Reconstrução e Ampliação de Prédio em S. Vicente

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Reconstrução e Ampliação de Prédio em S. Vicente
Localização: Rua das Palhotas, 102 e 104 - Braga
Promotor/dono de obra: Soconcal - Sociedade Construtora do Cávado S. A.
Arquiteto: Paulo Sérgio Val de Casas Escadas
Construtor: Neureifen - Empreendimentos S. A.
Data do fim de construção: 15/09/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Neureifen - Empreendimentos S. A.
Morada: Avenida Marechal Gomes da Costa, nº 33 - 1º
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1800-255 Lisboa
Telefone: 910456964
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A intervenção consiste na reconstrução e ampliação de um conjunto edificado formado por 6 artigos urbanos, localizados na Rua das Palhotas, freguesia de São Vicente, em Braga. Não só o conjunto edificado, como também a Rua, onde se insere a pretensão, apresentam uma escala volumétrica desproporcionada, com soluções de desenhos e volumetrias díspares, acentuando ainda mais o desequilíbrio do conjunto. A Rua apresenta um perfil transversal com cerca de 4m de largura e desenvolve-se longitudinalmente através de uma leve pendente descendente no sentido sul/norte, terminando num beco sem saída, junto à Capela Sra. das Injúrias. A proposta apresentada para o conjunto edificado visa uma construção nova de raiz em detrimento da manutenção e conservação das construções preexistentes, com exceção da fachada principal do conjunto preexistente, voltada para a Rua das Palhotas, que foi alvo de manutenção e restauro. A preservação integral da construção primitiva tornou-se inviável, visto que as mesmas se encontravam em avançado estado de degradação e de não apresentarem nenhum desenho, nem nenhuma composição arquitetónica que justificasse manter intacta as suas características originais, já que também não se adaptam ao novo programa pretendido. A manutenção de algum elemento estrutural prejudicaria a tentativa de uma nova linguagem de caráter uniforme e coerente com a restante volumetria proposta. A solução preconizada visa o emparcelamento dos referidos imóveis num único edifício constituído em regime de propriedade horizontal, ocupação estruturada numa perspetiva de enquadramento de conjunto, assumindo assim uma atitude de consolidação. Ao nível exterior, e por forma a respeitar a configuração do cadastro predial, houve a preocupação de transpor para o desenho da fachada principal a métrica das parcelas preexistentes, recorrendo a uma linguagem contemporânea, respeitando, contudo, as características exteriores do conjunto envolvente. Para além do enquadramento acima mencionado, a intervenção teve como objetivo principal a incorporação da fachada preexistente, ao nível do rés-do-chão, de forma a preservar a leitura do conjunto de moradias típicas do Centro Histórico, como referência e memória da Rua e do local da intervenção. A solução volumétrica adotada para o edifício resultou de várias condicionantes impostas pelo local e pelos alinhamentos visíveis das construções contíguas. Procurou-se “coser” a nova proposta volumétrica ao conjunto preexistente numa sucessão de volumes bem definidos, que organizam e definem o volume edificado. A ampliação em profundidade proposta para o empreendimento teve em conta não só a manutenção do espaço já ocupado anteriormente, como também a necessária articulação com os prédios contíguos, assegurando dessa forma as indispensáveis condições de insolação e salubridade do edifício ampliado e dos envolventes. Ao nível da imagem exterior, optou-se por duas atitudes distintas relativamente às fachadas principal e posterior do conjunto edificado. No alçado principal a ampliação proposta assume agora um maior equilíbrio na composição volumétrica do conjunto, optando-se por um desenho de características tradicionais reforçado pelos materiais a utilizar: placas de granito amarelo e azulejo cerâmico, numa conjugação de cores distintas, de forma a distinguir e preservar a tipologia da habitação existente na rua. Em oposição, o desenho da fachada posterior assume uma expressão formal contemporânea em conformidade com o desenho dos espaços interiores do edifício. Visto a caracterização do arruamento preexistente, a Rua das Palhotas, que serve o empreendimento, e após análise profunda sobre a sua potencialidade, verifica-se que o mesmo não tem capacidade física para receber o parque automóvel dos futuros proprietários das frações comercializadas no empreendimento. Nesse sentido, e tendo em conta a perfeita articulação com o conjunto edificado preexistente, propõe-se em todo o perímetro do rés-do-chão uma garagem coletiva, evitando-se dessa forma o constrangimento e o estrangulamento do arruamento exterior. O empreendimento desenvolve-se em 3 pisos, sendo o último piso recuado face a fachada principal. No piso 0, conforme dito anteriormente, propôs-se a criação de uma garagem coletiva composta por 10 garagens individuais e duas caixas de escadas de acesso às frações habitacionais. Nos restantes pisos superiores (piso 1 e andar recuado) encontram-se 10 frações habitacionais de tipologias variadas: 1 fração de tipologia do tipo T1, 7 frações de tipologia do tipo T2 e 2 frações de tipologia do tipo T3. O logradouro posterior está subdividido em 5 parcelas adossados às habitações localizadas no piso 1, com acesso direto realizado através de uma escada exterior de ligação. A distribuição interna das frações habitacionais está hierarquicamente distribuída, garantindo assim as indispensáveis condições de insolação e salubridade adequadas a cada situação.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A intervenção teve como ponto de partida não só as razões económicas, mas sobretudo o interesse na salvaguarda e recuperação do património edificado, de que os Centros Históricos são parte integrante. O restauro do vasto património construído não deverá ser uma preocupação centrada exclusivamente nos monumentos e edifícios históricos mais valiosos. Torna-se indispensável a consciencialização para a necessidade de recuperar o património urbano envelhecido e que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a ser sucessivamente abandonado. Na maioria das cidades portuguesas, o maior esforço com vista à modernização e desenvolvimento, assenta na construção de novos edifícios de habitação, ficando para segundo plano a conservação dos edifícios antigos existentes. O centro histórico de Braga constitui um desses lugares, onde a memória coabita com as constantes mutações que se vão operando, sendo por isso importante a existência de regulamentação sobre o modo de intervir no seu tecido e nos imóveis, para que não se ponha em causa o que, no momento atual, se considera fundamental preservar para o futuro, mas sem esquecer que, em comunhão com o que é antigo, se deve afirmar o tempo presente. Como motivo desta candidatura, sendo o património um dos alicerces fundamentais na afirmação de uma identidade própria é necessário divulgá-lo à fruição pública. Sensibilizar os seus habitantes para a importância do centro histórico na afirmação de cada uma das identidades, para que, a médio prazo, possamos dizer que valeu a pena!