Nome: Plataforma das Artes e da Criatividade

Localização: Guimarães, Portugal

Promotor / Dono de Obra: Câmara Municipal de Guimarães

Arquiteto: Pitágoras Arquitectos

Construtor: Casais Engenharia e Construção, SA

Data do fim de construção: 22/06/2012

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: Os edifícios que constituem o Mercado Municipal e o espaço por eles definido, habitualmente designado como “a praça”, nome que adquiriu da anterior praça do mercado, são, em conjunto, elementos caracterizadores da paisagem urbana da cidade de Guimarães. O recinto do antigo mercado municipal dispunha de uma localização privilegiada, com excelentes acessos e extremamente central, muito próximo da Praça do Toural e do centro histórico.

Com este projecto, de transformação da praça do mercado num espaço multifuncional, dedicado à actividade artística, cultural e económico social, no âmbito da Capital Europeia da Cultura de 2012, concretizou-se a recuperação de uma área fundamental do espaço da cidade, reintegrando-a física e funcionalmente na malha urbana.

O programa previsto definia um conceito claro e os objectivos que se pretendia alcançar com esta infraestrutura. Para o efeito foram definidas três grandes áreas programáticas:
    Centro de Arte, 
    Laboratórios Criativos (gabinetes de apoio empresarial),
    Ateliers Emergentes de Apoio à Criatividade,

Optou-se por uma metodologia de intervenção que passa pela recuperação do edifício existente a nascente, com manutenção de materiais e texturas, mas procedendo a uma reformulação interior, ao nível do piso 0. Para a ala norte, e pelas razões anteriormente apontadas, recupera-se o alçado voltado para a Avenida que caracteriza o edifício, tendo-se optado, no que respeita ao seu interior e alçado da praça, pela sua quase integral demolição.

O novo edifício assume uma linguagem radicalmente diferente, por contraste com a envolvente, quer do ponto de vista da sua expressão e imagem, descontínua e repetitiva, quer pela sucessão de volumes, com cheios e vazios, acentuados pela justaposição de superfícies contrastantes. Os revestimentos utilizados, uma grelha de perfis metálicos em latão e superfícies de vidro cromatizado, em fachada ventilada, acentuam uma variação de texturas que se pretende evidenciar, mais opaca e densa na maioria das faces, no caso da estrutura metálica, e veladamente transparente quando se trata da superfícies de vidro que dissimulam intencionalmente as poucas aberturas que o edifício comporta.

Esta sucessão de volumes e elementos dissonantes, que resultam da decomposição do volume inicial, foi originada pela necessidade de criar uma multiplicidade de espaços diferentes na área expositiva, criando uma tensão evidente na volumetria do edifício e na relação com o espaço da praça, tornando-se a principal característica do seu desenho.

Para a praça formulamos uma proposta com um desenho francamente mais asséptico e revestimento em grandes lajes de betão, como contraponto dos edifícios envolventes, caracterizando-se como a grande zona de recepção e reunião multifuncional, traduzindo-se numa plataforma física, sintetizando a sua vocação de espaço público por natureza. Será uma área propositadamente pouco equipada, sendo preservadas as árvores de grande porte a nascente, introduzindo alguns elementos de vegetação junto ao edifício a norte, mas deixando a maioria dos espaço livre possibilitando o desenvolvimento de inúmeras actividades de forma espontânea ou organizada, no âmbito do uso da Plataforma ou não. Também o mobiliário urbano utilizado na praça é constituído por elementos moveis, por forma a que possa ser mais versátil na sua utilização.

Motivo da Candidatura: O projeto inaugurado no dia 24 de junho é a obra mais emblemática da Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012. Destacou-se em setembro de 2012 com a obtenção do Prémio Detail,um concurso mundial que recebeu cerca de 600 candidaturas de arquitetos oriundos de 50 países. Os projetos selecionados foram apreciados por um juri internacional que inclui referências da arquitetura moderna.

Acresce o facto de ser uma obra de intervenção urbana com relevo: no espaço do antigo mercado municipal que está numa zona central da cidade e que estava abandonado.

A intervenção foi realizada assegurando a manutenção da parte classificada pelo IGESPAR. O projeto incluiu ainda uma construção nova com uma solução de fachada com um material nobre (latão) e a utilização da luz que ilumina essa fachada; a criação de uma praça pública, com integração do conforto do estacionamento subterrâneo e a manutenção do edifício envolvente, são aspetos também a destacar.

 

Poster: