Nome: Bonjardim 953

Localização: Rua do Bonjardim, 953 - St.º Ildefonso - 4000-132 Porto

Promotor / Dono de Obra: António Henrique Ribeiro Gomes

Arquiteto: Patrícia João Reis Mendes

Construtor: Rielza, Lda

Financiamento: NovaGalicia Banco

Data do fim de construção: 01/09/2012

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: Devido ao razoável estado de conservação em que se encontrava o imóvel localizado na Rua do Bonjardim nº 953, Santo Ildefonso, centro da cidade do Porto, optou-se por recuperar grande parte da construção existente, nomeadamente: as paredes perimetrais em granito, toda a estrutura interior em madeira (lajes, paredes e asnas), os tectos em estuque trabalhado, o soalho de madeira maciça que cobre os pisos 1, 2 e 3 (que em certos pontos cada peça chega a atingir os 7.00m de comprimento), os mosaicos hidráulicos localizados no wc do piso 2, as paredes estanhadas protegidas durante anos por papel de parede, todas portas interiores e rodapés em madeira maciça, algumas portas exteriores igualmente em madeira pintada, e a escadaria interior que divide a casa a meio.

Ao longo do ano de 2012, reconstruiu-se a moradia de 4 pisos (3 acima da cota de soleira e 1 abaixo da cota de soleira) respeitando sempre que possível o existente. As excepções foram para:

- A cobertura foi totalmente renovada, uma vez que se tratava de uma das zonas mais degradadas da casa, e de se inspeccionar todos os elementos existentes a manter, constatou-se que a cobertura com 43º de inclinação continuaria a ser suportada pelas asnas de madeira originais mas devidamente protegida com: um forro em placas de OBS hidrófugo, ripado de travamento, barreira pára-vapor, placas de isolamento térmico, contra ripado de travamento, acabamento em telha cerâmica tipo Marselha, e instalação novo sistema de escoamento de águas pluviais.

- Na fachada Este (frontal) foram removidos os azulejos existentes e as argamassas podres, procedeu-se à lavagem de toda a superfície, aplicou-se um tratamento curativo de hidrofugação, e aplicou-se novo revestimento cerâmico com formato e cor do original.

- Toda a estrutura das varandas que compõem o alçado tardoz da fachada Oeste, encontrava-se perto de ruir, pois trata-se de uma estrutura em madeira suspensa com fixação na parede estrutural em granito. Optou-se pela sua reconstrução mantendo o desenho de fachada original, mas executada em estrutura metálica envolvida barreira pára-vapor, no interior protegida com um forro em placas de OBS hidrófugo, no exterior com isolamento de lã-de-rocha, e acabamento em chapa ondulada lacada fixa sobre ripado de aço galvanizado.

- Substituíram-se todas a caixilharias, nos vãos da fachada Este instalou-se caixilharia nova em madeira com vidro duplo (desenho igual às janelas originais) e nos vãos da fachada Oeste instalou-se caixilharia de PVC com vidro duplo e corte térmico, com nível elevado de protecção térmica e acústica.

O piso 0, área da cave (espaço destinado a arrumos) com acesso a Oeste ao logradouro, encontra-se igualmente recuperado, tendo-se protegido o pavimento e paredes com uma pintura impermeabilizante. O pavimento da cave foi executado em betão afagado, nas paredes perimetrais colocou-se isolamento térmico, e nos tectos encontra-se isolada com lã-de-rocha para assegurar conforto térmico do espaço habitacional.

Todo o interior dos pisos 1, 2 e 3 (área habitacional) foram recuperados respeitando a organização e os materiais existentes.

Toda a casa se encontra actualmente reconstruída, respeitando a traça original da construção de 1910, com grandes preocupações a nível de detalhe construtivo e opção de materiais, que não entrassem em conflito esteticamente e construtivamente com o existente, chegando a soluções com altos níveis de eficiência, para que a construção resultasse numa obra final com elevado nível de conforto térmico, acústico e estético.

Motivo da Candidatura

A candidatura do projecto de Reabilitação da Habitação Unifamiliar do Bonjardim 953 (Porto) é culminar de um processo iniciado em 2011, por um jovem casal portuense que, desde sempre, idealizou que a melhor forma de habitar no Porto seria numa casa secular na freguesia central da cidade do Porto – St.º Ildefonso.

A motivação da candidatura é basicamente tornar o mais público possível, que qualquer casal/família na casa dos 30 (ou mais) poderá dentro de um prazo razoável de tempo (18 meses), de um justo investimento (semelhante a um T3 novo), encetar um projecto de reabilitação habitacional. Que por um lado melhore as suas condições habitacionais (áreas mais generosas, centralidade, “qualidade de vida”) e que ao mesmo tempo consiga recuperar o património residencial e habitar o núcleo das nossas cidades.

No caso da cidade do Porto, a tarefa nem é muito complicada, pois trata-se apenas de aproveitar o que uma cidade plena de história/dimensão residencial e arquitectónica nos pode oferecer de melhor. Sendo que por vezes estas mais-valias estão ocultas por um manto de má preservação, errados preconceitos de custos e legalidades, estigmas de vizinhanças, e longos processos de reabilitação.

Em relação aos méritos da candidatura elas são difíceis de descrever por quem realizou todo o processo de reabilitação, desde o prisma pessoal e com as várias interferências emocionais. Porém os vários intervenientes durante a obra e alguns dos seus visitantes tem enumerado vários aspectos, que se centram resumidamente na qualidade da própria reabilitação do imóvel, a estrutura de custos, e a divulgação da obra.

1. A qualidade da reabilitação não poderá estar desassociada de 3 elementos:

- As características do imóvel e a sua qualidade de preservação das características originais ao longo do séc. XX, pelo que o processo de requalificação passou apenas pela actualização às necessidades habitacionais actuais, sem descaracterizar a consciência histórica e patrimonial herdada e apreciada.

- Todo o planeamento desenvolvido, pelo que se trabalhou sempre em redor da ideia base: “manter todos os elementos originais da casa, recuperar o possível, e reconstruir tal como o existente (o não passível de recuperação).”

- Dadas as características construtivas da casa e do tipo de trabalho a realizar, escolhemos uma equipa construtora adjudicada com experiencia demonstrada neste tipo de trabalhos (Rielza, Lda.).

2. Dado o processo reabilitação ter sido implementado por um jovem casal, de classe média, a mesma cumpriu duas premissas: Ser compatível com o financiamento bancário disponível (com as actuais limitações bancárias), e ao mesmo tempo, que o valor dos custos de reabilitação total + aquisição do imóvel, fosse equivalente à aquisição de um apartamento T3 novo em zona central da mesma cidade. Desta forma, a estrutura de custos da reabilitação teria como limite máximo os 250€/300€ por m2. Apenas com bastante horas perdidas de dedicação pessoal, sentido prático, e soluções engenhosas se conseguiu cumprir o mais minucioso dos objectivos iniciais, e nunca ultrapassar o rigoroso orçamento. Possivelmente a formação profissional do casal (gestor e arquitecta) ajudaram em muito nesta tarefa, mas facilmente com uma boa planificação de obra, procura incessante de orçamentos, controlo dos gastos (materiais e serviços) e acompanhamento de obra, qualquer pessoa conseguirá alcançar o seu projecto de reabilitação a que se propõe mesmo que seja exigente em termos de custos.

3. Desde início considerou-se que o projecto deveria ser divulgado pelas pessoas mais próximas e da nossa geração, no sentido de incentivo da mudança de perspectiva habitacional. Mas no início de obra decidimos igualmente partilhar esta “experiência de reabilitação” através da criação de um blog para o efeito (www.bonjardim953.blogspot.com) com a divulgação das várias etapas da obra (de uma perspectiva técnica e até “emocional”). Dessa forma quisemos partilhar com a comunidade Portuense, e sem saber com a de outras cidades (temos recebido vários contactos de outras pessoas a desenvolver projectos semelhantes em outras cidades em Portugal).

Poster: