Na Travessa

Turístico

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Na Travessa
Localização: Porto
Promotor/dono de obra: Verbos Delicados Lda.
Arquiteto: depA architects
Construtor: Multiformas Lda.
Data do fim de construção: 26/06/2020

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: depA architects
Morada: Rua Santa Catarina n925 R/C
Localidade: Porto
Código Postal: 4000-455
Telefone: 915570894
Site: https://www.depa.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O pequeno edifício da Travessa de São Sebastião, com três pisos, de perímetro poligonal irregular e desenvolvimento torcido em relação ao arruamento dá hoje forma a um pequeno hotel no coração da cidade do Porto. Partindo da intenção de cristalizar o “osso” do edifício em conjunto com os seus elementos existentes originais e caracterizadores, repete-se a matriz tipológica existente, típica nos conjuntos históricos do Porto através do esquema compositivo de escadaria centralizada e iluminada zenitalmente por uma clarabóia localizando-se os espaços de permanência junto das fachadas. A partir da entrada, localiza-se a recepção do estabelecimento cuja composição se prolonga na definição dos restantes espaços de serviço (arrumo, instalação sanitária e cozinha), interrompidos a meio pelo espaço de escadaria colocada num espaço de pé-direito triplo que traspassa todos os pisos e permite que o miolo do edifício viva da luz da nova clarabóia. O restante espaço é aberto em open space e dividido em duas áreas distintas, uma de recepção, junto da entrada, e uma área de pequenos almoços junto do tardoz. O portal de pedra existente no alçado tardoz no rés-do-chão foi mantido como enquadramento na ligação do corpo principal ao logradouro. O anexo existente, com ligação ao corpo principal no rés-do-chão, integra agora um jardim de inverno que prolonga as áreas sociais do edifício e amplia a sua relação com o espaço de estar/jardim criado no logradouro. Nos pisos superiores distribuem-se os quartos duplos semelhantes entre si mas desenhados de forma a aproveitar as idiossincrasias do pequeno edifício. Construtivamente, o edifício encontra uma harmonia entre o uso de materiais tradicionais e elementos pré-existentes tal como a madeira e a pedra, com métodos construtivos contemporâneos. Alguns materiais e elementos de interesse provenientes da demolição foram re-aproveitados fazendo parte da nova composição tal como as grandes vigas de madeira existentes no rés-do-chão, ou os arranjos dos espaços exteriores. As lajes de piso são novas embora assumam uma re-interpretação das lajes de piso tradicionais e típicas na construção burguesa oitocentista e novecentista no Porto. Assim, são compostas por um novo vigamento de madeira em colaboração com uma laje de betão. A cobertura e o saco da clarabóia, reconstruídas com recurso a estrutura de madeira de acordo com as técnicas tradicionais, são deixadas a nu no último piso, valorizando desta forma o espaço interior.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Este projeto transforma um edifício anónimo na malha urbana da zona envolvente da Sé do Porto, aparentemente encravado entre dois “crimes” disciplinares - a provável fatalidade de trabalhar com a “mimetização” na reabilitação de edifícios e a participação no processo de transformação da cidade com um programa "pouco querido" que alimenta procura turística, tantas vezes acusada de expulsar os "habitantes" da cidades. Em resposta, a aparentemente imposta utilização “mimética” dos ingredientes a “cristalizar” é pretexto para nos superarmos e pensarmos em formas críticas de construir espaços que reclamem a sua contemporaneidade. Já programa responde a uma lógica complexa, evolutiva e orgânica que elegeu este local como um dos mais procurados por quem nos visita, mas Entende esse programa como algo efémero (no sentido de não ser perene) quanto comparado com a longevidade do edifício e do aglomerado que este ajuda a compor. O projeto cristaliza o “osso” do edifício sem condicionar futuras apropriações que impliquem alteração de programa.