Casa Olidouro

Residencial

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Casa Olidouro
Localização: Oliveira do Douro, Gaia, Portugal
Promotor/dono de obra: Helena Maria Neves Moreira
Arquiteto: oitoo
Construtor: Eusébio Engenharia
Data do fim de construção: 10/10/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: oitoo
Morada: Rua António José da Silva, 63
Localidade: Porto
Código Postal: 4200-082
Telefone: 960068466
Site: https://oitoo.pt
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

Casa Olidouro Ainda que os charmosos centros históricos das nossas principais cidades sejam a face mais visível e fotogénica da “renovação urbana”, é imperativo que o mesmo esforço se estenda às imensas periferias urbanas que cresceram exponencialmente a partir dos meados do século XX. Nos últimos 50 anos, a expansão dos perímetros das cidades produziu uma fusão entre os territórios rurais e urbanos, produzindo um novo tecido híbrido onde é difícil estabelecer as diferenças e os limites entre o que é “rural” ou “urbano”. As construções nestes territórios são os testemunhos da informalidade e hibridização resultante de décadas de construção feita na ausência de planos reguladores e de ordenamento. Frequentemente um “armazém” ocupava o antigo talhão rural, sendo posteriormente transformado em habitação com o simples acrescento de um piso sobre a zona logística. Com o tempo, os requisitos modernos de conforto foram introduzindo sucessivos “melhoramentos”. Os resultados, por vezes surpreendentes na sua síntese entre sensibilidades vernaculares e possibilidades da construção moderna, só muito raramente envolveram projetos feitos por profissionais. A oitoo recebeu um pedido para renovar uma casa na periferia do Porto, perfeitamente enquadrada na génese anteriormente descrita. O briefing inicial, que previa apenas a resolução de problemas urgentes de melhoria de conforto e eficiência energética, foi alargado quando se reconheceu a oportunidade para se criar uma estratégia de melhoria global da estrutura existente, procurando uma nova coerência e intencionalidade arquitetónica. Primeiro identificaram-se com pragmatismo, os pontos críticos a resolver: o rés do chão, anteriormente ocupado por uma garagem, com um pé direito reduzido e um layout confuso; a “frente” da casa, preocupada em transmitir um efeito de representação, virando-se para a rua de acesso, pequena e movimentada; o interior que não estabelecia uma relação com o generoso quintal, virado a poente... A proposta concentrou-se então em re-imaginar a esta Casa enquanto um espaço preparado para receber as grandes reuniões familiares: o rés do chão é reconfigurado de forma a criar um novo espaço, contínuo mas segmentado em três momentos de aproximação ao renovado jardim. Uma nova e generosa relação do interior com o exterior é encenada com a junção de um novo espaço: um jardim de inverno com um espaço de pé direito duplo, para onde convergem os dois pisos da casa. A adição do jardim de inverno estabelece a nova “face” da casa, invertendo a antiga lógica de representação, propondo uma nova hierarquia em que a fachada principal não é a que se vê da rua mas sim aquela que abre ao jardim e onde se estabelece o novo núcleo do convívio familiar. Atuando como um espaço intermédio, este novo espaço articula todos os níveis da casa com o jardim, regulando o comportamento energético da casa de forma passiva e garantindo que o conforto é conseguido reduzindo ao mínimo essencial o consumo energético. Arquitectura: oitoo Localização: Oliveira do Douro, Gaia, Portugal, 2019-2021 área do lote: 1000m2 área de construção: 300m2 créditos fotográficos: adriano mura

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A candidatura da Casa Olidouro ilustra um âmbito menos explorado do tema da Reabilitação Urbana: não falamos aqui dos imóveis com pedigree ou das adaptações de construções centenárias, mas sim dos edifícios anónimos que surgiram nas periferias das nossas cidades a partir da segunda metade do século XX. Ainda que, afectivamente, seja difícil reconhecer estes territórios híbridos como parte do nosso universo urbano, eles constituem a vasta maioria da superfície urbanizada do nosso país. Assim sendo, é urgente apontar o foco da reabilitação para as zonas que surgem fora das manchas das ARU's. A Casa Olidouro constitui uma possível resposta ao tema da reabilitação, nestas circunstâncias: uma intervenção numa casa anónima na periferia do Porto, que procura uma estratégia de projeto capaz de melhorar as suas condições de habitabilidade, enquadrando-a nos standards contemporâneos de conforto e eficiência energética, mas também uma nova imagem arquitectónica, específica e reconhecível, capaz de dar significado a este lugar, tornando-o o fulcro da vida familiar dos seus proprietários.