Nome: Rosa Araújo 49

Localização: Rua Rosa Araújo, 49

Promotor / Dono de Obra: ESAF - Espírito Santo Fundos de Investimento Imobiliário, S.A.

Arquiteto: Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus

Construtor: Concretoplano

Mediador Imobiliário: Cobertura; Porta da Frente

Data do fim de construção: 01/06/2012

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: No centro financeiro de Lisboa, a ESAF – Espírito Santo Fundos de Investimento Imobiliário, S.A. desenvolveu um projecto de reabilitação do edifício n.º 49 da Rua Rosa Araújo, alterando-o e requalificando-o, restituindo-lhe o uso habitacional mantendo a traça e a história arquitectónica. A execução do projecto foi levada a cabo por uma parceria entre os arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus.

O edifício encontra-se abrangido pela Classificação do Espaço Urbano como ‘Área Consolidada de Edifícios de Utilização Colectiva Mista’ e pela Zona Especial de Protecção Conjunta dos Imóveis Classificados da Avenida da Liberdade e Área Envolvente. Em cumprimento do disposto no Regulamento do PDM de Lisboa foram construídas 2 caves para estacionamento.

O edifício integra-se num lote com 630,00 m2, tem uma área de implantação de 479,50 m2 e área bruta de construção total de 3.713,22 m2, com 2.742,70m2 de habitação e 970,52 m2 de estacionamento.

O edifício tem 6 pisos. Foram recuperadas as fachadas e requalificou-se o uso habitacional, subdividindo o apartamento por piso em dois. Como excepção à regra apresentam-se as tipologias do piso 1, onde para aproveitamento dos espaços exteriores (piso 0), se desenvolvem em duplex, e o piso 5, que pelas características especiais, é ocupado por um único fogo. A opção do desenvolvimento longitudinal das tipologias advém duma aproximação à lógica da utilização do espaço tradicional: área social para a frente, e área privada resguardada para trás.

Foi realizada a ampliação do último piso do edifício, cujo o corpo segue a forma do edifício existente, embora ligeiramente recuado, destacando-se através do desenho e material.

Conceptualmente, optou-se por uma racionalidade da imagem proposta reconhecendo o módulo como matriz que regula o redesenho da cobertura numa abstractização global, conferindo uma uniformidade no sentido do objecto que ‘fecha’ o edifício existente. No corpo da ampliação, acentua-se a abstracção através do revestimento modular em zinco, estendendo-o às portadas das janelas com a mesma dimensão dos painéis /parede.

Enaltece-se a qualidade arquitectónica e espacial do edifício. Recuperam-se integralmente as fachadas existentes e devolve-se a nobreza aos elementos decorativos.

Motivo da Candidatura: O edifício n.º 49 é representativo do período romântico do início do séc. XX, projecto original do arquitecto Nicolas Bigaglia, apresenta-se como um exemplo de habitação colectiva para a classe média alta/alta da época.

Com um apartamento por piso, e onde o r/c se destaca por ter acesso directo a partir da rua com escada e porta como elemento central da fachada, revelava áreas demasiado generosas e tipologicamente obsoletas. Eventualmente por esta disposição e pela localização numa zona de serviços tão importante em Lisboa, os pisos foram sendo ocupados sucessivamente por escritórios, restando apenas no último o seu uso habitacional.

Propôs o promotor recuperar o seu uso original, que tanto falta às zonas “desertificadas” de Lisboa e relevar a importância que elementos urbanos de excepção representam na imagem da cidade. Foi entendido que às estruturas urbanas existentes devem acrescentar-se outras cuja espacialidade se adapte às contingências definidas pelas formas actuais de “habitar”, promovendo a revitalização de edifícios e dando um novo enquadramento ao passado.

Desta forma, a solução apresentada assentou numa avaliação cuidada do programa e edifício tendo como principio a recuperação e valorização do mesmo.

O edifício insere-se no período compreendido entre 1900 e 1920, com construções mais débeis e vulneráveis do ponto de vista estrutural, designadas por “gaioleiros”. Para além das tipologias existentes denotarem uma difícil adaptação às exigências actuais de habitabilidade, e da fraca qualidade dos materiais de construção, vários são os factores que contribuem para a fragilidade estrutural deste tipo de edifícios.

A degradação do edifício e a obsolência das tipologias existentes requereram uma intervenção de forma a adoptar outras soluções no que respeita às formas actuais de habitar e requisitos espaciais.

Com este projecto procurou criar-se uma nova espacialidade, que se adaptasse às contingências definidas pelas formas actuais de “habitar,” promovendo a revitalização do edifício e dando um novo enquadramento ao passado.

 

Poster: