Nome: Casa Dom Hugo

Localização: Rua Dom Hugo, nº 19, Porto

Promotor / Dono de Obra: J. Oliveira Martins

Arquiteto: Floret Arquitectura (c/Hugo Neves)

Construtor: Rielza, Lda

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: A Casa Dom Hugo localiza-se no Centro Histórico do Porto. Este edifício, ou o pouco que sobrava dele, era constituído por duas frentes: rua e logradouro com vistas sobre a ponte D. Luís.

O alçado principal do edifício era composto por um piso, constituído por dois vãos. A cobertura original seria constituída por duas águas, revestida a telha cerâmica, mas o seu avançado estado de ruína inviabilizou a sua recuperação. O edifício original possuía uma única estrutura passível de ser recuperável e reutilizável, que seria a estrutura de alvenaria de granito. Pelo contrário, o vigamento de madeira, apresentava um irremediável grau de deterioração. O programa de intervenção propôs a recuperação da ruína para a função de habitação unifamiliar T2, ampliando-se o volume existente na cobertura de modo a viabilizar a introdução dos quartos no espaço das águas furtadas.

Essa ampliação fez-se através da introdução de um recuado e de uma trapeira na cobertura. Mantiveram-se inalterados os alçados, tendo sido desenhadas novas caixilharias de madeira com vidro duplo.. O alçado tardoz foi mantido na totalidade havendo só a alteração do piso recuado, que apesar de se tratar de um volume novo, foi revestido a soletos de ardósia. A escada de acesso a todos os pisos foi criada com o intuito de ser um elemento escultural que se desenvolve ao longo do vazado e sua guarda opaca consegue em simultâneo mostrar o movimento da escada, mas também, oferecer a privacidade desejada entre os pisos. A cave passou a ser a zona mais pública da casa com a cozinha, sala de estar e jantar, estas com acesso directo ao jardim. O piso do rés-do-chão, ou seja o piso da entrada, pretende ser um piso de transição entre o piso da cave e o piso mais privado, piso 1 onde ficam situados os quartos. No logradouro foi projectado um terraço, que prolonga o espaço interior para o exterior.

Motivo da Candidatura: Esta candidatura pretende demonstrar que a reabilitação de pequenas unidades localizadas em centros históricos classificados pode ser concretizada conciliando criatividade e respeito pelo património. Na linha do dito popular, fizemos das tripas coração, isto é, das limitações óbvias inerentes às características intrínsecas do edifício e das condicionantes contextuais, fizemos oportunidades: não sendo possível ampliar o existente, reinterpretou-se a organização espacial interior e a cobertura de forma a incluir todo o programa exigido pelo cliente. Por isso, neste caso, não foi necessário recorrer a um processo de reparcelamento para cumprir o programa, mantendo-se a operação dentro dos limites originais (medievais?) do lote.

Poster: