Casa em Amares

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Casa em Amares
Localização: Rua de Pedro Sem Fins, nº 69, Amares
Promotor/dono de obra: Dr. Januário Pinheiro
Arquiteto: Luís Peixoto
Construtor: Const. José Clara – Manuel José Ferraz Pereira & Ca Lda
Data do fim de construção: 14/08/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Peixoto & Monteiro – Arquitectos, Lda
Morada: Rua do Aleixo, N.º 99, Bloco Ca, Hab. 02
Localidade: Porto
Código Postal: 4150-043
Telefone: 919766209
Site: https://luispeixotoarq.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A Casa em Amares resulta da reabilitação e ampliação de uma antiga casa rural proveniente do século XVIII, situada numa zona residencial de baixa densidade, intercalada por terrenos agrícolas e florestais, próxima da Serra do Gerês. Os principais desafios resultaram da necessidade de adaptar a construção existente às exigências e aos padrões do habitar contemporâneo, sem com isso comprometer a coerência compositiva e temporal do conjunto. A proposta divide-se em dois volumes, sendo a expressão autónoma de cada um, o resultado da sua circunstância temporal específica. Essa dualidade traduz-se também ao nível funcional, através de conceções distintas do espaço doméstico que coexistem e se articulam num mesmo conjunto. O volume de entrada na habitação coincide com a casa original, cuja imagem exterior, a estrutura e o sistema de distribuição foram essencialmente mantidos, incluindo a entrada principal, feita tradicionalmente através da cozinha, enquanto espaço central da vida doméstica rural. As características da casa antiga favorecem um ambiente de abrigo e intimidade, devido à sua construção tradicional e pragmática, caracterizada por dispor de compartimentos restritos, muros espessos e vãos reduzidos que condicionam a entrada da luz natural, acomodando funções básicas intemporais, tais como cozinhar e tomar as refeições, cuidado íntimo e repouso. Ao contrário do que sucede na casa antiga, o novo volume configura um open-space, fortemente iluminado e exposto à paisagem, mais propenso à contemplação do exterior do que à interioridade da vida doméstica, distinguindo-se também dos restantes espaços pela sua amplitude e flexibilidade de uso. Por outro lado, enquanto a casa antiga assenta diretamente no terreno, o novo volume é elevado sobre pilares de betão e pousado sobre uma viga reutilizada de um acrescento anterior. A ampliação da casa original toma a forma de um volume em betão aparente, com um vão inteiramente voltado para a paisagem que se estende em toda a sua largura, transportando-a para o interior. A linguagem da construção nova reinterpreta, assim, a lógica construtiva dos espigueiros tradicionais do norte de Portugal, reforçando esta relação através do uso de ripado nas portadas de madeira vermelhas que caracterizam a fachada nascente. Apesar de assumir uma espacialidade, uma linguagem e um sistema construtivo modernos, o novo volume não deixa de estabelecer relações com as tradições locais, do mesmo modo que, num sentido inverso, a casa antiga é adaptada para responder às necessidades do habitar contemporâneo. A estratégia de projeto assentou assim num jogo de confronto e de diálogo entre espacialidades, materiais e formas provenientes de tempos distintos, procurando superar a oposição entre tradição e inovação, e perseguindo uma harmonia dentro do seu contexto e, em simultâneo, trabalhando para a sua revitalização.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A intervenção no edifício “Casa em Amares” garante a preservação do valor histórico do edificado preexistente, uma vez que mantém a linguagem exterior da construção original, recuperando a materialidade, os elementos e as proporções da composição das fachadas. A solução procurou manter, ao máximo, o sistema construtivo original, bem como a própria organização e funcionalidade do espaço interior. A proposta da adição de um volume novo assenta sobre uma viga preexistente, permitindo um uso dos espaços adaptado aos padrões de conforto, flexibilidade do habitar contemporâneo. Para além de reabilitar o património existente procurou-se, de igual forma, garantir um bom e sustentável desempenho energético do edificado, sem nunca comprometer a autenticidade do conjunto. Para este efeito, foram utilizadas soluções eficazes de isolamento térmico nas paredes e nos pavimentos, painéis solares na cobertura, e mecanismos de ventilação natural/transversal, assegurados pela própria orientação e desenho dos espaços interiores. O sistema de portadas brise-soleil da fachada tardoz funciona como dispositivo de sombreamento regulável, equilibrando, manualmente, a entrada de luz natural no interior do edifício. Assim, a proposta reabilita um edifício com valor patrimonial marcado, propondo uma implantação que dialoga com o contexto envolvente, respeitando a identidade e a escala do aglomerado urbano de baixa densidade em que se insere. É, portanto, um projecto que assenta no princípio de preservar e dialogar, com vista a melhorar o lugar/espaço a intervir; e na compatibilização, adequação e adaptação de soluções construtivas e de habitabilidade, antigas e contemporâneas.