Casa Conde Alto Mearim

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Casa Conde Alto Mearim
Localização: Matosinhos
Promotor/dono de obra: Mariana Soares e Pedro Meneses
Arquiteto: depA architects
Construtor: FL Construções
Data do fim de construção: 09/04/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: depA architects
Morada: Rua Santa Catarina n925 R/C
Localidade: Porto
Código Postal: 4000-455
Telefone: 915570894
Site: https://www.depa.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A pequena e pré-existente casa faz parte de um conjunto de imóveis no centro da cidade de Matosinhos que persistem como memória e identidade da cidade. A configuração alongada do seu lote contrasta com a dimensão curta e estreita da casa existente. Quando a descobrimos, a casa encontrava-se degradada e o seu corpo principal projectava-se para o logradouro através de vários anexos consecutivos com espaços de quartos e salas diminutos e interiores, sem iluminação nem ventilação natural. Com o intuito de manter a memória que perpetua, deixámos prevalecer o corpo principal da casa criando os ajustes necessários na sua compartimentação. O ponto de acesso à casa foi mantido e é a partir deste que se lança o eixo principal de circulação e extensão da casa na sua profundidade. Anteriormente construído na sua totalidade, o logradouro apresenta agora dois espaços de pátio que permitem manter todos os espaços sociais com uma relação franca com o exterior ajardinado que participa directamente no ambiente do edifício e se estende até à cobertura vegetal, não praticável, sobre a construção serpenteante no logradouro. Já no primeiro piso localizam-se os espaços privados da habitação. O acesso a estes está pontuado por momentos de pé-direito duplo em relação com os espaços no piso inferior e também por aberturas que criam vistas transversais entre diferentes espaços e acentuam a profundidade da composição. Construtivamente, se por um lado procuramos manter as técnicas e os materiais existentes no volume principal e existente da casa, na sua nova extensão na área tardoz assumimos os elementos novos em betão. Há contudo uma contaminação de cores e materiais entre o pré-existente e o novo, como se de um organismo vivo se tratasse. O betão contaminou a fachada principal, no redesenho necessário para introdução do vão de acesso à garagem e à sua integração com o espaço de entrada, aparecendo contudo numa lógica mimética do sistema tectónico existente. O ocre, proveniente do terreno argiloso, contaminou a cor dos muros existentes que circundam o lote e surge também na cor da betonilha do pavimento térreo. A cor, o verde, que pontuava inicialmente apenas o alçado principal, transitou também para o alçado tardoz e os alçados que circundam os pátios e também para as carpintarias interiores trespassando todos os espaços.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Este projeto ilustra dois pontos importantes que caracterizam a forma como entendemos as intervenções de reabilitação urbana em tecido consolidado. Em primeiro lugar, o projeto assume como prioridade a valorização do conjunto em que se insere, vendo-se humildemente como mais uma peça de um puzzle que define a identidade de um lugar inevitavelmente variado e complexo. Em segundo lugar a proposta não nega a possibilidade de inventar uma nova forma de habitar que sintetiza o novo contexto temporal, a vontade dos novos utilizadores e o nosso entendimento de todos os dados que formulam o todo do problema. O anonimato do projeto na sua formulação urbana é consequência do primeiro ponto, já a descoberta do interior e as suas variadas possibilidades de apropriação, são o reflexo do segundo.