Quinta da Francesa - Edf. Principal

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Quinta da Francesa - Edf. Principal
Localização: Rua do Souto nº283, Maia
Promotor/dono de obra: privado
Arquiteto: Joana Leandro Vasconcelos (Atelier in.vitro)
Construtor: CS Construtora
Data do fim de construção: 01/12/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Atelier in.vitro
Morada: Rua Guerra Junqueiro 505, 1º piso, sala J
Localidade: Porto
Código Postal: 4150-389
Telefone: 222449902
Site: https://www.atelierinvitro.com/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A Casa Principal da Quinta da Francesa é parte integrante de um conjunto de edifícios, jardins e área de cultivo, e assume o papel protagonista nesse conjunto. O edifício foi desde a sua origem destinado a habitação, tendo sofrido ligeiras alterações ao longo dos tempos, mas foi nos últimos anos, em que se encontrou devoluto, que se deu a maior degradação dos seus elementos construtivos. Casa burguesa típica de zona rural, o edifício implanta-se à face da rua, com as restantes frentes viradas para o interior da Quinta, e desenvolve-se em três pisos, um deles em sótão. A ligação entre os três pisos é feita através de uma grande escadaria em madeira, localizada na zona central da casa, que faz também a distribuição horizontal para os diversos espaços. Pretendia-se reabilitar o edifício, conferindo-lhe a nobreza do carácter inicial e, ao mesmo tempo, adaptá-lo às exigências da forma de habitar contemporânea. Nesse sentido, procurou-se tirar partido das pré-existências, reabilitando-as sempre que possível, assumindo, nas zonas mais alteradas ou em pior estado de conservação, uma linguagem mais contemporânea. No piso térreo foram distribuídos os espaços sociais, mantendo-os amplos, mas reorganizando-os de acordo com a utilização pretendida, enquanto que no primeiro piso foram distribuídos os espaços de uso privado, tendo sido necessária a criação de novas instalações sanitárias que se instalaram em espaços existentes. No piso do sótão, por se encontrar em pior estado de conservação, a intervenção foi maior, sendo necessária a substituição integral dos elementos estruturais e construtivos, por réplicas dos existentes, o que levou ao redesenho dos espaços interiores de uma forma mais contemporânea, através de espaços mais amplos e aproveitando os desvãos da cobertura para a criação de armários.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A presente candidatura refere-se ao projecto de reabilitação de uma quinta existente na Maia, composta por diversos edifícios, jardins e área de cultivo, conhecida como a Quinta da Francesa. O conjunto é propriedade privada e sempre foi utilizado como habitação unifamiliar, mas as suas características paisagísticas e arquitectónicas, diferenciam-no do património corrente e elevam-no a elemento representativo de um legado patrimonial em riscos de se perder. A cidade da Maia foi, desde sempre, muito ligada à agricultura e a sua arquitectura vernacular foi traduzindo esta vivência, através das várias casas de lavoura, conjuntos agrícolas ou grandes quintas que podíamos encontrar percorrendo o seu território. Ao longo do tempo, com a construção de diferentes acessos viários ao Porto e com o aumento da mobilidade, a Maia converteu-se numa espécie de “dormitório do Porto”, oferecendo soluções de habitação mais económicas, e levando à destruição de diversos exemplos desta arquitectura rural. Com o risco da perda desta arquitectura rural, que tem vindo a ser suprimido e/ou diminuído nas suas áreas, é premente zelar pela preservação deste legado cultural de elevado valor patrimonial. A Quinta da Francesa, situada em pleno centro da cidade da Maia, e inserida num conjunto que, até bem recentemente, exibia características rurais, através da escala e da malha urbana, é um claro exemplo desta arquitectura que se pretende proteger. Consideramos que esta candidatura é essencial para a protecção deste tipo de património que, sendo corrente pela sua utilização (habitação), é representativo de um povo, de uma cultura e de tradições que interessa preservar.