Nome: Centro Dehoniano

Localização: Avenida da Boavista 2423, Porto

Promotor / Dono de Obra: Província Portuguesa do Sagrado Coração de Jesus

Arquiteto: Nuno Valentim, Frederico Eça

Construtor: Empripar

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: O projecto surgiu como resposta à necessidade de reabilitação do imóvel documentado procedendo a uma revisão programática e funcional do edifício mais adequada aos destinos previstos. Sobre o estado de conservação da preexistência, a construção terá sofrido intervenções sucessivas adulterando principalmente o seu interior. No exterior apresentava sinais de degradação e descaracterização que tornavam urgente a intervenção. Pretendia-se remodelar a casa existente devolvendo-lhe atributos entretanto perdidos: a presença de luz natural a atravessar o edifício, um uso alargado das varandas articulado com circulações e não apenas destinado a um espaço que lhe é contíguo e racionalização das zonas de águas ao longo dos vários pisos em articulação com a sua posição original (sempre que possível). Estes aspectos enquadrados naturalmente numa reabilitação que resolvesse as patologias mas nunca transfigurando a base estrutural e compositiva original –todas as alvenarias de pedra e elementos em betão estruturais originais foram mantidos e integrados nos novos usos dos espaços a reconfigurar. Esta remodelação/ampliação partiu dos seguintes pressupostos:

-Situar fora da construção original funções do programa com sobrecargas infraestruturais, nomeadamente os quartos para os estudantes e as inerentes instalações de aquecimento e águas);
-Conferir à ampliação um carácter perfeitamente autónomo, de leitura clara no tempo e no espaço, sem mimetismos ou colagens linguísticas ou volumétricas ao edifício pré-existente, apresentando-se simultaneamente como sua extensão natural nos nossos dias de modo a conferir-lhe o supracitado “...estado completo que poderá nunca ter existido num dado momento...”;
-Resolver o Tardoz. Devolver à estupenda fachada para o logradouro a escala dos dois pisos e “limpar” este espaço dos anexos, galinheiros e áreas pavimentadas em betonilha de cimento;
-Organizar, hierarquizar os espaços exteriores de acordo com as novas funções e sempre que possível transformá-los em extensões naturais dos espaços interiores. Julgamos que a proposta é clara na tradução destas ideias: a pendente natural do terreno permitiu atribuir-lhe a função de extensão do piso da cave. Recortado neste ambíguo plano que nasce do solo mas que também se torna tecto, surge um grande pátio quadrado, recordando um claustro, que definitivamente inverte a anterior ausência de luz natural deste piso térreo e abrindo o horizonte no interior do edifício aos limites do próprio terreno. Faltará ainda referir a indispensável substituição dos anexos por um segundo piso de quartos que parte da duplicação do muro limite a sul do logradouro
–solução que resolve a indiscriminada implantação das construções degradadas aí existentes, criando um primeiro plano relativamente à caótica envolvente próxima desta área.

Motivo da Candidatura: O "Centro Dehoniano" pertencente à Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) e para além de residência pretendia servir de apoio a movimentos juvenis, coordenando, na zona Norte do país, as actividades da "Juventude Dehoniana" e da "Associação de Leigos Voluntários Dehonianos" (missionários em Moçambique). A partir de 2001, a residência passou também a acolher estudantes dos primeiros anos do curso de Teologia, que frequentam a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Para responder a todas estas actividades, tornava-se necessário proceder a obras de adaptação da casa
—ela mesma a precisar de obras de reabilitação
—pois os espaços existentes eram notoriamente insuficientes. Acreditamos que o resultado apresenta com clareza os pressupostos do programa, respondendo equilibradamente à tensão sempre inevitável, mas também estimulante entre construção existente, programa e construção nova. O programa habitacional, raro neste tipo de edifícios numa zona de progressiva terceirização, articula-se com funções de abertura ao exterior, de acordo com os valores expressos pelo Dono da Obra, dando-lhe uma nova dimensão e alcance. “...Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo, refazê-lo...é restabelecê-lo num estado completo que pode nunca ter existido num dado momento...” Violet-le-Duc “Diccionaire Raisonné de l’Architecture Française”