Nome: Atelier des Créateurs

Localização: Rua José Falcão, 95, Porto

Promotor / Dono de Obra: Atelier des Créateurs

Arquiteto: Nuno Valentim, Frederico Eça, Paola Monzio c/ Maria Ana Sousa Coutinho

Construtor: Adolfo e Filhos, Lda

Apresentação Breve da Intervenção Urbana: O edifício a reabilitar, funcionando desde a sua construção no início do séc. XX até 2006 como sede da Associação Cristã da Mocidade (YMCA), encontrava-se devoluto. Projectado por José de Vasconcellos de Lima Júnior, foi construído entre 1903 e 1904, claramente influenciado pelas estéticas ‘beaux-arts’ vigentes. Encomendado por Alfredo Henrique da Silva foi edificado pouco depois da abertura da Rua José Falcão, via que dividiu um enorme quarteirão implantando-se paralelamente às importantes vias radiais Iluministas. Esta situação fez com que os lotes desta rua não possuíssem as medidas tradicionais que caracterizam o lote portuense (estreito, longo, com um logradouro interior) - o lote possui uma extensa frente de 13,5m e uma profundidade de 32m, praticamente anulando a existência de logradouro. Esta frente alargada estará na origem da composição volumétrica que divide a fachada em 2 corpos, aproximando-a à modulação tradicional e permitindo resolver a necessidade de apoio estrutural intermédio.

Em geral o edifício encontrava-se em razoável estado de conservação apresentando sinais de deformação/degradação em elementos estruturais de madeira (no piso térreo, pavimentos e tecto do salão), soalhos em madeira (ataques biológicos), revestimentos interiores (estuques e madeiras pintadas), revestimentos exteriores (argamassas degradadas e azulejos destacados) e elementos da cobertura (estrutura, ripado, telha, clarabóias, algerozes e rufos).

O projecto propôs a reabilitação do edifício existente e a sua reconversão para instalação de uma unidade de confecção artesanal e semi-industrial para cerca de 50 postos de trabalho.

O valor patrimonial do edifício impôs o critério de distribuição do programa. O piso térreo ficou naturalmente destinado às áreas de apoio aos funcionários e às áreas de produção que implicavam a utilização de equipamento mais pesado e de maior dimensão (este será o único piso onde se irá construir uma laje térrea que permitirá absorver estas cargas, proceder às impermeabilizações necessárias e ao corte da humidade ascensional observada). A escadaria nobre e o tratamento decorativo do 1º andar sugeriram a localização das áreas administrativas.

No salão (1º e 2º andares) localizou-se a área central de produção – a organização deste espaço em open-space foi pensada para permitir a leitura total da sua volumetria e do trabalho decorativo. O novo balcão proposto (em contraponto ao existente) foi pensado de forma a autonomizar-se da preexistência precisamente para tornar claros os diversos tempos de intervenção. A pretexto da reconversão do uso propõe-se o encerramento dos vãos neste espaço (fachada tardoz) e a abertura de uma nova série de janelas com composição e geometria claramente distintas do espírito preexistente (o tipo de aberturas deste salão sugeria uma função religiosa muito distante da nova utilização).

Motivo da Candidatura: Estamos perante um importante regresso à Baixa de uma função que tem feito precisamente o percurso inverso (instalando-se por norma na periferia dacidade) - o edifício existente foi reabilitado para instalação de uma unidade de confecção artesanal e semi-industrial para cerca de 50 postos de trabalho. Convirá notar igualmente os sinais de revitalização desta rua e sua envolvente próxima – cafés, bares, lojas de criadores de moda – trazendo este mesmo projecto um contributo importante para o processo.

Apesar da mudança funcional evidente procurou-se manter todas os componentes fundamentais do sistema construtivo encontrado neste edifício: elementos estruturais em alvenaria de granito e madeira, revestimentos/elementos decorativos em estuque e madeira, fachada à Rua José Falcão (lancis em granito, caixilharias de madeira, revestimentos em reboco e azulejo), escadaria nobre e escada de serviço, clarabóias, etc.

Não foram introduzidas alterações ao edifício que alterassem a sua volumetria, enquadramento urbano e/ou relação com a envolvente próxima, e a necessidade de introdução de elementos como por exemplo o elevador/monta-cargas, procurou não interferir com os valores arquitectónicos - foi possível introduzi-lo aproveitando um saguão existente na zona central do edifício permitindo que a sua instalação se realizasse praticamente sem intervenção na estrutura. O edifício adaptou-se, portanto, à nova função proposta com poucas alterações à compartimentação original repropondo inclusivamente espaços que teriam sido ocupados (o pátio exterior no tardoz, p. ex.). De facto procurou-se alicerçar esta transformação numa análise crítica e técnica fundamentada, para desta forma responder aos requisitos funcionais do programa e ao mesmo tempo tirar partido de um enquadramento arquitectónico singular.

 

Poster: