Casa da Família Siza Vieira

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Casa da Família Siza Vieira
Localização: Rua Roberto Ivens, 582, Matosinhos
Promotor/dono de obra: Câmara Municipal de Matosinhos
Arquiteto: Álvaro Siza Vieira
Construtor: Matriz
Data do fim de construção: 15/10/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Câmara Municipal de Matosinhos
Morada: Avenida D. Afonso Henriques
Localidade: Matosinhos
Código Postal: 4450-454 MATOSINHOS
Telefone: 229390900
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

A Casa da Família Siza Vieira na Rua Roberto Ivens, 582 em Matosinhos é um edifício de rua que ocupa quase toda a frente do lote, existindo apenas estreitas passagens laterais que fazem com que a construção descole das construções vizinhas e tenha, na realidade, 4 fachadas. Implanta-se num lote de 423m2 e tem cerca de 260 m2 de área bruta. Tem 3 pisos, embora o piso de entrada tenha um pé-direito mais baixo do que o do resto da casa. O telhado tem 4 águas e na parte voltada à rua é escondida por um frontão. Não obstante o frontão, há um beiral de conformação tradicional que vira em direcção às fachadas lateria e contorna toda a casa, inclusive a fachada voltada ao jardim. A fachada principal da casa tem um desenho reduzido ao essencial. É de composição simétrica, em torno da porta central sobre a qual se localiza uma pequena varanda em pedra. Foi construída em meados do séc. XIX, por José Gonçalves de Lima Camacho, um "torna-viagem" que enriqueceu no Brasil, bisavô materno de Álvaro Siza. Depois de vários anos ocupada por outras pessoas, o pai de Álvaro Siza decidiu alugá-la e mudar-se para ali com a sua família, em 1949. Nessa altura a instalação da família na casa de Roberto Ivens fez-se sem que fossem feitas obras de monta, que vieram a ser feitas mais tarde seguindo já projecto seu. Foi 1961 que foram feitas as obras que lhe deram a configuração que tem hoje. As alterações que propôs incluíram a incorporação na sala de uma marquise existente na fachada ligada ao jardim, a abertura das salas entre si e ainda a criação de um espaço de escritório para o pai. Neste projecto é possível sentir já a influência da arquitectura contemporânea, nomeadamente no desenho das caixilharias exteriores. Na fachada principal, as caixilharias de guilhotina em madeira esmaltada e a porta de entrada em madeira à vista são exemplo disso. Na fachada posterior e com um desenho assumidamente novo, há uma marcação acentuada de dois panos de envidraçado, correspondentes à sala e aos quartos. A intervenção de 2009 pouco alterou relativamente à intervenção feita nos anos sessenta. A intervenção ficou mais pela reforma das redes infraestruturais, e tudo o resto se manteve no essencial. Mesmo a adaptação das novas funções se fez sem conflitos e os espaços pré-existentes acolheram as novas funções sem alterações significativas. As obras realizadas em 2021 tiveram um carácter de restauro, tendo sido feitas pequenas adaptações às novas funções. A casa será residência artística para convidados e investigadores, bem como espaço expositivo para exposições pontuais. As obras realizadas foram no essencial as seguintes: Restauro das caixilharias exteriores da fachada principal, execução de novas caixilharias na fachada posterior, pintura exterior de todo o edifício, substituição do pavimento em soalho onde se encontrava danificado, pinturas interiores de paredes, portas e rodapés, reabilitação da cozinha e quartos de banho, sendo adaptados à nova função.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

Há casas que valem por si próprias, outras pelas histórias que encerram e de que foram palco e testemunhas. Outras pelas duas coisas. Como escreveu o Arquitecto José Salgado, na sequência de uma entrevista ao Arquitecto Álvaro Siza, "cada casa é um caso". A casa da Rua Roberto Ivens inscreve-se no grupo de casas que valem por quem lá viveu, pelo que lá se viveu e que também valem por si e que, por tudo isso, se pretende que perdurem. E é no sentido de reconhecer e valorizar todas essas dimensões – a histórica, a arquitectónica e a patrimonial, que a Câmara Municipal de Matosinhos decidiu em 2007 adquirir esta casa e agora decide candidatá-la ao Prémio Nacional de Reabilitação Urbana. O facto de nesta casa ter vivido a família do Arquitecto Álvaro Siza e ele próprio, na sua adolescência e juventude, e de ela ser hoje o resultado das suas intervenções em diversos momentos e saberes adquiridos, antes e depois de obter o diploma de Arquitecto, é certamente o que mais revelante se identifica e que foi incontornável para esta decisão do Município. Contudo, mais do que tudo isso: a casa Roberto Ivens revela e é a sua própria identidade, uma marca que acompanha todo o seu percurso e toda a sua obra e que os torna – percurso e obra – diferentes. Uma marca distinta e inconfundível do autor, assente num desenho cuidado, detalhado até ao mais inesperado pormenor, que, pela sua mão viaja no tempo sem preconceitos.