Amoreiras 43

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Amoreiras 43
Localização: rua das Amoreiras, nº 43, 1250-022, Lisboa
Promotor/dono de obra: MorningChallenge, Sociedade Imobiliária, SA
Arquiteto: Pedro Carrilho Arquitectos
Construtor: Construbel – Engenharia e Construção, Lda
Data do fim de construção: 09/07/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Pedro Carrilho Lda
Morada: Alameda dos Oceanos, nº142, 2ºB
Localidade:
Código Postal: 1990-502
Telefone: 210999377
Site: https://pedrocarrilho.pt/pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O Projeto de Intervenção refere-se a um edifício de habitação unifamiliar em zona de valor patrimonial, com localização na rua das Amoreiras nº 43, na freguesia de Campo de Ourique, em Lisboa. Como abordagem de reabilitação optou-se por uma operação total e multidisciplinar, que possibilitasse destacar este edifício em termos arquitetónicos com valorização urbanística do quarteirão e atenção pelo caráter do lugar. Antes do processo de intervenção, esta edificação, com área de construção de 425,50m2 e 3 pisos, evidenciava um estado de degradação avançado, com diversas vulnerabilidades estruturais e não-estruturais que comprometiam o desempenho habitacional no que concerne à salubridade, segurança e bem-estar. Semelhante a inúmeros edifícios lisboetas, muitas das anomalias construtivas advinham de ausência de manutenção e conservação ao longo de anos que se manifestava na fissuração das paredes, apodrecimento de vigamentos, etc. Face à diversidade, dimensão e gravidade das patologias, considerou-se uma demolição e reconstrução dos espaços interiores com salvaguarda das referências pré-existentes, bem como um tratamento e preservação do alçado de rua. Entre as intervenções de reabilitação considera-se relevante a requalificação da empena sul, em destaque após demolição do edifício contíguo, como fachada principal que se enquadrasse no ritmo das fachadas deste arruamento. As obras de reorganização da praça GCP e a construção do parque de estacionamento subterrâneo vincaram, ainda mais, a importância de resolver este remate de quarteirão com o edifício do nº 43. A nível da reorganização funcional, e ao invés da distribuição antecedente em 4 frações T2 e T3, definiu-se uma habitação unifamiliar com zonas de usos diferenciadas pelos pisos, em que os pisos 0 e 1 destinam-se às atividades sociais como escritório, salas e cozinha, e os pisos 2 e 3 reservam-se para quartos e suite. No logradouro exterior, reestruturou-se as diversas cotas das áreas ajardinadas, terraço e piscina, com vista desde a sala de estar. Em termos da materialidade, optou-se por uma abordagem contemporânea com referência à época original do edifício que se destaca no pavimento em madeira com formato herringbone, nas cantarias em pedra lioz com acabamento areado, ou nas mansardas em zinco cinzento. A par do projeto de arquitetura, tudo foi projetado e concretizado com o intuito de implementar critérios de utilização e durabilidade, no que se refere às necessidades térmicas e acústicas, ao desempenho estrutural e antissísmico, e à atualização das redes de infraestruturas que originasse um novo edifício devolvido à cidade.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A candidatura ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana fundamenta-se nas operações de reabilitação das pré-existências relativamente à frente de rua e ao logradouro, bem como na adequação do contexto habitacional às necessidades atuais. A nível arquitetónico, procedeu-se à limpeza e recuperação das cantarias de lioz, reparação da balaustrada no piso amansardado, recuperação da porta de entrada, num quadro de preservação do desenho exterior do edifício. Neste sentido, optou-se por uma cor neutra para as fachadas que conferisse coerência e harmonia de conjunto, especialmente com a praça e igreja adjacentes. Em termos urbanísticos, propôs-se um desenho de continuidade com a construção original para remate de quarteirão e frente de praça, através de uma estrutura compositiva hierárquica sem recorrer à repetição monótona dos vãos. Cada piso tem um traçado diferente que destaca o tipo de função habitacional subjacente, em que as áreas sociais possuem maior permeabilidade por oposição às zonas privativas. Além de salvaguardar os valores arquitetónicos e elementos originais que ligam o edifício à história, procurou-se aplicar técnicas atuais e materiais eficientes que conferissem contemporaneidade em termos construtivos.