de uma estrutura metálica galvanizada, revestida com telha “Marselha”, com sub-telha e isolamento térmico; • As caleiras, os tubos de queda, os rufos e os remates da cobertura foram executados com zinco natural nº14; • Os gradeamentos existentes em ferro forjado, foram tratados, conservados e pintados com esmalte nas cores originais. Julgamos, assim, que o Museu do Vitral é uma obra de reabilitação, que respeita os valores da identidade patrimonial do centro histórico e que foi sonhado, pensado e executado por uma equipa multidisciplinar empenhada em criar mais um polo cultural diferenciador e atrativo na cidade do Porto.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

O Museu do Vitral no Porto, é sem dúvida um projeto que engloba tudo o que deve ser o espírito da reabilitação urbana. O Professor João Aquino, dedicou a sua vida, tal como seu pai e avô o fizeram, à arte e em especial ao Vitral. Antes do seu falecimento que infelizmente ocorreu no primeiro dia deste ano, cumpriu o seu maior desejo, ver aberto ao público na sua amada cidade, um Museu onde a sua arte e de seus ascendentes contribuem para que a cultura portuense seja merecedora de tão nobres iniciativas. O espaço adquirido para construir o museu do Vitral, foi selecionado pela sua localização e arquitetura. O projeto de reabilitação foi criterioso na preservação da sua identidade, adaptando-a à sua nova função. Premiar é por si só a forma de homenagearmos, pelo que prestarmos essa menção à última obra que o professor de belas artes deixou à sua cidade, deverá ser motivo suficiente pela qualidade e fim da mesma. Preservar o património arquitetónico, e dedicar a beleza de uma edificação a um uso fundamental ao desenvolvimento sustentado de um burgo que tando anseia por uma modernização baseada nas suas raízes históricas, merece e deve ser referenciado para que sirva de exemplo a seguir. Apreciar a majestosa arte do vitral, no mesmo espaço que pelas suas janelas se deslumbra a magnifica paisagem urbana do Porto, só está ao alcance de todos nós porque esta obra que agora se candidata a tão prestigiado prémio, nos permite.