Campo Mártires da Pátria 103

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Campo Mártires da Pátria 103
Localização: campo Mártires da Pátria, nº 103, 1150-227, Lisboa
Promotor/dono de obra: Alfapremium, Unipessoal, Lda
Arquiteto: Pedro Carrilho Arquitectos
Construtor: CCivil – Construção Civil, Lda
Data do fim de construção: 11/12/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Pedro Carrilho Lda
Morada: Alameda dos Oceanos, nº142, 2ºB
Localidade: Lisboa
Código Postal: 1990-502
Telefone: 210999377
Site: https://pedrocarrilho.pt/pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O Projeto de Intervenção refere-se a um edifício de habitação localizado num praça emblemática de Lisboa, no também denominado Campo Santana, na freguesia de Arroios, em Lisboa. Como abordagem de reabilitação optou-se por uma operação geral que completasse o processo de requalificação desta zona e, em simultâneo, que se destacasse dos demais edifícios envolventes. Antes do processo de intervenção, esta edificação, com área de construção de 760,95m2, 4 pisos e águas furtadas, evidenciava um estado de degradação bastante acentuado, com diversas vulnerabilidades estruturais e não-estruturais que comprometiam o desempenho habitacional no que concerne à salubridade, segurança e bem-estar, tal como uma apresentação descuidada do lugar. Semelhante a inúmeros edifícios lisboetas, muitas das anomalias construtivas advinham de ausência de manutenção e conservação ao longo de anos que se manifestava na fissuração das paredes, apodrecimento de vigamentos, etc. Face à diversidade, dimensão e gravidade das patologias, considerou-se uma demolição e reconstrução dos espaços interiores com salvaguarda das referências pré-existentes. Em termos arquitetónicos, intentou-se numa preservação do desenho da fachada principal com exceção do revestimento pré-existente - azulejos da década de 90 completamente dissonantes. Aqui surgiu a oportunidade de trabalhar numa nova imagem exterior com valor, em que se definiu um padrão neutro, em tom pérola, que conferiu uma distinção muito subtil à fachada. Ainda neste contexto, para a fachada tardoz optou-se por uma intervenção mais pronunciada para usufruir da exposição às colinas de Santo André (Sr.ª do Monte) e do Castelo, pelo que se abriu um grande vão central que possibilita uma exposição solar incrível. Por este motivo, a opção óbvia de organização interior foi de colocar as zonas sociais das frações para esta “frente”. Neste sentido, ambas as intervenções exteriores ao nível da fachada contribuíram para uma valorização urbanística do quarteirão e do carácter da praça. Com enfoque em incrementar as condições de acessibilidade e habitabilidade indispensáveis, interveio-se na reorganização funcional das frações e desenhou-se 5 apartamentos de tipologia T2, ao invés de T1, T3 e loja da pré-existência. Com esta intervenção assumiu-se um novo piso amansardado nas águas furtadas, em aproveitamento da área de sótão, numa lógica análoga aos demais pisos. Na zona de acessos e circulação, reestruturou-se a caixa de escadas, instalou-se um elevador ‘panorâmico’, redimensionou-se os degraus e substituiu-se a claraboia, conseguindo-se um prolongamento da luz natural e uma interligação visual entre os vários pisos. Em termos da materialidade, optou-se por uma abordagem contemporânea com referência à época original do edifício que se destaca no pavimento em madeira com formato de ‘tábua corrida’, nas cantarias em pedra lioz com acabamento areado, ou nas mansardas em zinco cinzento. Esta nota de diálogo com a pré-existência é sublinhada pela recuperação e destaque do átrio principal em que se aplicou pavimento em pedra lioz, lambril em azulejaria branca com relevo (Viúva Lamego), e um arco em madeira que marca o momento de entrada no edifício. A par do projeto de arquitetura, tudo foi projetado e concretizado com o intuito de implementar critérios de utilização e durabilidade, no que se refere às necessidades térmicas e acústicas, ao desempenho estrutural e antissísmico, e à atualização das redes de infraestruturas que originasse um novo edifício devolvido à cidade.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A candidatura ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana fundamenta-se nas operações de reabilitação das pré-existências relativamente à frente de rua e ao logradouro, bem como na adequação do contexto habitacional às necessidades atuais. Entre os trabalhos de intervenção, destaca-se o processo de seleção e aplicação de azulejos com efeito manual na fachada principal, que remete para o tipo de revestimento tradicional de diversos edifícios em Lisboa. No átrio principal recriou-se um painel de azulejos em cor neutra para enquadra-lo no conceito contemporâneo dos ambientes interiores e, em simultâneo, remeter para as referências arquitetónicas da época original. Neste processo de especificação das materialidades e acabamentos, trabalhou-se em conjunto com a fábrica de azulejaria tradicional portuguesa ‘Viúva Lamego’, em que se definiu padrões, tons e texturas através de ensaios de combinação. No contexto da fachada tardoz, reinterpretou-se a referência ‘marquises/varandas’ do projeto original e desenhou-se uma estrutura metálica adossada à parede exterior, com a qual se pretendeu remeter para a “arquitetura do ferro” e estabelecer ligação com a nova materialidade das mansardas de zinco prepatinado. Além de salvaguardar os valores arquitetónicos e elementos originais que ligam o edifício à história, procurou-se aplicar técnicas atuais e materiais eficientes que conferissem contemporaneidade em termos construtivos.