Reabilitação do Paço dos Condes De Ourém

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: Reabilitação do Paço dos Condes De Ourém
Localização: Ourém, Portugal
Promotor/dono de obra: Câmara Municipal de Ourém e Fundação Casa de Bragança
Arquiteto: João Mendes Ribeiro
Construtor: Consórcio ACA, Engenharia & Construção, SA e Revivis – Reabilitação, Restauro e Construção, Lda
Data do fim de construção: 01/07/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: João Mendes Ribeiro Arquitecto Lda
Morada: Rua de Tomar 1 esquerdo
Localidade: Coimbra
Código Postal: 3000-401 Coimbra
Telefone: 961693576
Site: None
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

No Paço dos Condes de Ourém, a intervenção baseou-se em obras de conservação que envolveram a reparação de materiais e elementos deteriorados, bem como a introdução de sistemas construtivos consentâneos com a reconstrução e restauro executados pela Direcção Geral dos Edifícios e monumentos Nacionais (DGEMN) entre os anos 1936 e 1947. Partindo dos indícios da existência de dois níveis acima do piso de entrada e de três níveis sobre a cave a poente, propôs-se a colocação de novo pavimento, em soalho de madeira de castanho, ao nível do piso 0, onde se verificavam irregularidades no pavimento, e em parte do piso 1 (a nascente), sobre as paredes divisórias em pedra. No caso dos pisos elevados, propôs-se a reutilização dos cachorros de pedra, bem como dos negativos nas paredes, para apoio de vigas e barrotes de madeira. Os procedimentos de conservação e restauro das fachadas existentes decorreram de forma a solucionar os fenómenos de alteração e degradação existentes, através da utilização de materiais quimicamente compatíveis com os originais. Garantiu-se, desta forma, a reversibilidade de materiais e técnicas assegurando a integridade física e restituindo a homogeneidade e as características inerentes à sua conceção e construção, garantindo assim a sua salvaguarda para o futuro. As restantes intervenções consistiram no encerramento de vãos com caixilharia em latão e vidro simples, na reposição da cobertura do edifício do Paço e na introdução de novas infra-estruturas técnicas. Pretendia-se ocultar a caixilharia, para acentuar a leitura dos vãos como “buracos” e enfatizar as qualidades plásticas da ruína e, nesse sentido, foi utilizado um perfil esbelto, oculto pelo exterior. O vão de entrada no edifício do Paço, cuja moldura em pedra era irregular, foi recuperado com a introdução de uma nova soleira em pedra, um patamar em gradil de latão e uma porta de madeira em riga velha. Foi também acrescentado um guarda-vento em latão. A nova cobertura do Paço é constituída por junta agrafada de zinco, incluindo isolamento e impermeabilização, colocada sobre o forro de madeira de castanho e das novas vigas, apoiadas sobre os cachorros de pedra existentes. Apresenta quatro vertentes que conduzem as águas pluviais até uma caleira perimetral, onde são recolhidas por gárgulas em bronze fundido, com o formato de um prisma triangular. As gárgulas estão localizadas no alçado poente e nascente, projectando as águas diretamente para a varanda inferior ou para o terreno. A sua localização foi avaliada em obra, de forma a aproveitar as aberturas existentes, efectuadas pela DGEMN (nas campanhas realizadas nos anos 30 e 40 do século XX). A varanda, por sua vez, é revestida a zinco e possui um passadiço em grelha metálica, onde se fixa um guarda-corpos. É dotada de pendentes adequadas para encaminhar as águas pluviais até um segundo conjunto de gárgulas, também em bronze mas de secção circular, que as dispersarão no terreno envolvente. A introdução dos equipamentos de iluminação e segurança, indispensáveis à utilização do espaço interior, tem uma expressão mínima no edifício, pois é encaminhada, de forma dissimulada, sob os pavimentos e tectos em tubos de latão. Esta forma de instalação evita a intervenção nas paredes, que se pretende que permaneçam intocáveis, sem, todavia, diminuir a flexibilidade da utilização futura do espaço. O sistema de iluminação é constituído por luminárias suspensas dos tectos, que não afectam as paredes existentes e acentuam o carácter museológico do edifício. O espaço de entrada funciona como recepção e distribuição, com acesso para duas salas de exposições a nascente, bengaleiro a sul, e para a sala polivalente, a poente. O acesso ao arrumo situado na cave, sob a sala polivalente, será condicionado e feito através de uma escada oculta sobre um alçapão. O acesso ao piso 1, onde funcionará um espaço amplo para exposições ou eventos de grupo, é assegurado por uma nova escada em madeira de castanho, com guarda e corrimão em latão. O patamar intermédio desta escada fica suspenso a partir de uma viga metálica por meio de dois varões, e é fixo, pontualmente, à parede existente e à nova viga de pavimento. O espaço do piso 1 tem pé direito duplo e a cota do seu piso relaciona-se com a cota da janela conversadeira, recriando assim o nível do pavimento que se presume ter existido. Será um espaço equipado com sistema apropriado à exibição dos conteúdos museológicos, de carácter temporário ou definitivo. Esse sistema é constituído por estruturas flexíveis e modulares, amovíveis, que permitem formar paredes autoportantes, para exposição de peças na vertical, ou criar suportes horizontais, em forma de mesas contínuas.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A ideia que preside à concepção do projecto de reabilitação do Paço dos Condes de Ourém para Espaços Museológicos é a de intervir num património construído e de retirar o monumento do silêncio, para lhe conferir novas valências funcionais e condições de visita qualificadas. Esta operação de reutilização, tantas vezes meio único de manter e conservar os edifícios, visou a manutenção da integridade do conjunto, na sua coerência formal, compositiva e construtiva. Considerou-se que as intervenções deviam basear-se no princípio da mínima afectação, proporcionando uma leitura actual do monumento e, simultaneamente, clarificando a sua evolução histórica. Pretendeu-se seguir os princípios de restauro e de conservação do património construído definidos na Carta de Veneza, aprovada em 1964, e consagrados no documento internacional - a Carta de Cracóvia - em 2000, tendo como objectivo conservar e valorizar os valores estético e histórico do monumento, baseando-nos no respeito estrito pela substância antiga do documento autêntico. A intervenção proposta teve como objectivo a conservação do edifício classificado e a criação de um espaço habitável, com condições para albergar um centro de interpretação do monumento. A intervenção visou, por um lado, assegurar a preservação da integridade física do edifício, através de obras de conservação que envolveram a reparação de materiais e elementos deteriorados pela acção do tempo e a introdução de sistemas construtivos consentâneos com os indícios deixados pelas operações de reconstrução e restauro executados pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) e, por outro lado, dotar o Monumento de condições propícias à sua preservação e à futura fruição por parte da comunidade. Os procedimentos de conservação e restauro das fachadas existentes decorreram de forma a solucionar os fenómenos de alteração e degradação existentes, através da utilização de materiais quimicamente compatíveis com os originais. Garantiu-se, desta forma, a reversibilidade de materiais e técnicas assegurando a integridade física e restituindo a homogeneidade e as características existentes. Localizado no Centro Histórico de Ourém, o Paço dos Condes de Ourém preservou o seu valor histórico e arquitetónico, dinamizando a Vila Medieval de Ourém, criando novas dinâmicas de regeneração e revitalização, potenciando a visita de turistas, assim como a fruição cultural por parte da comunidade local.