CENTRO INTERPRETATIVO DAS ÁGUAS DE CANEÇAS

Impacto Social

DESIGNAÇÃO DA INTERVENÇÃO URBANA:
Nome: CENTRO INTERPRETATIVO DAS ÁGUAS DE CANEÇAS
Localização: Rua do Pinhal Verde, n.º2, Caneças
Promotor/dono de obra: Município de Odivelas
Arquiteto: David Dionísio
Construtor: Inovplena - Construções, Lda
Data do fim de construção: 09/07/2021

ENTIDADE QUE APRESENTA A CANDIDATURA: Empresa: Município de Odivelas
Morada: Rua Guilherme Gomes Fernandes 72, Quinta da Memória
Localidade: Odivelas
Código Postal: 2675-368 Odivelas
Telefone: 219320000
Site: https://www.cm-odivelas.pt/
APRESENTAÇÃO BREVE DA INTERVENÇÃO URBANA:

O Projeto para o Centro Interpretativo das Águas de Caneças centrou-se numa abordagem integrada de reabilitação da sua peça primordial: a Fonte das Piçarras, localizada da Rua do Pinhal Verde em Caneças, Odivelas. Neste espaço foi idealizado um equipamento cultural com o objetivo de revelar a história e tradições ligadas à exploração e comercialização da água em Caneças, que remontam às redes hídricas que comunicam com o aqueduto das Águas Livres e ao dinamismo comercial da captação transporte da água, antes da implementação generalizada do abastecimento público de água nas cidades e povoações. A Fonte das Piçarras integra o conjunto das cinco fontes de Caneças, classificadas de Interesse Municipal, publicado no Boletim Municipal de 14 setembro 2004. Inicialmente construída no final do século XIX, a Fonte das Piçarras evidenciou-se com a sua fachada de estilo neomanuelino, construída entre 1933 e 1935, descendente de um gosto revivalista que se prolongou pelas primeiras décadas do século XX. O projeto do Centro Interpretativo seguiu diretrizes bem definidas sustentadas numa conceção sensorial pretendida para o local. A presença de água é assumida de forma visual e sonora, criando um contexto ambiental adequado para este equipamento. Seguindo as várias perceções do lugar, verifica-se que a densa ornamentação que caracteriza a fonte combinada nas suas proporções, conferem-lhe um impacto visual de elevado interesse, anteriormente incógnito e intangível. O objetivo desta intervenção passou por “libertar” a fachada da fonte para o exterior sem comprometer a sua integridade. Por se tratar de um espaço dedicado à água, os seus elementos locais, tais como os poços e tanques existentes, foram recuperados e integrados no contexto arquitetónico da intervenção. O contacto do novo edifício com os elementos construtivos e ornamentais originais é limitado por vãos lineares que criam uma aparente fronteira visual entre duas linguagens arquitetónicas distintas de duas épocas distintas, mas que coexistem de forma equilibrada e tranquila. Estão previstos dois acessos à propriedade por pátios internos transitórios nivelados com o respetivo passeio. A entrada principal conduz diretamente ao pátio central do espaço, que é limitado pela fonte, um espelho duplo de água e o novo edifício. A organização interior enquadra-se nas características de um pequeno espaço museológico, com percursos bem definidos e posições-chave para receção, loja e cafetaria. Está previsto um amplo espaço expositivo/polivalente com pé direito duplo e mezanino, de onde se acede ao segundo pátio associado à cafetaria. Um elevador atende simultaneamente pessoas e cargas para superar os desníveis existentes. Num piso superior, que ocupa grande parte do restante espaço a norte do lote, temos o local para jogos de água em open space, com um carácter mais lúdico-infantil e em sintonia com a última fase expositiva. A construção deste equipamento pautou-se por duas formas distintas de intervenção. Temos a edificação com características contemporâneas, assentes numa tipologia construtiva com sistema de pilares, paredes e lajes em betão armado, compartimentação interior em alvenaria de tijolo, cobertura com chapa sanduíche sobre laje de esteira, pavimentos geralmente em porcelanato, paredes estucadas e pintadas ou cerâmicas em mosaico, tetos falsos em gesso cartonado acústico, caixilharia com certificação energética e sistema de isolamento térmico no exterior com sistema “ETICS”. No que diz respeito à Fonte das Piçarras, a intervenção centrou-se na reabilitação estrutural da cobertura utilizando materiais e sistemas construtivos em madeira, idênticos aos originais. O plano das arcadas de betão moldado, que apresentava percetiveis desvios de prumada e deslocamentos diferenciais, anunciava riscos evidentes de estabilidade. Foi alvo de operações cautelosas e faseadas de reposicionamento e reforço estrutural integrado. As operações específicas de restauro foram sustentadas numa perspetiva ética, procurando revelar a autenticidade que o tempo foi obstruindo ou degradando. Estes trabalhos realizaram-se em todo o seu legado decorativo, que incluiu intervenções em cimento moldado, gesso, azulejos, alvenaria, carpintaria e manutenção e catalogação do equipamento existente original.

MOTIVO DA CANDIDATURA:

A reabilitação da Fonte das Piçarras foi parte integrante de uma estratégia de salvaguarda e divulgação do património histórico do município. Criou-se deste modo o contexto apropriado para integrar neste projeto um polo cultural na vila de Caneças, materializado pelo Centro Interpretativo das Águas de Caneças, consubstanciando o valor patrimonial do conjunto das fontes de Caneças com um novo equipamento que deverá agregar e evidenciar todo o espólio artístico e documental existente. Esta reabilitação vem assim com uma premissa de criar um diálogo coerente entre o objeto da fonte que passou por todo um processo de estabilização, conservação e restauro, com uma nova peça arquitetónica contemporânea. A metodologia projetual representou neste contexto um desafio, sobretudo na conceptualização da proposta, que, assente nos princípios da doutrina sobre conservação e recuperação, emergiu uma interpretação ética que guiou o projeto do centro interpretativo. O Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, que reúne consenso quanto ao seu papel na divulgação e promoção das boas práticas de reabilitação, tem igualmente uma incidência transversal que permite distinguir as diversas escalas de intervenções e valências funcionais no edificado existente. As políticas municipais em Odivelas têm sido particularmente empenhadas na reabilitação do seu património. Neste contexto, a divulgação e reconhecimento das obras de reabilitação contribuem para a promoção das opções estratégicas de reabilitação urbana, onde os municípios têm um papel decisivo, tanto no legado que deixam no seu património construído como através das diversas instituições e agentes económicos.